2010-06-12

Subject: Efectivo de boto ameaçado cai para apenas 250

 

Efectivo de boto ameaçado cai para apenas 250 

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureNa extremidade norte do golfo da Califórnia, onde a península Baja se une ao resto do México, o mamífero marinho mais ameaçado do mundo está cada vez mais perto da extinção.

Com adultos apenas com 1,5 metros de comprimento, a vaquita Phocoena sinus, uma espécie de boto que se encontra apenas nestas águas, epitomiza o martírio dos pequenos cetáceos, que suportam o ataque da poluição, do tráfego marítimo e da pesca pois vivem em rios e em águas costeiras. Na China, o golfinho do Yangtze Lipotes vexillifer foi observado pela última vez em 2007 e está considerado extinto e a vaquita, vulnerável às redes usadas pelos pescadores locais, pode ser a próxima.

Com base nos dados recolhidos em 2008 durante um senso acústico, os investigadores estimam agora que restem apenas 250 indivíduos desta espécie, uma queda de 56% em apenas uma década. A descoberta foi apresentada esta semana num encontro científico da Comissão Internacional de Caça à Baleia em Agadir, Marrocos.

"Esta informação mostra que não temos muito tempo para salvar a vaquita", diz Timothy Ragen, director-executivo da Comissão de Mamíferos Marinhos de Bethesda, Maryland, que financiou, em parte, o senso.

Documentada pela primeira vez em 1958, a vaquita é uma espécie esquiva e pouco compreendida. Análises genéticas sugerem que os seus ancestrais eram botos do hemisfério sul que migraram para norte durante a última idade do gelo. Os indivíduos deslocam-se em pequenos grupos e raramente atraem atenção sobre si próprios saltando ou batendo na água.

Em 1997, Tim Gerrodette, biólogo marinho do Centro de Ciência de Pesca do Sudoeste em La Jolla, Califórnia, liderou o primeiro senso abrangente sobre a vaquita, estimando a sua população em 567 indivíduos. Uma década depois, outra análise, baseada em taxas de população de botos e em números de vaquitas capturadas por pescadores, sugeriu que esse número tinha caído para 150.

Temendo que a população destes botos pudesse estar a tornar-se demasiado reduzida para sobreviver, Lorenzo Rojas-Bracho, biólogo marinho do gabinete do Instituto Nacional de Ecologia de Ensenada, México, juntou-se a Gerrodette em 2008 para realizar uma nova análise de abundância. A equipa usou o navio de investigação David Starr Jordan, operado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) em Washington DC, em um pequeno barco à vela, o Vaquita Express, patrocinado pelo Centro Intercultural para o Estudo dos Desertos e Oceanos de Tucson, Arizona, para contar vaquitas.

Os navios percorreram transeptos coordenados a diferentes profundidades registando avistamentos, em alguns transeptos, rebocando hidrofones para captar os cliques de comunicação característicos dos botos. "Coordenar o percurso de um barco à vela dependente do vento com um navio motorizado foi complicado, mas conseguimos", diz Rojas-Bracho.

 

A equipa combinou a ocorrência dos cliques das vaquitas com a área total coberta para estimar a dimensão da população. Apesar dos resultados mostrarem um declínio vertiginoso nesses números desde 1997, as descobertas são um pouco melhores que a anterior previsão. "Estamos encorajados, não é tão mau como temíamos", diz Gerrodette. Ele e os seus colegas também ficaram encorajados pelo avistamento de várias vaquitas recém-nascidas. "Mas claramente o número não é uma boa notícia."

O desafio agora é proteger o grupo que ainda sobrevive. Em 2005, o México criou uma reserva e posteriormente uma proibição sobre as redes de arrasto na zona, que cobre perto de 2 mil quilómetros quadrados de águas perto de San Felipe, ao largo do norte da península da Baja Califórnia. As vaquitas facilmente ficam emaranhadas nestas redes e afogam-se.

Rojas-Bracho espera introduzir métodos alternativos de pesca que não dependam de redes. Ele e os seus colegas também tencionam colocar uma rede de 60 dispositivos acústicos no fundo do mar para detectar alterações populacionais com base na frequência e padrão dos seus cliques.

Mas devido ao potencial vandalismo por parte dos apoiantes da pesca, a localização destes hidrofones não pode ser assinalada com bóias flutuantes. Em vez disso, a equipa precisa de congeminar um sistema subaquático de localização e libertação dos hidrofones. Se for bem sucedido, o sistema pode servir de modelo para monitorizar outras espécies de cetáceos.

Um desafio mais imediato é expandir a área protegida. "Precisamos de ter todas as redes fora da água", diz Ragen. Mas uma proibição mais alargada será um desafio económico e político difícil, colocando a sobrevivência da vaquita contra o modo de vida dos pescadores locais. 

 

 

Saber mais:

Gripe suína coloca botos no limiar da extinção

Boto ameaçado pode estar em pior estado do que se pensava

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com