2010-07-22

Subject: Marmotas engordam com alterações climáticas

 

Marmotas engordam com alterações climáticas

 

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@ NatureNo vale do Upper East River nas montanhas Rochosas do Colorado, as marmotas de barriga amarela Marmota flaviventis vão de vento em popa garças às alterações climáticas.

A espantosa explosão populacional destes roedores, o seu número triplicou em dez anos, foi agora associada ao aumento das suas barrigas, provavelmente causada por alterações nos padrões de hibernação devidas às alterações climáticas.

Arpat Ozgul, ecologista da Imperial College de Londres, examinou 33 anos de registos detalhados para perceber a forma como os roedores glutões estavam cada vez mais pesados. Os resultados, publicados na última edição da revista Nature, mostram que as marmotas cresceram de uma média de 3,1 kg na primeira metade do estudo para 3,4 kg na segunda metade.

A causa deste ganho de peso não são inteiramente claras mas os dados da equipa mostram que não se deveu ao facto de as marmotas mais pesadas deixarem mais descendentes e passarem essa tendência às gerações seguintes. Pelo contrário, todas as marmotas ficaram mais pesadas, um efeito que se assume ser o resultado da existência de mais dias amenos por ano devido às alterações climáticas, que deu às marmotas mais tempo para crescer. "Há um consenso geral que os Verões têm sido mais longos na zona", diz Ozgul. Estudos anteriores mostraram que, com a subida das temperaturas, as marmotas emergem mais cedo da hibernação e dão à luz mais cedo na estação de crescimento.

Ozgul procurou associar este peso extra ao crescimento geral da população observado entre as marmotas numa estação privada de investigação no Colorado desde 2000. "A associação entre uma característica fenotípica, como a massa corporal, e a dinâmica populacional é critica se queremos compreender o efeito das alterações climáticas sobre a população", explica Stephanie Jenouvrier, bióloga populacional no Centro Chizé de Estudos Biológicos em França.

Usando um modelo populacional anteriormente testado em plantas, a equipa de Ozgul avaliou o impacto sobre a dimensão total da população de factores como a massa corporal de cada marmota individualmente, a taxa de crescimento e a probabilidade de reprodução. Concluíram que a sobrevivência melhorada entre as marmotas mais velhas durante o Inverno era o factor que mais efeito tinha e esse aumento era parcialmente devida a um maior tamanho corporal.

O modelo não explica porque uma alteração gradual na massa corporal se traduziria num súbito surto populacional, em vez de ambos os aspectos subirem em conjunto. "Estamos a assumir que as marmotas ultrapassaram um qualquer tipo de limiar", diz Ozgul. "A seguir temos que analisar com mais detalhes os factores ambientais e a densidade populacional." Estes factores ambientais incluem a cobertura de neve, o tamanho da estação de crescimento, a temperatura e a humidade.

 

"Gostaria de ver um gráfico da temperatura no local ao longo deste período", diz o perito em hibernação Roelof Hut, da Universidade de Groningen, Holanda. Ele acrescenta que o presente estudo associa as alterações observadas em massa corporal com a explosão populacional mas não tenta estabelecer a razão porque as marmotas estão a engordar em primeiro lugar.

As marmotas podem, por exemplo, ter alterado a sua dieta e não apenas o tempo que se alimentam, escreve Marcel Visser, ecologista no Instituto de Ecologia da Holanda em Heteren, num artigo News & Views que acompanha o estudo publicado na revista Nature. A população de um dos alimentos das marmotas, as flores de campainhas azuis, entraram em declínio em 2000, imediatamente antes da população de marmotas ter disparado, o que pode ter alterado a dieta dos roedores e conduzindo-as a alimentos mais ricos em gordura.

Ainda assim, a capacidade de associar o ganhar peso, e outras respostas individuais a alterações ambientais, a alterações populacionais ao nível do grupo vai ser importante na previsão dos efeitos das alterações climáticas noutras populações, diz Visser. Ozgul já tinha descoberto que as alterações ambientais estavam associadas a alterações de dimensão em ovelhas no arquipélago escocês de St Kilda, onde os indivíduos de cada geração são menores que os seus predecessores.

As marmotas podem não desfrutar de uma explosão populacional permanente. Ozgul diz que a sua equipa está atenta a efeitos a longo prazo, como escassez de alimentos devido a secas ou predação por coiotes e raposas, que podem regular a população. "A maior parte dos estudos ecológicos dura dois ou três anos, o trabalho de campo de um estudante de graduação, mas estes animais vivem 14 anos. Se vamos estudar o efeito das alterações climáticas, o típico estudo a curto prazo não nos diria nada." 

 

 

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