2010-07-23

Subject: Oceano Árctico cheio de dióxido de carbono

 

Oceano Árctico cheio de dióxido de carbono

 

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@ NatureÀ medida que os cientistas climáticos observam o gelo árctico a diminuir ano após ano, pensaram que poderia haver um lado positivo da situação: um oceano Árctico livre de gelo poderia absorver grandes quantidades de CO2 da atmosfera, abrandando a acumulação de gases de efeito de estufa e as alterações climáticas.

Mas investigação publicada na última edição da revista Science sugere que parte do oceano Árctico já limpou tanto CO2 que praticamente atingiu o seu limite.

Wei-Jun Cai, biogeoquímico da Universidade da Georgia em Athens, e uma equipa internacional obtiveram amostras da quantidade de CO2 nas águas superficiais da bacia do Canadá, no oceano Árctico ocidental. "Descobrimos que as áreas livres de gelo da bacia tinham valores elevados de CO2 que se aproximavam dos valores atmosféricos", diz Cai. "Isso não era esperado."

Apesar do oceano Árctico representar apenas 3% da superfície dos oceanos mundiais e estar praticamente todo coberto de gelo, recolhe entre 5 a 14% de todo o CO2 absorvido pelos oceanos mundiais. Tem tendência para absorver, proporcionalmente, mais CO2 porque os gases se dissolvem mais facilmente em água fria.

Anteriormente, os cientistas pensavam que as águas abertas promoveriam as trocas de CO2 entre o ar e o oceano e que o aumento da quantidade de luz que alcança a água também iria desencadear o crescimento do fitoplâncton, o que, por sua vez, levaria a mais transferência de CO2 da atmosfera para o oceano através da fotossíntese.

Mas essa "predição era baseada em observações de margens dos oceanos altamente produtivas ou de bacias cobertas de gelo antes de um recuo importante do dito gelo", diz Cai. Poucos cientistas analisaram as concentrações de CO2 em águas mais ao largo.

Durante uma viagem de investigação a bordo do quebra-gelo chinês Xuelong (Dragão da Neve) no Verão de 2008, Cai e os seus colegas realizaram medições contínuas da concentração de CO2 nas camadas superiores da bacia canadiana (o sector do oceano Árctico ao longo da costa norte do Alasca e do Canadá), onde o gelo marinho tinha recuado dramaticamente para um valor perto do seu recorde mínimo. 

Nas margens dos oceanos, onde as águas mais profundas se encontram com a plataforma continental, a pressão parcial de CO2 (uma medida da sua concentração) variava entre 120 a 150 micropascal, bem abaixo da sua concentração atmosférica de 375 micropascal. Mas nas águas livres de gelo mais ao largo, a concentração de CO2 era de 320 a 365 micropascal, praticamente igualando as concentrações atmosféricas. Em 1994 e 1999, os cientistas tinham observado na água superficial concentrações de CO2 abaixo dos 260 e 260 a 300 micropascal, respectivamente, nestas áreas.

 

Cai também descobriu que a produção primária, a remoção do CO2 da atmosfera pelo fitoplâncton, era quase negligenciável, algo que atribuíram ao baixo nível de nutrientes.

"Os resultados não me surpreenderam", diz Jean-Éric Tremblay, oceanógrafo biológico na Universidade Laval no Quebeque, Canadá, que estudou a produção primária do mar de Beaufort desde 2002. "Precisamos de deixar de pensar que estes sistemas estão privados de luz. Quando o gelo sazonal derrete na Primavera, o que realmente limita o crescimento do fitoplâncton são os nutrientes, o que este artigo demonstra muito bem."

Mas há alguma hesitação sobre a conclusão de que a produtividade desaparece quando o gelo de Verão desaparece. 

"Há muito maior variabilidade sazonal e espacial na concentração de CO2 no Árctico que torna realmente difícil, se não absolutamente impossível, avaliar as tendências a longo prazo a partir de uns tantos instantâneos", diz Bob Anderson, geoquímico do Observatório Geológico Lamont-Doherty da Universidade de Columbia em Nova Iorque. "Gostava de saber se a produtividade biológica era alta na bacia central no mês antes de lá terem estado."

Tremblay alerta para a possibilidade de o que Cai observou na bacia do Canadá poder não ser verdade para águas costeiras, onde os ventos trazem nutrientes das profundidades para a plataforma continental. "Estas plataformas ocupam 70% da área superficial do oceano Árctico. O que acontece ao largo não é necessariamente o motor principal do equilíbrio total de CO2", diz ele. "Eu não diria que a capacidade de absorção do oceano Árctico em termos de CO2 está no seu máximo. Há um componente em falta na história e é o que se passa nessas plataformas produtivas."

O artigo também pode marcar o amadurecimento da ciência climática chinesa, é um dos primeiros estudos de alto impacto de origem chinesa e foi parcialmente financiado pelo governo. "Os chineses estão a aplicar muitos recursos na recuperação e eventualmente em ultrapassar o ocidente em termos de investigação oceânica", diz Anderson.

"Esta é a primeira vez que as ciências oceanográficas se mostram com esta força", diz Tremblay. "Pode ser considerado um acordar científico." 

 

 

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