2010-07-03

Subject: A grande evacuação de ovos de tartaruga

 

A grande evacuação de ovos de tartaruga 

 

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@ NatureEm cerca de 10 dias, os ovos de perto de 800 ninhos de tartarugas marinhas no Alabama e na Florida vão ser evacuados numa das maiores operações deste tipo alguma vez tentadas.

O ambicioso plano tem como objectivo salvar uma geração de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção dos efeitos da imersão no petróleo derramado pela explosão da plataforma Deepwater Horizon. Para os milhares de vulneráveis crias que emergiriam nestas areias e nadado para o golfo do México, esses efeitos incluem desde infecções à morte.

Para proteger as tartarugas, principalmente tartarugas-bobas e algumas verdes, de couro e de Kemp, várias organizações onde se incluem o Serviço de Pesca e Fauna Selvagem americano (USFWS), o Serviço Nacional de Pescas Marinhas e Comissão para a Conservação da Fauna Selvagem e Pescas da Florida, desenvolveram o Plano de Recolha de Ninhos em Fim de Termo e Libertação de Crias de Tartarugas Marinhas.

Na operação, estima-se que 70 mil ovos sejam recolhidos dos seus ninhos, empacotados em caixas de esferovite para o transporte em camiões de temperatura controlada do Federal Express para instalações seguras no Centro Espacial Kennedy perto de Orlando, Florida, e eventualmente libertadas em águas limpas do oceano Atlântico.

"Analisámos uma variedade de opções", diz Chuck Underwood, porta-voz do USFWS da Região Sudeste em Jacksonville, Florida. "Em circunstâncias normais nunca o faríamos pois sabemos que vamos ter mortalidade mas pelo menos vamos tentar."

Durante anos, os ovos de tartarugas têm sido recolhidos com sucesso por todo o mundo, durante ou imediatamente após a postura, para sua própria segurança de emergência mas o plano do golfo garantiu um período de espera entre a postura e a recolha de cerca de 50 dias para permitir a determinação do sexo, que depende da temperatura no interior da câmara do ninho.

Outra importante razão para deixar os ovos permanecer nos ninhos durante tanto tempo é que as tartarugas marinhas podem assimilar a localização ainda no ovo. Isto é importante porque significa que as fêmeas voltarão para a postura na mesma localização onde saíram do ovo, ajudando a manter a variação genética regional entre populações da mesma espécie. As fêmeas não voltarão para a postura durante 15 a 20 anos, o que se espera ser suficiente para que golfo volte a ser seguro para as tartarugas marinhas.

Um potencial reverso negativo dessa espera é que no espaço de 12 a 24 horas da postura os embriões desenvolvem as membranas anexas do ovo, pelo que qualquer movimento pode levar ao seu desprendimento e consequente morte, diz Underwood.

Todas as precauções serão tomadas para minimizar esse risco, acrescenta ele, o plano inclui protocolos detalhados para a forma de lidar com os ovos e haverá formação para o pessoal de recolha.

 

No entanto, Chris Pincetich, biólogo marinho do Projecto de Restauração de Tartarugas Marinhas (STRP) em Forest Knolls, Califórnia, expressou a sua preocupação com atrasos no plano. Nem todas as autorizações chegaram devido à falta de pessoal e de colaboração do Comando Unificado Deepwater Horizon dirigido pelo governo na divulgação de informação. 

O pessoal qualificado terá que estar nas praias para monitorizar a localização dos ninhos, registar onde estão e quando foram postos, informação crítica para a janela de 50 dias. A escavação e empacotamento dos ovos também exige perícia.

Todd Steiner, director executivo do STRP, diz que "existem dois problemas principais: falta de informação, pois ninguém sabe o que passa, e transparência. Tenho trocado ideias com outros cientistas e estou surpreso com os poucos que foram contactados por quem está no comando".

A deslocação dos ovos é geralmente considerado pouco problemático. "Temos dados suficientes que mostram que os ovos deslocados com competência nessa idade não têm diferença na taxa de sobrevivência", diz Mike Salmon, biólogo da Universidade Atlântica da Florida em Boca Raton.

Já a libertação é outra coisa. "O que não sabemos é o impacto que pode ter noutros aspectos do seu comportamento", diz Salmon. "A grande questão é se levarmos as crias que emergiriam normalmente no noroeste da Florida para a costa leste, será que elas vão voltar para aqui ou para a costa oeste, para onde deveriam ir?" Como não se sabe em que momento ocorre a memorização, esta questão permanece um mistério.

"O que sabemos é que deixar estes ninhos onde estão significaria que as crias nadariam para águas poluídas", diz Salmon. "Estamos entre a espada e a parede: se as deixamos onde estão podem morrer, se as deslocarmos podemos alterar o seu processo de aprendizagem. Temos que fazer o melhor que sabemos e podemos com a informação disponível, que é que um ano inteiro de tartarugas estará em maus lençóis se as deixarmos onde estão e podem ter mais hipóteses se as deslocarmos." 

 

 

Saber mais:

Sea Turtle Late-Term Nest Collection and Hatchling Release Plan

Sea Turtle Restoration Project

BP acusada de queimar tartarugas ameaçadas em operação de limpeza

 

 

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