2010-05-24

Subject: A origem antiga da versão símia do HIV

 

A origem antiga da versão símia do HIV

 

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@ NatureO vírus semelhante ao HIV que infecta os macacos tem pelo menos 100 mil, se não forem milhões, de anos, relataram os cientistas no encontro da Academia de Ciências de Nova Iorque.

A vasta longevidade do vírus dos símios, que não causa doença na maioria dos seus hospedeiros, sugere que pode passar ainda muito tempo até que o HIV se torne igualmente benigno nos humanos.

"Não esperem que a evolução humana se desenrole num intervalo de tempo que seja útil para nós", disse Michael Worobey, biólogo evolutivo na Universidade do Arizona em Tucson, aos presentes no encontro. "Não vamos desenvolver adaptações que mitiguem o impacto deste vírus numa escala de tempo aceitável, por isso precisamos de outras soluções."

A maioria dos investigadores concorda que a pandemia da estirpe de HIV que actualmente infecta mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo teve início na África central há cerca de 100 anos, quando os caçadores contraíram o vírus através de carne selvagem contaminada, mas a idade do ancestral primata do HIV, o vírus da imunodeficiência símia (SIV), permanece acaloradamente debatida. 

Usando sequências de DNA retiradas de estirpes de SIV, alguns investigadores estimaram que o vírus teria alguns milhares de anos de idade, enquanto outros sugerem que o vírus data de há apenas algumas centenas de anos.

No entanto, estas projecções assumem que a sequência de DNA do SIV muta à mesma taxa que o HIV moderno, o que muitos consideram ser muito mais rápido do que as taxas históricas de alteração. Por esse motivo, alguns investigadores procuraram outras linhas de evidência.

Um vírus aparentado descoberto embebido no genoma de lémures de Madagáscar aponta para uma escala de tempo de milhões de anos e ainda que os chimpanzés infectados com o SIV permaneçam susceptíveis à doença, outros macacos selvagens coexistem com o vírus há mais tempo, incluindo os mangabéis e os macacos-verdes, parecendo tem desenvolvido imunidade total e implicando um período extenso de coevolução.

Para descobrir a idade exacta do SIV, Worobey juntou-se a Preston Marx, virologista na Universidade Tulane em Nova Orleães, que, desde 2001, tem vindo a analisar vírus em carne selvagem de macacos capturados em Bioko, uma ilha 32 Km ao largo da costa oeste dos Camarões.

 

Marx e os seus colegas descobriram novas estirpes do vírus em três espécies de macacos que nunca tinha sido relatado terem estado expostas ao SIV, incluindo o Cercopithecus erythrotis e o mandril Mandrillus leucophaeus, parente próximo dos babuínos.

Worobey comparou as sequências de DNA retiradas de estirpes de SIV que infectavam mandris de Bioko e do continente. Ele sabia a partir de registos geológicos que a ilha se tinha separado da África continental há cerca de 12 mil anos, logo assumindo que as estirpes tinham tido pelo menos esses 12 mil anos para divergir, determinou que a taxa de mutação do SIV é muito inferior ao que inicialmente se pensava. 

Usando esta abordagem, ele sugeriu que os primeiros cálculos com base nas sequências de DNA estavam erradas e estimou que o vírus SIV deve ter, pelo menos, 100 mil anos de idade.

"São evidências convincentes e ortogonais de que o SIV é muito mais antigo do que antes se pensava", diz Sarah Schlesinger, imunologista celular da Universidade Rockefeller em Nova Iorque, que co-organizou o encontro de Nova Iorque.

Usar os dados biogeográficos de Bioko "é certamente uma óptima forma de abordar a questão", diz Paul Sharp, biólogo evolutivo na Universidade de Edimburgo, que estudo o HIV. "Mas apenas nos estabelece uma idade mínima, não nos diz a idade exacta." Sharp, que não esteve envolvido neste estudo, diz que o SIV deve estar mais próximo de ter cinco milhões de anos de idade.

Independentemente da idade exacta, Beatrice Hahn, investigadora do HIV na Universidade do Alabama em Birmingham, diz que o estudo demonstra que provavelmente terá levado muito tempo antes de o SIV se ter tornado inofensivo na maior parte dos macacos. Por isso, as pessoas não devem confiar apenas na evolução para combater o HIV. "Será que os humanos eventualmente fiquem como os macacos e aprendam a lidar com esta ameaça? Talvez. Quero ficar à espera disso acontecer? Não."

 

 

Saber mais:

Michael Worobey

Preston Marx

 

 

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