2010-06-03

Subject: Poluição sonora ameaça peixes

 

Poluição sonora ameaça peixes 

 

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@ BBC

Os peixes estão a ser ameaçados pela subida dos níveis de poluição sonora de origem humana, dizem os cientistas que analisaram o impacto sobre várias espécies de todo mundo de ruídos feitos por plataformas de extracção de gás e petróleo, navios e SONARes.

Em vez de viverem no silêncio que muitos julgam, a maioria dos peixes ouve bem e o som desempenha um papel activo nas suas vidas, dizem os investigadores. Por esse motivo, a subida dos níveis de ruído pode afectar severamente a distribuição dos peixes e a sua capacidade de reprodução, comunicação e de evitar predadores.

"As pessoas sempre assumiram que o mundo dos peixes era silencioso", diz o biólogo Hans Slabbekoorn, da Universidade de Leiden, Holanda, mas na última edição da revista Trends in Ecology and Evolution, ele e os seus colegas holandeses, alemães e americanos relatam que o ambiente subaquático é tudo menos silencioso.

Até agora, todos os peixes estudados são capazes de ouvir sons, seja através de um ouvido interno ou através da sua linha lateral, ainda que cada espécie tenha uma sensibilidade sonora diferente.

Por exemplo, o bacalhau do Atlântico tem uma capacidade auditiva "mediana", dizem os autores, enquanto os peixinhos-dourados de água doce são capazes de ouvir frequências mais elevadas.

Geralmente os peixes ouvem melhor no intervalo 30 a 1000Hz, apesar de espécies com adaptações especiais sejam capazes de detectar sons até aos 3000 a 5000Hz. Algumas espécies excepcionais são sensíveis aos ultra-sons, enquanto outras, como a enguia europeia, uma espécie de água doce que desova no mar, que é sensível aos infra-sons.

Tudo isso significa que o ruído subaquático gerado pelo Homem tem o potencial de afectar os peixes, da mesma forma que o barulho do trânsito afecta os animais terrestres, como as aves, dizem os cientistas. "O nível e a distribuição do ruído subaquático está em crescendo à escala global mas recebe muito pouca atenção", diz Slabbekoorn.

 

Até à data, a maioria das pesquisas tem-se focado no impacto que o som poderá ter nos mamíferos marinhos, como as baleias e os golfinhos, mas a poluição sonora pode afectar severamente a distribuição dos peixes e a sua capacidade para se reproduzir, comunicar e evitar predadores. Por exemplo, alguns estudos relatam que o arenque, o bacalhau e o atum do Atlântico fogem dos sons e formam cardumes menos coerentes em ambientes ruidosos.

A poluição sonora pode ter um impacto significativo também na comunicação entre os peixes: até agora, mais de 800 espécies de peixes de 109 famílias produzem sons, geralmente sinais de banda larga com menos de 500Hz. Os peixes produzem sons quando lutam pelo território, competem por alimento, em agregados em desova e quando sofrem ataques de predadores.

Já este ano, Slabbekoorn publicou um relatório na revista Behavioral Ecology que sugeria que os ciclídeos do lago Vitória produzem sons característicos de cada espécie que também têm uma relação com a dimensão do peixe. Estes sons desempenham um papel essencial no acasalamento e na selecção sexual entre os ciclídeos do lago.

Por isso, para além de afectar a distribuição dos peixes, significa que a poluição sonora pode interromper a sua reprodução, causando stress ou restringindo a sua capacidade de encontrar parceiros ou mantendo-os afastados dos seus locais de desova preferidos. Também pode impedir que os peixes se oiçam e possam comunicar de forma eficaz e afectar a sua capacidade de detectar presas ruidosas ou a chegada de predadores.

A poluição sonora pode não ser uma ameaça tão grande para os peixes como outro tipo de pressão ambiental, concedem os autores do estudo. "A pesca, por exemplo, deverá ser muito mais devastadora", diz Slabbekoorn. "No entanto, nenhuma das ameaças pode ser considerada isoladamente, qualquer consequência negativa do ruído antropogénico virá somar-se ao impacto das pescas e em conjunto pode levar a situações críticas para algumas espécies. O fenómeno está escondido pelo facto de os sons subaquáticos serem difíceis de ouvir pelas pessoas que vivem ao ar." 

 

 

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