2010-07-07

Subject: Onda de frio na Florida impede avanço de pitões

 

Onda de frio na Florida impede avanço de pitões

 

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@ BBC

Uma onda de frio durante o último Inverno pode ter ajudado a bloquear a proliferação das pitões da Birmânia através do estado americano da Florida. 

Nos últimos anos, estas cobras de grande dimensão estabeleceram-se no estado após escaparem ou serem libertadas na natureza pelos seus donos mas centenas delas não sobreviveram às temperaturas invulgarmente baixas do Janeiro passado, revelou um estudo agora conhecido.

Apesar das pitões permanecerem uma ameaça à biodiversidade da Florida, parece agora menos provável que se espalhem ainda mais. As pitões da Birmânia são uma de várias espécies invasoras que representam uma ameaça significativa à fauna selvagem nativa da Florida e do seu Parque Nacional das Everglades.

A chegada das pitões da Birmânia causou grande comoção não só porque estas cobras atingem frequentemente mais de 3 metros de comprimento mas também porque se deslocam para além dos habitats artificiais, como quintais e canais, em que muitos répteis invasores permanecem. Nessas zonas, as cobras alimentam-se de espécies ameaçadas localmente, como os ratos da madeira de Key Largo e coelhos dos pântanos.

Frank Mazzotti, da Universidade da Florida, é um dos muitos conservacionistas que lideram o esforço para reduzir o impacto que espécies como a pitão da Birmânia têm na Florida. Em conjunto com os seus colegas do Serviço Nacional de Parques e o Serviço Geológico, ele analisou a forma como as pitões responderam ao prolongado período de tempo invulgarmente frio entre 2 e 11 de Janeiro deste ano.

Antes da onda de frio, os investigadores implantaram transmissores e gravadores de temperatura em dez pitões capturadas e libertadas novamente. A telemetria rádio permitiu aos investigadores seguir os movimentos e destino das cobras ao longo do Inverno, enquanto os registos de temperatura lhes permitiram saber as variações da temperatura corporal dos répteis.

Os resultados foram publicados na revista Biological Invasions.

A temperatura corporal de oito das pitões seguidas flutuou de forma violenta entre os 10 e os 30ºC no período que conduziu a 9 de Janeiro e de seguida caiu nos dois dias seguintes ainda mais frios, frequentemente não ultrapassando os 5ºC, indicando que as cobras não foram capazes de fazer termorregulação nas baixas temperaturas.

 

Mais tarde, os corpos destas pitões mortas foram encontrados, juntamente com um nono animal seguido. No total, os investigadores também descobriram 99 outras pitões, 59 vivas e 40 mortas, sugerindo que muitas mais terão perecido sem serem detectadas.

No entanto, o motivo para estas mortes não é claro. Todas as pitões seguidas se comportaram de forma estranha antes de serem encontradas, pois todas foram recuperadas à superfície. Normalmente as cobras são encontradas em refúgios mais subterrâneos mais quentes.

Uma razão para isso pode ser o facto de a pitão da Birmânia ser uma espécie tropical, não adaptada a lidar com temperaturas tão baixas. Outros répteis tropicais, como os crocodilos americanos, não evitam o frio, enquanto espécies de zonas temperadas, como o aligátor americano, o faz, refugiando-se em tocas quando as temperaturas descem.

A capacidade de uma cobra para regular a temperatura é determinada cedo na sua vida e as cobras posteriormente expostas a outras temperaturas têm comportamentos diferentes. As pitões da Florida provavelmente nunca experimentaram temperaturas tão baixas logo seriam "termalmente ingénuas". Isso coloca possibilidade de no futuro poderem suportar melhor essas temperaturas, especialmente as geneticamente melhor adaptadas ao frio.

Ainda assim, Mazzotti coloca a hipótese de as pitões não se deverem espalhar tão generalizadamente pelos Estados Unidos como os aligátores, que são uma espécie de sangue quente de clima temperado que também coloniza os trópicos.

A onda de frio também parece, por enquanto, ter limitado a colonização da Florida pois as fêmeas sofreram particularmente, o que terá reduzido a capacidade de crescimento da população este ano. Se muitos jovens tiverem morrido, a sua capacidade de recuperação será ainda mais limitada.

Mas os investigadores alertam para o facto de ser impossível a remoção total das pitões da Birmânia da Florida. Actualmente são usadas armadilhas e por vezes as cobras são seguidas quando em busca de parceiros de acasalamento.

A onda de frio de Janeiro abre a possibilidade de a natureza, tal como a ciência, puder ser combinada para controlar a população de cobras. A compreensão da forma como as pitões respondem ao seu novo ambiente também ajudará a descobrir formas de impedir que outras espécies invasoras se instalem. 

 

 

Saber mais:

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Pitões de estimação invadem os Everglades

 

 

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