2010-06-17

Subject: O lado negro da plumagem brilhante 

 

O lado negro da plumagem brilhante 

 

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American goldfinch

As aves com as penas mais coloridas podem pagar um preço elevado pelo seu exibicionismo pois tornam-se voadores muito fracos.

Os machos com a plumagem mais brilhante são considerados sexualmente mais atractivos para as fêmeas mas um estudo feito com pintassilgos americanos mostram que níveis elevados de pigmentos de cores vivas nas penas levam a uma degradação dos músculos das asas, afectando o desempenho em voo.

Os detalhes foram publicados na revista Naturwissenschaften. A descoberta não significa necessariamente que as aves mais coloridas sejam obrigatoriamente as mais fracas ou menos capazes de se reproduzirem.

Em vez disso, o estudo mostra que ter penas coloridas tem um custo para as aves macho, o que, por sua vez, significa que as penas coloridas são um sinal óbvio e honesto de qualidade. Apenas os machos mais aptos e na melhor condição física, os que são capazes de lidar com os efeitos negativos das penas coloridas, utilizarão quantidade suficiente de pigmentos para abrilhantar a sua plumagem.

Em muitos animais, incluindo peixes e aves, os machos ganham vantagens competitivas ou de acasalamento ingerindo e utilizando grandes quantidades de pigmentos carotenóides. 

Estes pigmentos amarelos, laranja e vermelhos podem ser encontrados naturalmente na dieta das aves e não podem ser produzidos pelos seus corpos. Quando ingeridos, os carotenóides são convertidos para abrilhantar penas de outra forma mortiças, criando plumagens apelativas.

Os efeitos benéficos dos altos níveis de carotenóides estão bem documentados pelos cientistas: como antioxidantes são considerados benéficos para a saúde das aves e as penas coloridas deles resultantes assinalam às fêmeas que os machos que as apresentam são saudáveis, têm menos parasitas e uma boa dieta.

Mas até agora, os cientistas não tinham analisado a possibilidade de haver um lado negro da ingestão de demasiados carotenóides. Para o fazer, Kristen Navara, da Universidade da Georgia em Atenas, e colegas da Universidade Auburn, Alabama, estudaram o que acontecia a pintassilgos americanos que se alimentavam com uma dieta rica em carotenóides.

 

Ao longo de duas estações consecutivas, a equipa alimentou pintassilgos selvagens capturados com uma dieta rica em carotenóides durante dois meses, seguida de uma dieta normal por outros dois meses. Um grupo de aves controlo foi alimentado consistentemente com uma dieta pobre em carotenóides.

Durante as experiências, os investigadores recolheram penas de aves para medir que quantidade de carotenóides era passada para a plumagem.

No primeiro ano, também testaram os níveis de uma enzima que podia indicar que o tecido muscular estava a ser degradado no corpo das aves. No segundo ano, prosseguiram com esta linha testando directamente a capacidade de voar das aves, medindo o desempenho dos músculos de voo das aves.

Os resultados foram claros: as aves que se alimentavam com suplementos de carotenóides eram significativamente mais coloridas, com penas nitidamente mais amarelas. No entanto, as aves alimentadas com esta dieta rica em carotenóides também produziam altos níveis de enzimas que atacavam os músculos, à medida que os carotenóides se tornavam tóxicos, levando a danos nos tecidos. Essas aves também tiveram desempenhos inferiores durante os testes de voo.

"O prejuízo era a longo prazo e surgia dois meses após a suplementação de carotenóides ter terminado", refere Navara. "Numa situação natural, este período de tempo corresponde à época de reprodução para os pintassilgos americanos. O desempenho muscular inferior durante este período pode diminuir o resultado reprodutor global."

Isso significa que apenas aves em condição física suficientemente boa para tolerar estes efeitos negativos irão ingerir os altos níveis de carotenóides e, portanto, apresentar as penas mais vistosas.

"Por isso, quando as fêmeas escolhem machos com plumagem brilhante, estão a escolher aqueles com uma condição física suficientemente boa para suportar os altos níveis de carotenóides", diz Navara. "Até agora os altos níveis de carotenóides eram considerados benéficos para as aves canoras e o nosso estudo sugere que outros efeitos potencialmente negativos precisam de ser testados noutras espécies, para que se tenha uma imagem completa do que se passa." 

 

 

Saber mais:

Detrimental effects of carotenoid pigments- the dark side of bright coloration - Naturwissenschaften

Kristen Navara

 

 

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