2010-07-13

Subject: Equipas de limpeza no golfo do México espezinham ninhos de aves

 

Equipas de limpeza no golfo do México espezinham ninhos de aves

 

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Ignorando os sinais de "mantenha-se afastado" afixados ao longo da zona protegida da costa da Florida para proteger as aves que aí nidificam, manchas de petróleo maculam as areias brancas. Mas, de acordo com os conservacionistas, esta não é a única ameaça às aves, pois algumas equipas de limpeza bem intencionadas que vagueiam sem saber pelas zonas de nidificação podem estar a fazer mais mail que o próprio petróleo.

De Abril a Agosto, muitas espécies de aves ameaçadas fazem o ninho directamente nas ondulantes dunas abertas da costa, apenas a cerca de uma dezena de metros da orla da água. Durante a época de nidificação, a sobrevivência destas aves depende da existência de contacto muito limitado com o Homem.

Mas com a chegada do petróleo derramado pelo poço danificado da BP, um exército de equipas de limpeza desceu sobre a linha costeira. Cerca de 44 mil pessoas estão a realizar operações de limpeza em mais de 700 quilómetros de costa do golfo, segundo informações fornecidas pelo Comando Unificado Deepwater Horizon, que controla a resposta ao derrame.

Com tantas pessoas a trabalhar tão perto das zonas de nidificação, aves adultas assustadas estão a abandonar os ninhos e muitas delas, bem como juvenis e ovos, estão a ser espezinhadas.

"A maioria de nós sabe que as equipas de limpeza podem causar mais danos que o petróleo alguma vez poderia fazer", diz Riley Hoggard, especialista em gestão de recursos para a zona protegida da Costa Nacional das Ilhas do Golfo. "A nossa maior responsabilidade é para com a fauna selvagem, seja ela um ninho de tartaruga ou aves marinhas. Se tivermos de manter as equipas de limpeza fora das praias, será isso que vamos fazer, lidaremos com o petróleo mais tarde."

O petróleo nas praias é claramente uma ameaça, dado que se trata de uma substância tóxica que pode afectar as aves marinhas em todos os estádios do seu ciclo de vida, diz Hoggard.

Um ovo contaminado com petróleo tem uma probabilidade maior de nunca vir a chocar um pinto e, mesmo que isso aconteça, uma cria curiosa poderá ficar rapidamente coberta de crude, matando-a ou bloqueando o crescimento das penas, por exemplo, explica Hoggard.

O Comando Unificado Deepwater Horizon enviou equipas de avaliação para monitorizar as praias e as zonas húmidas e determinar ser o petróleo deveria ser removido à mão, situação preferida em regiões delicadas como a costa nacional, ou com a ajuda de maquinaria pesada.

Cada manhã os grupos conservacionistas partilham informação com os supervisores das equipas de limpeza da BP sobre os locais onde existem colónias de nidificação, bem como as precauções para evitar que sejam espezinhadas ou atropeladas. Mas mesmo com estas medidas, tem havido circunstâncias em que as equipas de limpeza perturbaram as colónias de nidificação, refere Melanie Driscoll, directora da conservação de aves da Iniciativ Costeira da Sociedade Nacional Audubon.

Eric Draper, director executivo da Audubon da Florida, refere que muitos voluntários têm inadvertidamente entrado nas zonas de nidificação ao longo de todo o estado. "As actividades das equipas de resposta têm sido uma ameaça maior maior para as aves costeiras que o próprio petróleo."

 

As operações de limpeza são mais danosas quando as pessoas espantam as aves em nidificação, assustando-as de forma a que abandonem os ninhos, comenta Hoggard. As primeiras equipas enviadas para a zona de Fort Pickens da costa nacional expulsaram muitas aves costeiras e algumas colónias abandonaram os ninhos.

Mesmo um abandono temporário dos ninhos, quando os progenitores se assustam mas regressam algum tempo depois, pode ser desastroso. Sem o corpo do adulto para arrefecer o ovo, o embrião literalmente fica cozido com o calor da costa. Além disso, predadores como gaivotas podem aproveitar para roubar um ovo ou um pinto desprotegido. O aumento de pisoteio e do movimento de veículos nas dunas também é perigoso para adultos e juvenis.

A perda de um progenitor pode ser suficiente para condenar um ninho, diz Hoggard, dado que são precisos os dois para alimentar as crias, um para manter o ovo protegido e fresco e outro para buscar alimento.

Draper começou a recrutar novos voluntários por todo o estado para agirem como "guardiões de ninhos", mantendo-os a salvo das equipas de limpeza próximas mas mesmo as operações mais distantes das zonas de nidificação podem ser uma ameaça para as aves costeiras, refere Joel Kostka, ecologista microbiano da Universidade Estatal da Florida em Tallahassee.

Ele analisou as crateras deixadas pelas máquinas pesadas que foram usadas para raspar uma camada de 30 cm de areia perto da linha de água. Estas técnicas limpam a areia contaminada com petróleo mas também causam danos permanentes aos animais que vivem na areia, de que as aves se alimentam, explica Kostka. "As pessoas geralmente pensam que os ambientes costeiros são basicamente mortos mas não é nada disso."

As espécies de crustáceos, moluscos e microrganismos que habitam a zona podem ser mortas imediatamente pelas operações de limpeza ou os sobreviventes podem ficar num habitat que pode nunca recuperar. Por exemplo, certas espécies adaptadas a um dado tipo de areia (grão mais grosseiro, por exemplo) podem morrer se outro tipo de areia substituir as camadas perdidas.

Em vez de cavar profundamente, diz Kostka, as equipas de limpeza devem simplesmente recolher e remover a areia contaminada à superfície, pelo menos sempre que possível. Também é possível que em alguns casos nada fazer ser a melhor abordagem.

Os ecossistemas do golfo já estavam em apuros antes do derrame da Deepwater Horizon, recorda Kostka. Anos de desenvolvimento costeiro arrasaram vasta zonas de praias e a subida do nível do mar associada ao aquecimento global ameaça inundar ainda mais a linha de costa. "Se sobrepusermos todos os impactos do petróleo às restantes ameaças aos ecossistemas, pode ser o suficiente para se passar o ponto de não retorno." 

 

 

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