2010-07-19

Subject: Morcegos monásticos intrigam cientistas

 

Morcegos monásticos intrigam cientistas

 

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@ Radosoa Andoniaina Andrianaivoarivelo/BBC

Uma espécie monástica de morcegos está a intrigar os zoólogos: o animal, conhecido como morcego de ventosas, vive em Madagáscar e, apesar de ser há muito conhecido, só agora teve a sua ecologia investigada.

Novos estudos sobre este morcego revelaram um fenómeno curioso: ainda não foi descoberta uma única fêmea, apesar de terem sido capturados ou avistados centenas de machos. Ninguém sabe onde vivem as fêmeas ou porque motivo estão segregadas desta forma.

Os detalhes da história do morcego monástico foram publicados na última edição da revista Journal of Zoology.

O morcego de ventosas Myzopoda aurita recebe o seu nome das estruturas em forma de ventosa que lhe cobrem as extremidades. Originalmente pensou-se que os morcegos as usavam literalmente como ventosas para se agarrarem a superfícies verticais mas agora os cientistas sabem que esse objectivo é alcançado através de adesão húmida, o mesmo tipo de forças que colam papel molhado a uma janela.

Os novos estudos também revelaram que os morcegos se alimentam essencialmente de escaravelhos e traças mas o verdadeiro mistério continua a ser o facto de não se encontrar uma única fêmea.

Paul Racey, da Universidade de Aberdeen, e colegas sediados em Madagáscar na Universidade de Antananarivo, têm capturado com a ajuda de redes morcegos de ventosas em redor da aldeia de Kianjavato, no sudeste de Madagáscar, desde há vários anos.

Até há pouco tempo a espécie estava listada como 'vulnerável' pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), pois apenas uns poucos indivíduos tinham sido capturados em Madagáscar. Mas a descoberta da população numa estação de pesquisa agrícola em Kianjavato, perto do Parque Nacional Ranomafana, significou que o estatuto de conservação do morcego pode ser descido para 'pouco preocupante' e os estudos sobre a sua ecologia puderam começar.

Até agora, depois de andar a capturar com redes morcegos de ventosas vários anos, a equipa de Racey não conseguiu apanhar uma única fêmea.

"Já lançámos as redes vezes suficientes e em número suficiente de locais diferentes na zona de Kianjavato para termos a certeza de que elas não estão cá", diz Racey. "Percorremos todo o vale e não encontrámos nada, apesar de também termos encontrado uma nova população mais para o lado da costa a 100 km de distância mas sempre só de machos."

Em Kianjavato, os investigadores localizaram até agora 133 ninhos de morcegos de ventosas, que se juntam em folhas parcialmente desenroladas da chamada árvore do viajante Ravenala madagascariensis, uma planta bem conhecida em Madagáscar e que se parece muito com uma bananeira. Cada ninho contém entre 9 e 51 indivíduos, todos machos.

 

"A minha assistente de investigação Mahefa Ralisata mandou-me um email esta manhã para dizer que tinha capturado mais 26 machos em Kianjavato e nenhuma fêmea", diz Racey. Mas apesar deste estilo de vida monástico, os machos de ventosas evidentemente encontram as fêmeas.

Os machos juvenis chegam a Kianjavato duas vezes por ano e, dado que os jovens não migram grandes distâncias pois os ossos das asas ainda não cresceram completamente, têm que ter nascido por perto.

Como a espécie parece adaptada a fazer ninho nas folhas de Ravenala, as fêmeas também devem estar por perto na floresta secundária. Uma razão para estarem segregadas pode ser o facto de preferirem viver em habitats adjacentes mas de melhor qualidade.

As fêmeas de outra espécie de morcego, o morcego de Daubenton, vivem em locais diferentes dos machos no Reino Unido, em zonas de mais qualidade perto de rios, que as suportam melhor durante a gravidez e a amamentação. Racey deduz que as fêmeas misteriosamente ausentes dos morcegos e ventosas devem estar a fazer algo semelhante.

Mas há outro aspecto peculiar sobre os morcegos de ventosas: nenhum dos animais capturados e libertados até à data apresentavam qualquer tipo de parasita no corpo.

@ Mahefatiana Ralisata/BBCIsto é extremamente raro pois quase todos os mamíferos selvagens transportam uma corte de ectoparasitas, como pulgas e carraças.

Mas essa particularidade de "não ter parasitas é facilmente explicada pelos hábitos de repouso nas folhas parcialmente enroladas da Ravenala", diz Racey. Estas folhas são demasiado lisas para os artrópodes parasitas as percorrerem, logo não podem chegar aos morcegos. Essa pode ser uma das razões porque estes morcegos monásticos escolham a Ravenala para os seus ninhos. 

 

 

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