2010-05-25

Subject: Ratos de reprodução rápida dominaram mundo em aquecimento

 

Ratos de reprodução rápida dominaram mundo em aquecimento 

 

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@ NatureO período de aquecimento global associado à extinção de animais gigantes como o mamute lanudo também deixou a sua marca nos animais de menor porte que sobreviveram ao evento.

Os adaptáveis ratos-veadeiros dominaram as pequenas comunidades peludas do norte da Califórnia à medida que o clima aqueceu no final da última idade do gelo, há cerca de 11700 anos, revela uma escavação dos seus ninhos. No total, o número de espécies de pequenos mamíferos na área reduziu-se em cerca de um terço, diz Jessica Blois, actualmente na Universidade do Wisconsin, Madison.

O estudo, publicado na revista Nature, enfatiza que concentrarmo-nos apenas nas extinções das espécies mais apelativas não captura o impacto total das alterações climáticas na biodiversidade. "Se nos focarmos apenas na extinção, não estamos a ver a história toda", diz Blois. O trabalho também sugere que as espécies adaptáveis e de reprodução rápida, como o rato-veadeiro, podem beneficiar do aquecimento futuro.

O final do Pleistoceno é famoso pela extinção da sua megafauna e os investigadores andam em buscas dos seus vestígios pelo menos há um século. Um dos muitos locais onde isso tem sido possível é a caverna Samwell na bacia de drenagem do condado de Shasta, Califórnia, o local do presente estudo.

A equipa de Blois, no entanto, procurou evidências da diversidade dos organismos mais pequenos. "Estamos principalmente interessados nos pequenos mamíferos que sobreviveram à extinção." Os investigadores estudaram ninhos fossilizados de ratos preservados nas cavernas. Os ratos recolhem detritos e peles, entre outras coisas, dos pequenos ossos de mamíferos, que carnívoros como as águias, corujas e raposas defecaram ou regurgitaram. "Basta encontrar o ninho e os animais já fizeram todo o trabalho por nós", diz Blois. "Os carnívoros recolhem amostras e os ratos recolhem os animais mortos e digeridos."

Analisando os resíduos biológicos, os autores encontraram vastas evidências das alterações na diversidade de espécies de há milhares de anos. Mediram esta biodiversidade de duas formas: pela riqueza, o número de espécies diferentes presentes e dominância relativa de uma dada espécie sobre outras.

As comunidades do Pleistoceno tinham menos espécies consideradas raras, logo havia muito menos dominância relativa do que actualmente mas a equipa de Blois descobriu que a riqueza no norte da Califórnia se reduziu em 32%. Em parte isso deveu-se ao desaparecimento de duas espécies: a marmota Mazama e o castor de montanha, que se deslocaram para climas mais frios. A partir de dados genéticos e da morfologia dos dentes, Blois deduziu que a marmota Mazama tinha sido a espécie de marmota dominante no passado mas houve uma grande alteração no final da era e há cerca de 6 mil anos a marmota de Botta era a única espécie na região, situação que ainda se mantém.

 

Entretanto, o número de espécies nativas de ratos-veadeiros Peromyscus nos depósitos fósseis praticamente duplicaram no intervalo entre 16 e 13 mil anos, contribuindo para uma queda de 26% na dominância relativa. Como os ratos Peromyscus são generalistas em relação ao habitat com altas taxas reprodutoras e ampla tolerância climática, Blois especula que estes ratos conseguiram lidar melhor com as perturbações.

Para associar estas alterações na diversidade com o clima, os autores compararam os seus dados sobre os pequenos mamíferos com os números globais sobre os isótopos de oxigénio. Descobriram que o declínio da riqueza e da dominância relativa estavam fortemente correlacionadas com o aquecimento global, fornecendo "a associação inequívoca entre as alterações climáticas e a diminuição da biodiversidade", segundo David Nogués-Bravo, do Centro de Macroecologia, Evolução e Clima na Universidade de Copenhaga.

No mês passado, Nogués-Bravo publicou um artigo sobre previsores climáticos de extinções, mostrando que, em geral, continentes com maiores magnitudes de alterações climáticas sofreram mais extinções. O estudo de Blois é regional e analisa alterações nas espécies sobreviventes mas Nogués-Bravo diz que ambos apontam para que as alterações climáticas durante o Pleistoceno foram o principal motor das alterações de diversidade.

Trabalhos anteriores sobre plantas e microrganismos mostraram que comunidades mais ricas e com menos dominâncias relativas recuperam mais rapidamente das perturbações. "Os declínios de diversidade do passado significam que as comunidades de mamíferos que temos à nossa volta hoje podem já estar em desvantagem em termos de resistência às alterações climáticas e outros impactos humanos", diz Blois.

Projecções climáticas futuras mostram uma Califórnia mais quente e possivelmente mais seca, o que pode significar mais um impulso para o número de ratos mas alguns habitats serão perdidos, levando com eles outros pequenos mamíferos e as funções ecológicas que servem. As marmotas, por exemplo, são engenheiras ambientais, misturando e arejando o solo e fazendo a circulação de nutrientes entre a superfície e o solo à medida que cavam as suas tocas. "Os ratos não são capazes de desempenhar estas funções", diz Blois. "Não há nenhum super-animal na comunidade que desempenhe todas estas funções."

 

 

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