2010-07-06

Subject: Relatório climático tem poucos factos duvidosos

 

Relatório climático tem poucos factos duvidosos

 

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@ NatureQue quantidade de território holandês está abaixo do nível do mar? Parece uma pergunta inócua mas desencadeou uma revisão em grande escala do trabalho do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

A investigação, encomendada pelo governo holandês, focou-se na contribuição do Grupo de Trabalho II, sobre os impactos, adaptação e vulnerabilidade, do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC. As conclusões do relatório holandês, publicado a 5 de Julho, salientam vários erros, alguns triviais, outros mais egrégios, e sugere formas de minimizar esses erros no futuro mas também confirma a mensagem central do relatório do IPCC: o aquecimento global representa um risco substancial para as sociedades e ecossistemas de todos os continentes.

"No seu todo, o IPCC fez um sumário formidável do estado actual do conhecimento", diz Maarten Hajer, director da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda (PBL) em Bilthoven, que realizou a investigação. "Não está isento de erros mas é o melhor que temo e o melhor que pudemos desejar é melhorá-lo ainda mais."

O inquérito foi desencadeado pela enorme cobertura mediática de dois erros do relatório do IPCC: alegações de que todos os glaciares dos Himalaias poderiam derreter até 2035 (os glaciólogos consideram esse degelo muito improvável) e de que mais de 55% da Holanda está abaixo do nível do mar (a percentagem real é 26%). Em Abril, a ministra holandesa do ambiente, na altura Jacqueline Cramer, encomendou à PBL uma reavaliação da confiabilidade das projecções regionais do IPCC, levando a que esta confirmasse junto dos autores principais do relatório todas as afirmações nos capítulos relevantes que pareciam pouco claros, desfocados ou inconsistentes.

Este processo não revelou nada que pudesse minar as principais conclusões do IPCC ou os planos do governo holandês para a adaptação aos impactos climáticos, incluindo a subida do nível do mar, diz Hajer. Ironicamente, o erro sobre o nível do mar na Holanda derivou dos próprios números da PBL, o que causou algum embaraço. "Os meus autores ficaram espantados por serem entrevistados pela PBL sobre o seu trabalho quando foi ela que forneceu a informação errada que causou o furor em primeiro lugar", diz Martin Parry, professor do Imperial College de Londres e antigo co-secretário do Grupo de Trabalho II.

Em 32 impactos regionais projectados no 'Sumário para os decisores' do relatório do IPCC, a PBL encontrou apenas um erro factual. O número de africanos que se projecta estarem expostos a escassez de água devido às alterações climáticas, que se diz ser entre 75 e 250 milhões de pessoas, deve ser de 90 a 220 milhões.

Noutro local do relatório do IPCC, a prevista redução de 50 a 60% na produtividade da pesca de anchova foi erradamente derivada de um estudo sem relação que projectava um decréscimo de 50 a 60% de ventos fortes e turbulência oceânica. Outros erros incluem um punhado de referências incorrectas, títulos de tabelas e gralhas.

"'Desleixo' é a palavra relevante, tristemente em falta do relatório, pois sugere que os erros não são falhas graves na ciência, nem têm a intenção de iludir o leitor", diz Leonard Smith, estatístico da Escola de Economia de Londres. "Muitas das falhas identificadas podiam ser detectadas por editores científicos e assistentes de investigação."

 

A revisão da PBL também critica algumas afirmações do IPCC por serem demasiado generalizadas, citando a alegação de que a disponibilidade de água potável irá diminuir "em todas as partes" de África e salienta que o relatório não dá relevo aos impactos positivos das alterações climáticas, como maior produção agrícola em alguns países, no sumário para os decisores.

O IPCC já tinha corrigido muitos dos erros, incluindo a predição sobre as anchovas, no seu website mas alguns, incluindo o número de pessoas afectadas pela falta de água em África, permanece por corrigir pois os autores do IPCC continuam a acreditar nos seus números.

"Estou feliz por a PBL os ter encontrado mas não concordamos com alguns dos detalhes de algumas situações", diz Parry. Ele também rejeita as críticos de tom e ênfase. "Se temos que sumarizar investigações complexas em afirmações com dez palavras tem que haver generalizações e quando os impactos principais projectados são todos negativos, devíamos mesmo ter dado ênfase impactos positivos triviais como a PBL delicadamente insinua?"

Uma avaliação paralela dos processos e procedimentos do IPCC está actualmente a ser conduzida pelo Conselho Inter-academias de Amesterdão, composto por representantes das academias nacionais de ciência de todo o mundo. As suas recomendações devem ser entregues às Nações Unidas no próximo mês e deverá reforçar algumas das sugestões da PBL. Por exemplo, o painel holandês refere que a próxima avaliação do IPCC deve ser mais transparente sobre a forma como os investigadores dos impactos climáticos chegam ao seu julgamento e recomendações, devendo investir mais em confirmação dos factos.

Essas melhorias são vitais, quanto mais não seja porque os climatólogos estão muito expostos ao escrutínio e crítica públicos, diz Leo Meyer, líder do projecto da PBL e editor da análise. "A dificuldade é explicar ao público como o problema das alterações climáticas é complexo. Dizer às pessoas 'Hey, sou um perito, vocês têm que confiar em mim' já não é suficiente."

 

 

Saber mais:

IPCC

Agência de Avaliação Ambiental da Holanda

Cientistas estão a perder terreno para a desinformação dos cépticos climáticos

Críticas inundam IPCC

IPCC admite erro em relação a glaciares dos Himalaias

Nature pronuncia-se sobre o escândalo "Climategate"

 

 

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