2010-05-31

Subject: Chave para perturbação psicológica reside no sistema imunitário

 

Chave para perturbação psicológica reside no sistema imunitário

 

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@ NatureUm tipo de célula conhecido por proteger o cérebro contra infecções pode estar envolvido numa forma de perturbação psicológica, revela um novo estudo. 

Mais interessante ainda, restaurar as populações normais dessas células através de transplantes cura o comportamento anormal em ratos.

As células da micróglia são células imunitárias muito ramificadas que se deslocam constantemente enquanto removem do cérebro resíduos e agentes patogénicos.

Investigadores vieram agora demonstrar que um defeito genético que reduz o número destas células leva a que ratos se limpem de forma obsessiva. O comportamento é semelhante ao observado em humanos, conhecido por tricotilomania, uma perturbação obsessiva-compulsiva que leva as pessoas a arrancarem o cabelo. "Nunca se tinha feito uma associação entre a micróglia e o comportamento", diz Mário Capecchi, da Universidade do Utah em Salt Lake City, cuja equipa publicou as suas descobertas na última edição da revista Cell.

Os cientistas tinham sempre presumido que o comportamento anormal derivava de funções neurais ou desenvolvimento cerebral incorrectos, diz Christopher Pittenger, que estuda a base neural de doenças psiquiátricas na Universidade de Yale em Haven, Connecticut. "Descobrir que tinha a ver com a micróglia é uma enorme surpresa", diz Pittenger, que não esteve envolvido no estudo.

As mutações num gene que regula a formação das células sanguíneas leva os ratos a passar o dobro do tempo habitual a tratar do pelo, o que provoca a formação de peladas e ferimentos profundos. O gene, chamado Hoxb8, pertence a uma família de genes que estabelece o plano corporal no embrião em desenvolvimento e regula a formação de órgãos e tecidos.

Capecchi e a sua equipa descobriram que o gene Hoxb8 se expressava no cérebro mas apenas na micróglia. Mais ainda, animais com mutações no Hoxb8 tinham menos micróglia que os ratos normais. Os investigadores localizaram a origem da micróglia na medula óssea e o gene expressava-se nas células estaminais da medula óssea, originando muitos tipos diferentes de células sanguíneas, incluindo a que se pode tornar a micróglia do cérebro.

Os investigadores descobriram que a maioria dos animais com mutações no gene Hoxb8 que recebiam transplantes de medula óssea saudável paravam com o tratamento excessivo do pelo no espaço de quatro meses. 

 

@ NatureO pelo voltava a crescer, preenchendo as peladas e as feridas saravam. Pelo contrário, uma fracção dos ratos normais que recebiam medula óssea transplantada a partir de animais mutantes Hoxb8 começavam a tratar mais tempo do pelo do que era habitual e surgiam as peladas. "É uma alteração de paradigma que possamos transplantar uma compulsão para um animal normal", diz Frank Burton, neurobiólogo da Universidade do Minnesota, Twin Cities.

Muitas perturbações psiquiátricas têm sido associadas com respostas imunitárias anormais mas este estudo é único porque mostra uma ligação causal directa, diz Capecchi. Ele especula que micróglia alterada pode levar ao tratamento excessivo do pelo através do seu efeito na actividade neural mas o estudo não elimina o papel de outras células imunitárias ou de vasos sanguíneos.

Também é questionável ser o rato como organismo modelo replica as características das perturbações obsessivas-compulsivas em humanos. Os investigadores não realizaram as experiências cruciais para mostrar que o comportamento está relacionado com ansiedade, diz Francis Lee, da Weill Cornell Medical College de Nova Iorque, cuja equipa relatou no mês passado um outro modelo rato de comportamento obsessivo-compulsivo. A equipa de Capecchi também deverá testar se os tratamentos químicos para as perturbações obsessivas-compulsivas aliviam os sintomas nos seus modelos rato, diz ele.

Apesar de não ser claro de que forma a disfunção no sistema imunitário levar a alterações nos circuitos neurais nas perturbações psiquiátricas, os cientistas fornecem um modelo valioso para a exploração destas questões, diz Pittenger. "Não me parece que estes ratos tenham perturbações obsessivas-compulsivas mas acho-os fascinantes e importantes, podendo, em última análise, lançar alguma luz sobre estas perturbações e outras doenças."

 

 

Saber mais:

Mario Capecchi

Christopher Pittenger

Francis Lee

 

 

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