2010-06-02

Subject: Acupunctura para ratos

 

Acupunctura para ratos 

 

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@ NatureHá muito denegrida pela comunidade médica, a acupunctura parece ter-se tornado um pouco menos alternativa.

Apesar das evidências anedóticas alegando benefícios no tratamento de maleitas tão variadas como alergias ou dores, a acupunctura enfrenta dois grandes desafios para ser aceite pela comunidade médica tradicional.

Muitas análises de testes clínicos concluíram que não há evidências da sua eficácia para a maioria das situações para além do efeito placebo e não há mecanismo cientificamente aceite que explique a forma como o tratamento actua.

Mas investigações realizadas com ratos vieram agora fornecer uma explicação bioquímica que alguns peritos consideraram mais persuasiva, ainda que possa ser responsável por apenas alguns dos efeitos supostamente benéficos do tratamento. "O nosso estudo mostra que há um mecanismo biológico claro por trás da acupunctura", diz Maiken Nedergaard, neurocientista na Universidade de Rochester em Nova Iorque, que liderou a investigação.

A equipa de Nedergaard quis descobrir se o neuromodelador adenosina, produzido quando tecidos são danificados e que se sabe ter efeitos no amortecimento da dor, estava envolvido nos efeitos de alívio da dor atribuídos à acupunctura. Depois de induzir dor na pata traseira direita dos seus ratos, os investigadores inseriram e rodaram uma agulha de acupunctura logo abaixo do joelho, um local conhecido em humanos como o ponto Zusanli. 

Durante cerca de uma hora após o tratamento os ratos levaram mais tempo a reagir ao toque ou ao calor nas patas traseiras, indicando que a dor tinha sido amortecida. A equipa descobriu que os níveis de adenosina tinham aumentado no local da acupunctura e que os ratos que não tinham um receptor celular chave para a adenosina não mostravam a mesma resposta.

"Uma coisa realmente boa sobre tudo isto é que abordam esta questão com uma hipótese específica e firme", diz Vitaly Napadow, neurocientista que estuda acupunctura na Escola Médica de Harvard em Boston, Massachusetts. Apesar de céptico sobre se este mecanismo pode explicar, por exemplo, a forma como a acupunctura pode aliviar as dores de cabeça, ele diz que "em condições como no síndroma do túnel cárpico, um mecanismo como o descrito neste artigo pode ser muito importante".

 

Dominik Irnich, chefe do Centro Multidisciplinar de Dor da Universidade de Munique e médico utilizador de acupunctura, salienta que outros estudos tinham proposto mecanismos como a libertação de endorfinas ou de outro tipo de neurotransmissores mas Nedergaard diz que estes actuariam em todo o sistema nervoso, e o seu estudo não revelou efeito quando a acupunctura era aplicada às patas esquerdas dos roedores, que não tinham dores, sugerindo que não existe esse mecanismo central.

Edzard Ernst, que estuda a eficácia das terapias alternativas na Escola Médica Peninsula em Exeter, diz que o mecanismo é credível mas que o trabalho não esclarece se a acupunctura é um tratamento eficaz. "Se o efeito clínico não vai para além de um placebo, o que a maioria dos testes clínicos bem controlados parece sugerir, o mecanismo é irrelevante e o verdadeiro mecanismo é placebo", diz ele.

Jana Sawynok, farmacologista que estuda os efeitos na modulação da dor da adenosina na Universidade Dalhousie em Halifax, Canadá, salienta que a cafeína bloqueia o receptor de adenosina identificado neste estudo. Dado que a ingestão de cafeína em muitos dos países onde os testes com acupunctura foram realizados, esse facto pode ser um ponto de confusão importante nos testes, sugere ela.

Nedergaard diz que o seu trabalho pode abrir caminho a tornar a acupunctura mais eficaz. O seu estudo também tratou os ratos com um medicamento chamado deoxicoformicina, que suprime a degradação da adenosina e está aprovado nos Estados Unidos para o tratamento de alguns tipos de leucemia. O medicamento prolongou o efeito de alivio de dor em mais de uma hora. Ela está a tentar organizar um teste desta estratégia em humanos. 

 

 

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