2010-06-16

Subject: Agricultura intensiva pode aliviar alterações climáticas

 

Agricultura intensiva pode aliviar alterações climáticas 

 

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@ NatureDemasiadas pessoas consideram a agricultura moderna, com as suas quintas industrializadas e dependência de fertilização com base no petróleo, um mal necessário pois alimenta uma população humana em rápido crescimento.

Mas a alternativa pode ser ainda pior, conclui um estudo da Universidade de Stanford: um sistema agrícola menos produtivo vai destruir ainda mais terras selvagens, aumentar as emissões de gases de efeito de estufa e causar um verdadeiro caos na biodiversidade. Os resultados do estudo sugerem que uma intensificação ainda maior da agricultura poderá desempenhar um papel crítico na forma como lidamos com o aquecimento global.

No estudo, os investigadores modelaram o mundo como o conhecemos, incluindo a 'revolução verde' e as práticas agrícolas modernas, e duas realidades alternativas em que as colheitas são mantidas ao nível de há algumas décadas.

Publicado a 14 de Junho, os resultados mostram que o aumento das emissões dos gases de efeito de estufa resultantes da agricultura intensiva são mais do que compensadas pelos efeitos da preservação das terras, que mantêm o carbono sequestrado nos solos nativos, nas savanas e nas florestas.

"No início, não tínhamos sequer a certeza se as poupanças de carbono devidas à utilização da terra se sobreporiam ao aumento das emissões devidas à actividade agrícola", diz David Lobell, cientista agrícola na Universidade de Stanford, Califórnia, e co-autor do estudo. Afinal, os fertilizantes usados na agricultura intensiva aumentam as emissões de gases de efeito de estufa. No seu todo, a agricultura foi responsável por 10 a 12% das emissões antropogénicas em 2005.

Mas afinal o equilíbrio é favorável, diz Lobell, "e as poupanças de carbono são enormes". Se tudo for igual, os investigadores descobriram que os avanços agrícolas entre 1961 e 2005 pouparam uma área de terra maior que a Rússia ao desenvolvimento e reduziram as emissões no equivalente a 590 gigatoneladas de dióxido de carbono, cerca de um terço do total emitido desde o início da revolução industrial.

A noção de que o aumento das colheitas preserva as florestas e outras terras nativas data do tempo do pai da revolução verde, o americano Norman Borlaug, e é conhecida por Hipótese de Borlaug. A equipa de Lobell tentou quantificar esse efeito e calcular a redução das emissões.

Entre 1961 e 2005, a população global aumentou 111% mas as colheitas subiram 135% no mesmo período, segundo o estudo. Em consequência, as terras agrícolas globais aumentaram apenas 27%.

Para compreender que quantidade de terra seria necessária para alimentar a população mundial actual com a tecnologia do passado, os investigadores congelaram as colheitas ao nível de 1961 e permitiram que a população e o estilo de vida aumentassem ao mesmo ritmo. Apesar das emissões devidas aos fertilizantes fossem inferiores, a quantidade de terras necessária expandia-se em cerca de 1,8 mil milhões de hectares. 

 

Num segundo cenário, tanto as colheitas como o nível de vida foram congelados ao nível de 1961 e os efeitos em termos de conversão de terrenos para a agricultura e emissões de gases de efeito de estufa eram mais ou menos metade dos do primeiro cenário mas ainda assim maiores do que os impactos reais que se observam.

Finalmente, a equipa analisou o perto de US$1,2 triliões de investimento em investigação agrícola e desenvolvimento desde 1961. Feita a média ao longo do período em estudo, os investimentos na melhoria das colheitas reduziram as emissões de carbono com um custo de cerca de $4 por tonelada de equivalente de dióxido de carbono, menos de um quarto do preço actual das licenças de emissões segundo o esquema europeu de comércio de carbono.

Os benefícios ambientais aumentarão se as colheitas continuarem a aumentar, dizem os investigadores. No ano passado, por exemplo, uma equipa do Joint Global Change Research Institute em College Park, Maryland, analisou os cenários de utilização de terra e descobriu que o aumento das colheitas levaria a redução das emissões na mesma escala que tecnologias como o eólico e o solar.

"Acima de tudo, este estudo sublinha a necessidade de financiar investigação agrícola, especialmente nos países em desenvolvimento", diz Andrew Balmford, conservacionista na Universidade de Cambridge. A não ser que o mundo assista a uma segunda revolução verde, cerca de 1500 milhões de hectares mais serão necessários até 2050 para alimentar a população crescente.

A sorte, diz David Tilman, ecologista na Universidade do Minnesota em St Paul, é que muita da terra já convertida não está a produzir o máximo e há grande potencial para aumentar as colheitas nos países em vias de desenvolvimento. "Se queremos salvar a Terra, temos que alimentar o mundo e os países mais pobres têm que contribuir mais."

 

 

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