2010-06-30

Subject: Boto-do-Índico no limiar da extinção

 

Boto-do-Índico no limiar da extinção 

 

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@ BBC

O boto-do-Índico, um raro tipo de baleia com dentes, pode estar ainda mais ameaçado de extinção do que antes se pensava. 

Um censo de botos-do-Índico na Ásia revelou que existem duas espécies e que elas raramente se misturam. Ainda mais preocupante, os botos que vivem em água doce, no Yangtze da China, são geneticamente únicos, o que leva os cientistas a alertar para a necessidade de realizar maiores esforços para impedir que estes animais, de que restam menos de 1000, sigam o outro mamífero do Yangtze, o Baiji, para a extinção.

Os botos-do-Índico Neophocaena phocaenoides habitam uma grande variedade de águas temperadas e tropicais em redor da região do indo-pacífico. Desde sempre os zoólogos se aperceberam que os botos pareciam diferir dependendo do local onde vivem: os que vivem na China, por exemplo, têm algumas características morfológicas diferentes conforme vivem no Mar Amarelo, no Mar do Sul da China ou no rio Yangtze.

Mas um novo estudo publicado na revista Marine Biology veio revelar até que ponto cada população de botos-do-Índico é distinta, com implicações significativas para a sua conservação e sobreviência.

"A descoberta mais surpreendente deste estudo é que o boto-do-Índico do Yangtze represente um agrupamento genético distinto dos grupos marinhos", diz Guang Yang, da Universidade Nanjing Normal da China, que realizou o estudo em conjunto com Michael Bruford, da Universidade de Cardiff, e outros colegas de Nanjing.

Os conservacionistas actualmente consideram todos os botos-do-Índico membros da mesma espécie mas Yang e Bruford analisaram os genes de 125 animais de toda a China, incluindo os dos mares Amarelo e do Sul da China e do rio Yangtze, e os seus resultados sugerem que se deve ter um cuidado especial com os botos de água doce, que devem ser geridos e conservados separadamente.

 

Ainda não se pode decidir se o boto-do-Índico do Yangtze deve merecer o estatuto de espécie, são necessários mais dados, mas é tão único do ponto de vista genético que esforços especiais devem ser tomados imediatamente para a proteger.

"O mais recente censo de campo realizado em 2006 sugeriu que existiam cerca de mil indivíduos no Yangtze", diz Yang. "Este número é muito inferior do que as estimativas anteriores sugeriam, indicando um importante declínio populacional nas últimas duas décadas."

A China já está a considerar elevar o estatuto de conservação da população de botos-do-Índico do Yangtze, do grau nacional II para o nacional I. No entanto, "pelo menos na China, a maioria dos biólogos conservacionistas e peritos em cetáceos têm o sentimento de que o boto corre risco muito elevado de extinção e deve seguir o Baiji para a extinção num período de tempo muito curto, a não ser que medidas de conservação sejam aplicadas", diz Yang.

O Yangtze tem a duvidosa distinção de ser o local da primeira extinção de que há registo de um cetáceo. Em 2007, os conservacionistas declararam o Baiji Lipotes vexillifer, uma espécie de golfinho do rio endémico do Yangtze, extinto, após numerosos sensos realizados ao longo de vários anos não terem identificado um único animal. O desenvolvimento, a indústria, a poluição, a pesca excessiva e a utilização comercial de navios no rio foram todos culpados do declínio do Baiji.

A análise dos cientistas também revelou que os botos-do-Índico marinhos devem ser considerados espécies separadas, pois os do Mar Amarelo são distintos do Mar da China. 

Os dados genéticos mostram que há um fluxo genético muito reduzido ou mesmo nulo entre estas duas espécies marinhas, mesmo em zonas onde se sobrepõem. Por esse motivo, cada população deve ser conservada separadamente, alertamos cientistas. 

 

 

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