2010-07-24

Subject: Revelado o sentido do olfacto em baleias

 

Revelado o sentido do olfacto em baleias

 

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@ Ansgar Walk/BBC

As baleias-francas têm uma capacidade, até agora desconhecida, para cheirar o ar. A descoberta pode alterar a nossa compreensão da forma como as baleias de barbas localizam as presas, pois os cientistas suspeitam que a baleia-franca fareja os cardumes de krill.

O sentido do olfacto das baleias foi revelado quando os cientistas dissecaram os seus corpos e encontraram órgãos olfactivos que ligavam o cérebro e o focinho, bem como receptores proteicos funcionais necessários ao funcionamento do olfacto.

Anteriormente, considerava-se que as baleias e os golfinhos não tinham capacidade olfactiva. Os detalhes da descoberta foram publicados na última edição da revista Marine Mammal Science.

O perito em cetáceos Hans Thewissen, da Escola de Medicina das Universidades do Nordeste do Ohio, e os seus colegas sediados no Japão e no Alasca fizeram a descoberta enquanto avaliavam a dimensão do cérebro das baleias-francas.

As baleias tinham sido capturadas como parte da quota de caça de subsistência bianual dos Inupiat, realizada ao longo da costa norte do Alasca, e a equipa do professor Thewissen obteve autorização para dissecar as cavidades cerebrais como forma de avaliar até que ponto o cérebro de uma baleia-franca preenche todas essas cavidades.

"Ao retirar o cérebro, reparei que existiam bolbos olfactivos, os quais, noutros mamíferos, ligam o cérebro ao focinho", recorda Thewissen. "Segui os bolbos olfactivos até ao focinho e notei que toda a maquinaria olfactiva estava presente, o que foi uma surpresa. À primeira vista, seria de esperar que as baleias não tivessem grande utilidade para o olfacto pois tudo o que lhes interessa está debaixo de água e o olfacto, por definição, a recepção de partículas transportadas pelo ar."

Mais ainda, diz ele, na maioria das espécies de cetáceos que já foram investigadas, quase todas espécies de baleias com dentes como os golfinhos, os cachalotes e as orcas, a maquinaria anatómica necessária ao olfacto está ausente, nomeadamente os nervos e as células receptoras. "Foi com base nesses estudos que se assumiu que as baleias não tinham sentido do olfacto."

 

Mas outros estudos vieram apoiar a descoberta de que as baleias-francas realmente conseguem detectar odores: estas baleias apresentam um bolbo olfactivo relativamente grande e desenvolvido, semelhante em estrutura ao encontrado em outros animais com um sentido do olfacto desenvolvido.

Os investigadores também descobriram que as baleias-francas têm receptores proteicos olfactivos quase todos funcionais, o que não acontece com as baleias com dentes. Estes receptores fornecem as infrastruturas bioquímicas para que estes mamíferos marinhos possam recolher amostras de odores.

"É espantoso que este animal, que parece ter muito pouco interesse na utilização do olfacto, tenham mantido este sentido", diz Thewissen. "Nós especulámos que, se calhar, elas são capazes de farejar o krill de que se alimentam e utilizam essa capacidade para localizar as presas. O krill cheiro um pouco como couve cozida."

Thewissen examina o bolbo olfactivo @ BBCAo contrário da maioria das baleias, as baleias-francas têm narinas separadas, o que sugere que não só são capazes de detectar os odores mas também são capazes de detectar a sua direcção. Também pode significar que a poluição humana, que mascara os odores marinhos, pode ter mais um impacto sobre esta espécie já ameaçada de extinção.

"Parte da motivação para a realização do estudo sobre o olfacto da perspectiva da comunidade nativa foi que os caçadores de baleias há muito têm referido que as baleias-francas são capazes de farejar, logo esta era uma hipótese óbvia a testar com a ciência ocidental", acrescenta Craig George, do Departamento de Gestão da Vida Selvagem do Alasca.

 

 

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