2010-07-29

Subject: Fitoplâncton ameaçado por aquecimento global

 

Fitoplâncton ameaçado por aquecimento global

 

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@ NatureO fitoplâncton marinho, que representa cerca de metade da biomassa fotossintética total da Terra, sofreu um declínio substancial ao longo do último século, relatam os investigadores na última edição da revista Nature.

As descobertas vêm somar-se às preocupações de que as alterações climáticas estejam a alterar de forma perigosa os ecossistemas marinhos.

O fitoplâncton é a base de toda a teia alimentar marinha e tem um papel importante no ciclo global do carbono. Através da fotossíntese, produz cerca de metade do oxigénio da atmosfera terrestre e conduz a bomba biológica que fixa 100 milhões de toneladas de dióxido de carbono atmosférico por dia em matéria orgânica, que seguidamente se afunda para o fundo do oceano quando o fitoplâncton morre ou é digerido.

A actividade do fitoplâncton flutua largamente de acordo com a estação e a localização, dificultando a monitorização a longo prazo das suas tendências. Um estudo anterior, baseado em observações de satélite da cor do oceano, sugeriu uma associação entre a variabilidade climática e a produtividade oceânica mas limitou-se a observações entre 1997 a 2006. 

Boris Worm, biólogo marinho na Universidade Dalhousie em Halifax, Canadá, combinou agora observações de satélite do fitoplâncton e medições históricas através de navios que datam desde os tempos pioneiros da oceanografia.

A investigação revela uma perturbadora tendência de descida centenária sobreposta a uma variabilidade a curto prazo. Os cientistas descobriram que a média global da concentração de fitoplâncton nos oceanos superiores declinou cerca de 1% ao ano. Só desde 1950, a biomassa de algas diminuiu cerca de 40%, provavelmente em resposta ao aquecimento do oceano, e esse declínio acelerou nos últimos anos.

"Claramente 40% é um valor monumental", diz Paul Falkowski, oceanógrafo na Universidade Rutgers em New Brunswick, Nova Jérsia. "Isto implica que todo o sistema oceânico está desequilibrado, a abrandar." "Isso é fortemente inquietante", acrescenta Victor Smetacek, biólogo marinho do Instituto Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha em Bremerhaven, Alemanha. "Temos mesmo que digerir a enorme magnitude deste declínio e as suas possíveis implicações."

Worm e os seus colegas passaram três anos a recolher, filtrar e analisar os dados disponíveis sobre a transparência dos oceanos e a concentração de clorofila, indicadores comuns da abundância do fitoplâncton. Depois de remover os dados sobre as águas costeiras mais rasas e qualquer observação obviamente errada por biologicamente impossível, o conjunto ainda incluía perto de 450 mil medições distribuídas por todo o mundo entre 1899 e 2008.

Desde 1899, a transparência dos oceanos tem sido medida através de um dispositivo chamado disco de Secchi, em homenagem ao astrónomo italiano que o inventou em 1865. O disco é baixado para o oceano e a medição de profundidade é feita onde os observadores o perdem de vista. Usando equações ópticas, os investigadores compararam as medições de profundidade com Secchi para a transparência oceânica com medições da concentração de clorofila em locais de pesquisa e no fitoplâncton, bem como com observações de satélite da cor do oceano.

 

A combinação dos dados sugere que a biomassa do fitoplâncton se reduziu em oito das dez regiões oceânicas medidas, com as maiores taxas de declínio nos Atlântico sul e equatorial, oceanos Árctico e Antárctico. Só no Índico é que a biomassa do fitoplâncton aumentou, ligeiramente no norte e mais acentuadamente no sul, desde 1899.

"Analisámos os dados de diferentes ângulos, local e globalmente, para garantir que não estávamos a produzir artefactos estatísticos", diz Worm. "Estamos muito confiantes que os resultados são robustos."

"O estudo vem somar-se a um crescente corpo de investigações oceanográficas globais, todas evidenciando um resultado fundamental comum: o efeito global de uma superfície oceânica em aquecimento é a redução da concentração de clorofila superficial do fitoplâncton", diz Michael Behrenfeld, ecologista marinho da Universidade Estatal do Oregon em Corvallis.

Apesar do efeito do crescimento reduzido do fitoplâncton sobre a concentração de CO2 atmosférico ser relativamente pequeno, a teia alimentar marinha e as pescas podem ser severamente afectadas, diz Falkowski. "Estamos a encurralar os peixes de mar aberto, como o atum, de ambos os lados: estamos a pescar em excesso sem dúvida e agora vemos que também existe pressão vinda da base da cadeia alimentar."

Na maioria das regiões testadas, o declínio do fitoplâncton parece ser o resultado de um aquecimento de 0,5 a 1,0°C do oceano superficial ao longo do último século. O aquecimento leva a um acentuar da estratificação vertical das camadas oceânicas, limitando o fornecimento de nutrientes vindo das profundezas.

Mas o aquecimento oceânico não explica a redução da produtividade em regiões, incluindo o oceano Árctico, onde o crescimento das algas é essencialmente constrangido pela luz. Por isso os cientistas têm que tentar que outros motores, como alterações na circulação oceânica e do vento, podem estar a forçar o declínio, diz Falkowski.

A redução do crescimento do fitoplâncton, diz Worm, acrescenta uma nova dimensão, comparável ao branqueamento dos corais, pesca excessiva e acidificação dos oceanos, ao problema das alterações globais nos oceanos. "Não sabemos o que aconteceu antes de 1899 e não temos a certeza do que vai acontecer no futuro", diz ele. "Mas precisamos mesmo de seguir esta tendência tão preocupante e analisar o seu desenrolar."

 

 

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