2010-07-11

Subject: Debate sobre impacto do petróleo disperso cada vez mais aceso

 

Debate sobre impacto do petróleo disperso cada vez mais aceso

 

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@ NatureDurante anos Robert Twilley trabalhou para fazer a ponte entre as divisões académicas tradicionais entre a oceanografia e a ciência costeira.

"Na realidade não se trata de dois sistemas separados", diz Twilley, cientista costeiro na Universidade Estatal do Louisiana em Baton Rouge. "Seja o que for que se faça ao largo certamente terá implicações na linha de costa e nos ambientes estuarinos."

Agora, Twilley está a assistir ao que costuma ensinar acontecer perante os seus olhos. À medida que a BP continua a derramar vastas quantidades de dispersantes no golfo do México, Twilley e muitos outros cientistas estão cada vez mais preocupados com a sopa química que pode estar a chegar à costa, bem como com os muito pouco compreendidos efeitos dos dispersantes na coluna de água no oceano.

Inicialmente, a BP e as agências federais envolvidas na resposta ao derrame tomaram a decisão de usar dispersantes ao largo para limitar a quantidade de petróleo viscoso que chegava às praias e zonas húmidas, diz Ed Overton, químico ambiental da Universidade Estatal do Louisiana. A ideia por trás da utilização dos dispersantes ao largo, diz Overton, "é tapar o nariz e aceitar os danos ao largo para tentar impedir os danos na costa".

Até agora, mais de 6,6 milhões de litros de dispersantes foram aplicados: mais de 4 milhões de litros ao largo e mais de 2,5 milhões de litros no local da fuga. À superfície, os dispersantes são pulverizados a partir de aviões sobre o petróleo e em profundidade são bombeados a partir de um navio até à cabeça do poço danificado, a cerca de 1,5 quilómetros de profundidade. Antes do derrame da Deepwater Horizon, os dispersantes apenas tinham sido usados para tratar petróleo à superfície.

E é aqui que está a preocupação, diz David Valentine, geomicrobiólogo na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. "É uma experiência que nunca foi feita antes, despejar tamanha quantidade de um químico industrial no oceano."

"O meu palpite é que quando tudo isto começou eles queriam manter o petróleo longe das praias, por isso usaram dispersantes", diz Samantha Joye, biogeoquímica da Universidade da Georgia em Athens. "Mas ninguém penso que isto iria durar tanto tempo."

Agora teme-se que o petróleo disperso chegue a águas rasas mesmo quando as questões sobre o impacto sobre a coluna de água em profundidade abundam. Estamos a tentar "desvendar o que é verdade e o que é pura especulação", diz Twilley.

A BP foi autorizada a usar dispersantes apenas em águas com mais de 10 metros e a uma distância da costa superior a 5 Km. Até agora, a aplicação mais próxima da costa foi a 14,6 Km e a grande maioria do dispersante foi aplicada a 28 Km ou mais, segundo Arden Ahnell, director geral de produtos da BP.

 

A Agência de Protecção do Ambiente americana (EPA) anunciou a 30 de Junho que a sua ronda inicial de testes de toxicidade sobre oito dispersantes, incluindo o Corexit 9500, produzido pela Nalco de Naperville, Illinois, o produto que a BP está a usar, não encontrou efeitos perturbadores "biologicamente significativos" do sistema endócrino sobre pequenos peixes e camarões estuarinos que testaram. No entanto, a EPA salientou que ainda precisa de mais estudos sobre os efeitos dos dispersantes misturados com petróleo.

"Já sabemos que os dispersantes são menos tóxicos que o petróleo quando comparados um com o outro", diz Susan Shaw, toxicóloga marinha e directora do Instituto de Investigação Ambiental Marinha em Blue Hill, Maine. "Mas como o Corexit contém um solvente de petróleo, estamos na realidade a colocar um solvente de petróleo sobre um derrame de petróleo, ou seja, estamos a aumentar os hidrocarbonetos na coluna de água."

O Corexit 9500 é composto essencialmente por detergentes que degradam as bolhas de petróleo em minúsculas gotas, bem como um solvente à base de propanol que é usado em produtos de limpeza doméstica. A dispersão deverá acelerar a degradação do petróleo pois as gotículas podem ser metabolizadas mais facilmente pelos microrganismos.

Joye não acredita nessa alegação: "Assume-se que o dispersante não tem impacto sobre a comunidade microbiológica e não temos a menor ideia se isso é verdade ou não. Há boa probabilidade de este dispersante estar a matar uma parte crítica da comunidade microbiológica à medida que estimula  degradação do petróleo."

Mais ainda, diz Shaw, o dispersante pode aumentar a toxicidade do petróleo para estes organismos marinhos. "É como um sistema de entregas", diz Shaw. "O petróleo disperso entra no corpo mais facilmente e chega aos órgãos mais depressa."

"A verdadeira questão sobre este derrame é a quantidade de petróleo que não para de chegar", diz Overton. "Estamos muito além da utilização normal de dispersantes."

Ainda assim, Overton não está convencido que o petróleo disperso esteja a chegar às águas rasas. "A ideia de dispersar o petróleo ao largo é faze-lo onde haja água suficiente para que seja dispersado abaixo de níveis perigosos rapidamente."

Twilley considera necessários mais testes para seguir a acção dos dispersantes e do petróleo, sozinhos e em combinação. "A complicação é o equilíbrio, há coisas positivas e negativas com os dispersantes e estamos com problemas em avaliar esse equilíbrio." 

 

 

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