2010-07-10

Subject: Cuidados parentais associados a homossexualidade

 

Cuidados parentais associados a homossexualidade

 

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@ NatureAves que passam menos tempo a cuidar dos filhos têm mais frequentemente comportamentos homossexuais, de acordo com um estudo conhecido esta semana.

A descoberta oferece uma possível explicação para a evolução da homossexualidade: os progenitores que devotam menos tempo à sua descendência têm mais tempo e energia para interagir com membros do mesmo sexo continuando a deixar filhos.

Os biólogos tinham pensado que a homossexualidade é desvantajosa a nível evolutivo pois distrai os animais da perseguição de encontros sexuais que possam resultar em descendência. Ainda assim, mais de 130 espécies de aves participam em actividades homossexuais, por vezes de forma frequente. 

No caso do albatroz de Laysan Phoebastria immutabilis, por exemplo, até 31% dos pares são fêmea-fêmea em algumas populações e até 20% dos pares de gansos bravos Anser anser são macho-macho, situações que os cientistas estavam a ter dificuldade em explicar.

Mas a homossexualidade pode não ser assim tão gravosa para as aves, que têm muitas oportunidades de acasalamento devido às menores exigências da criação da descendência, diz Geoff MacFarlane, ecologista da Universidade de Newcastle em Callaghan, Austrália. Quanto menor esforço que as fêmeas ou os machos colocam nos cuidados parentais, mais participam em actividades homossexuais, segundo uma análise da literatura que a sua equipa publicou na revista Animal Behaviour.

Vincent Savolainen, biólogo no Imperial College de Londres, diz que o comportamento homossexual é por vezes considerado um paradoxo darwiniano pois não resulta em descendência. "Este é um dos poucos estudos que explica o comportamento homossexual do ponto de vista evolutivo", diz ele.

Após correrem dúzias de livros, revistas e bases de dados, a equipa de MacFarlane analisou registos de 93 espécies de aves que revelaram comportamento homossexual na natureza. Descobriram que a corte do mesmo sexo, o cobrimento e a formação de laços são prevalecentes: 38% destas espécies revelam comportamento sexual entre fêmeas e 82% em comportamento sexual entre machos. Em algumas espécies, perto de um terço de todos os empreendimentos sexuais são fêmea-fêmea e até dois terços são macho-macho mas no conjunto, a actividade homossexualidade representa menos de 5% dos encontros sexuais nas espécies estudadas.

 

As espécies de aves mostram uma enorme variedade de estratégias parentais, desde cuidados essencialmente femininos aos essencialmente masculinos. A equipa classificou cada espécie com base na contribuição relativa dos machos e fêmeas para as tarefas parentais, como a construção de ninhos e alimentação das crias. As fêmeas que fornecem mais cuidados mostram pouco ou nenhum comportamento homossexual, enquanto, pelo contrário, as que mostram menos cuidados mostram taxas superiores de corte e ligação a elementos do mesmo sexo. Situação semelhante acontece com os machos.

Os autores sugerem que a libertação dos deveres parentais oferece aos indivíduos uma maior oportunidade para interagir sexualmente com múltiplos parceiros, incluindo os do mesmo sexo, mas não conseguem determinar a causa da homossexualidade com base na sua análise. As aves podem ter comportamentos homossexuais para praticar exibições de corte, reduzir a tensão social ou solidificar a dominância. O comportamento pode ajudá-las a formar alianças, partilhar responsabilidades ou aceder a recursos. Apesar da variedade de explicações, não é claro se a homossexualidade é um sub-produto neutro da evolução ou se tem uma função adaptativa.

"Este estudo sugere que que quando não há custos, a homossexualidade pode persistir, o que não é o mesmo que dizer que é adaptativa", diz Allen Moore, geneticista evolutivo na Universidade de Exeter em Penryn. "Pode ser que quando não há cuidados parentais envolvidos, é como ter um hobby."

Também não é claro se estes resultados podem ser extrapolados para outras classes de vertebrados, como os peixes ou os mamíferos, mas a equipa de MacFarlane está a encontrar resultados semelhantes em primatas: aqueles com múltiplos parceiros têm maior actividade homossexual, dando mais peso à sua hipótese de que a poligamia permite a homossexualidade sem impacto no sucesso reprodutor. "O próximo passo lógico é ver se padrões semelhantes ocorrem noutras espécies de vertebrados." 

 

 

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