2010-06-13

Subject: Novo corpo científico das Nações Unidas vai monitorizar a biosfera

 

Novo corpo científico das Nações Unidas vai monitorizar a biosfera 

 

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@ NatureRepresentantes de cerca de 90 países reunidos em Busan, Coreia, esta semana, aprovaram a formação de uma nova entidade para monitorizar o estado ecológico do planeta e dos seus recursos naturais.

Baptizada Plataforma Intergovernamental de Política e Ciência sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), a nova entidade deverá reunir-se pela primeira vez em 2011 e irá operar de uma forma muito semelhante ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Em essência, isso significa que a IPBES se especializará na "revisão por pares da revisão por pares", diz Nick Nuttall, porta-voz do Programa Ambiental das Nações Unidas, que até agora tem sido o berço do nascimento da IPBES. Os seus organizadores esperam que os seus relatórios e publicações sejam aceites como sumários autoritários e isentos do estado da ciência.

Tal como o IPCC, não irá recomendar cursos de acção particulares. "Não seremos e não podemos ser nós a ditar as políticas", enfatizou Robert Watson, consultor científico chefe do Departamento do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido e vice-presidente do encontro de Busan. "Isso é crucial ou matará todo o processo."

De acordo com o documento aprovado a 11 de Junho, a IPBES irá conduzir avaliações periódicas da diversidade da vida na Terra e dos serviços fornecidos pelos seus ecossistemas, como água potável, peixe, caça, madeira e clima estável, que beneficiam a humanidade. Estas avaliações vão responder a questões sobre até que ponto a biodiversidade está em declínio e que implicações terão as extinções e as alterações aos ecossistemas para a humanidade. As avaliações serão feitas à escala global, regional e sub-regional.

A IPBES também intervirá no treino de cientistas ambientais nos países em desenvolvimento, através de um orçamento próprio a ser determinado e alertando financiadores sobre falhas nas perícias globais. A organização também terá que identificar necessidades de investigação e ferramentas úteis, como modelos, para os decisores que buscam a aplicação de uma abordagem científica a decisões sobre temas como a gestão da terra, por exemplo.

Em Busan, as negociações estenderam-se pela noite dentro, com os delegados a debater o âmbito da proposta IPBES, incluindo as especificidades da forma como será financiada. "Havia grande preocupação entre os países desenvolvidos sobre a possibilidade de se transformar numa burocracia infindável", diz Nuttall. "Os governos queriam garantias de que tudo seria agilizado."

Outro ponto de debate foi até que ponto a IPBES lidaria com questões emergentes ou áreas de ciência contestadas. Ficou acordado que chamará a atenção para "novos tópicos" na ciência dos ecossistemas e da biodiversidade. "Se já tivéssemos algo como esta entidade há mais tempo, os novos resultados sobre questões como a acidificação dos oceanos, zonas anóxicas e o impacto dos biocombustíveis sobre a biodiversidade já teriam sido entregues directamente aos decisores, em vez de chegarem à sua atenção por osmose", diz Nuttall.

 

Entre os governos que participaram na criação da IPBES encontram-se a União Europeia, os Estados Unidos e o Brasil. O plano será apresentado à assembleia geral das Nações Unidas em Setembro para aprovação oficial. Os envolvidos no processo dizem que a criação pelas Nações Unidas deste novo corpo científico é uma certeza.

Anne Larigauderie, directora-executiva da Diversitas, ficou jubilante com este resultado mas considerou que o acordo final tinha alguns aspectos desapontantes. Ela esperava que a IPBES aceite pedidos de informação não apenas dos governos e de convenções relacionadas com a biodiversidade, como a Convenção RAMSAR sobre as Zonas Húmidas, mas também de organizações ambientalistas, sociedades académicas e interesses económicos, como organizações agrícolas e comerciais. Pelo contrário, todos os pedidos à IPBES terão que passar por membros votantes, todos representantes de governos.

Larigauderie sugere que esta estrutura organizacional representa um esforço por parte dos governos para controlar informação potencialmente embaraçosa. "Estamos encalhados nos medos dos governos, para eles a informação científica representa sempre uma potencial ameaça."

Hugh Possingham, ecologista matemático na Universidade de Queensland, Austrália, especializou-se em ferramentas para a tomada de decisão usadas por governos e organizações conservacionistas. Ele diz que a IPBES terá que produzir previsões para ser útil. "Até que possamos fazer previsões para o futuro de medições significativas de biodiversidade em diferentes cenários de políticas, a biodiversidade nem sequer está em cima da mesa das decisões."

Watson diz que a IPBES irá realmente fazer previsões, visto que está encarregue de conduzir avaliações abrangentes.

Para Larigauderie, a IPBES tem o potencial de tornar o fragmentado campo da investigação sobre biodiversidade num empreendimento comum mais coordenado que levará a modelos mais preditivos das alterações na biodiversidade futura. 

 

 

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