2010-05-29

Subject: Ursos polares enfrentam ponto de viragem devido a alterações climáticas

 

Ursos polares enfrentam ponto de viragem devido a alterações climáticas 

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Male polar bear spotted by helicopter tracking a female (picture courtesy of A E Derocher, University of Alberta)

As alterações climáticas vão desencadear um declínio dramático e repentino no número de ursos polares, concluiu um novo estudo. A pesquisa é a primeira a modelar directamente a forma como as alterações climáticas vão afectar a reprodução e sobrevivência dos ursos polares.

Com base no que se sabe sobre a fisiologia, comportamento e ecologia dos ursos polares, o estudo prevê que as taxas de gravidez caiam no Outono e que menos ursos sobrevivam ao jejum resultante das longas estações livres de gelo. Estas alterações ocorrerão rapidamente, à medida que os ursos ultrapassem esse ponto de viragem.

Até agora, a maioria dos estudos que mediam a sobrevivência dos ursos polares dependiam de um método chamado "marcação e recaptura", que envolve capturar repetidamente ursos de uma população ao longo dos anos, tornando-o dispendioso e demorado.

Por esse motivo, a informação que os cientistas têm recolhido sobre os ursos varia grandemente: por exemplo, os dados abrangem quatro décadas das populações melhor estudadas na baia de Hudson ocidental e do sul do mar de Beaufort mas praticamente não se sabe nada sobre algumas zonas da Rússia. Ainda mais difícil é avaliar de que forma a sobrevivência e a reprodução poderão mudar sob as condições climáticas futuras.

"Espera-se que algumas populações se extingam com as alterações climáticas, enquanto outras persistam apesar de uma redução do seu efectivo", diz Peter Molnar, da Universidade de Alberta, Edmonton, Canadá. No entanto, estas projecções são basicamente deduções feitas com base na extrapolação das tendências populacionais actuais e sua continuação com as alterações climáticas. 

Molnar, Andrew Derocher e os seus colegas da Universidade de Alberta e de York em Toronto, focaram-se na fisiologia, comportamento e ecologia dos ursos polares e na forma como estes se poderiam alterar com a subida das temperaturas. "Desenvolvemos um modelo para a ecologia do acasalamento dos ursos polares que estima quantas fêmeas de uma população serão capazes de encontrar parceiro na época apropriada e ficar grávidas."

Os machos de ursos polares encontram as fêmeas vagueando pelo gelo, farejando as pegadas de outros ursos. Se as pegadas forem de uma fêmea  no cio, os machos seguem-nas. Os investigadores modelaram a forma como este comportamento se irá alterar com a subida da temperatura a fragmentar o gelo marinho.

 

O modelo também incluiu a sobrevivência dos ursos. As populações de ursos polares jejuam no Verão, forçadas a ir para terra com o degelo marinho. Com o aumento da duração destas estações menos ursos conseguirão ganhar gordura e proteínas suficientes para sobreviver ao jejum.

Ao desenvolver um modelo fisiológico que estima a velocidade a que um urso utiliza a gordura e proteínas armazenadas, os investigadores podem estimar o tempo que um urso leva a morrer de fome. "Em ambos os casos, as alterações esperadas na reprodução e sobrevivência não foram lineares", explica Molnar. "À medida que o clima aquece, podemos não observar efeitos substanciais na reprodução e sobrevivência dos ursos durante algum tempo, até que se atinja um limiar, em que essas variáveis entrarão em declínio dramática e rapidamente."

A Acta das Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos lista os ursos polares como ameaçados e a última avaliação do seu estatuto de conservação incluía os dois únicos estudos prévios para avaliar o impacto das alterações climáticas mas usando as extrapolações das tendências populacionais e não modelos da ecologia dos animais.

O novo estudo dá uma nova forma de melhorar estas predições e sugere o potencial para declínios ainda mais rápidos do que os encontrados pelas avaliações americanas.

"O Canadá tem cerca de dois terços da população mundial de ursos polares mas a sua avaliação do estatuto de conservação da espécie não leva as alterações climáticas a sério", diz Molnar, uma falha salientada pelo Grupo de Especialistas em Ursos Polares do IUCN/SSC. "A nossa opinião é que a avaliação canadiana deve ser refeita tendo isso em conta." 

"Eventualmente a mortalidade vai aumentar dramaticamente quando um certo patamar for ultrapassado, por exemplo, enquanto a mortalidade devida à fome é actualmente negligenciável, até 50% da população de machos morrerá de fome na baia de Hudson com o aumento dos actuais quatro para seis meses livres de gelo."

 

 

Saber mais:

Predicting survival, reproduction and abundance of polar bears under climate change - Biological Conservation

Peter Molnar

Andrew Derocher

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com