2010-05-22

Subject: População de atum do Pacífico pode colapsar a qualquer momento

 

População de atum do Pacífico pode colapsar a qualquer momento 

 

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@ NatureOs números de atum do Pacífico podem estar prestes a seguir o caminho dos seus primos do Atlântico.

A população do Pacífico era considerada o último baluarte deste peixe fortemente ameaçado mas os relatórios oficiais sobre a dimensão do stock tem ignorado as alterações nas práticas pesqueiras que podem significar um caminho para o colapso.

Nos oceanos Atlântico e Mediterrâneo a pesca levou as populações de atum a cair abaixo dos 15% dos seus níveis históricos mas, mesmo assim, uma tentativa já este ano para proibir o seu comércio não obteve aprovação internacional no encontro de Março da Convenção Internacional do Comércio de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens.

Pelo contrário, as populações do atum do Pacífico Thunnus orientalis pensava-se que estivessem estáveis, com peixes jovens a amadurecerem todos os anos suficientes para substituir os capturados. Em Julho de 2009, um grupo de trabalho do Comité Científico Internacional para o Atum e os Tunídeos do Pacífico Norte (ISC) concluiu que o recrutamento de juvenis para a população "não parece ter sido afectado negativamente pela relativamente alta taxa de exploração".

Mas o grupo de trabalho admitiu que a falta de dados significa que o recrutamento ocorrido desde 2005 é altamente incerto e a crença de que o stock é estável se baseie no pressuposto falso de que as práticas pesqueiras não se alteraram, diz Toshio Katsukawa, perito em pescas da Universidade Mie em Tsu, Japão. Pelas suas conversas com os pescadores Katsukawa está especialmente preocupado com a possibilidade de os barcos terem começado, nos últimos anos, a ter como alvo os locais de desova do atum.

Esta táctica aumenta as capturas ao mesmo tempo que dá a ideia de que o stock é maior mas altamente danosa para a capacidade de reprodução do peixe. "Se as coisas continuarem desta forma, as populações do Pacífico serão as primeiras a colapsar [antes do stock do Atlântico]", diz Katsukawa.

A alteração das práticas pesqueiras vem de braço dado com o crescimento do mercado para o atum juvenil, diz Chien-Chung Hsu, biólogo pesqueiro da Universidade Nacional de Taiwan em Taipei. Juvenis com 10 a 15 centímetro atingem US$100 por unidade nos mercados japoneses, diz ele. Pelo contrário, os adultos atingem $100 mil ou mais e Katsukawa salienta que os pescadores podem ter mais lucro esperando que os peixes atinjam a fase adulta. No global, mais de 70% do atum do Pacífico é capturado por pescadores japoneses, onde o peixe é muito apreciado para sushi.

 

Dados do ISC mostram que mais de 70% do atum do Pacífico capturado actualmente tem menos de um ano de idade, comparado com cerca de 60% na década de 60, apesar de Katsukawa acreditar que mesmo este aumento está subestimado. Mais de 90% das capturas terá menos de dois anos de idade: "O aumento das capturas de juvenis está a aumentar o risco do colapso da população", diz Hsu. "A população está em queda em todas as classes etárias e observamos problemas sérios se não forem implementadas medidas de gestão imediatamente."

Respondendo às preocupações sobre a saúde do stock, a Agência de Pescas japonesa delineou na semana passada novas medidas para seguir e gerir as populações de atum. Especificam limites sobre o peso de peixe que cada embarcação pode capturar, restrições para os grandes navios que utilizam redes circulares e que são responsáveis pela maioria das capturas de atum, bem como novas exigências sobre a forma como outras embarcações relatam as suas capturas. Os aquacultores, que recolhem um crescente mas desconhecido número de juvenis para os criarem em cativeiro, serão obrigados a registar e relatar as suas actividades. A agência planeia implementar as restrições até Abril de 2011.

Katsukawa diz que as novas medidas, "se aplicadas de forma eficaz", podem ter um impacto importante mas teme que sejam implementadas demasiado lentamente, conduzindo a uma queda irreparável. "Pode acontecer subitamente e não o notaremos até ser tarde demais."

 

 

Saber mais:

International Scientific Committee for Tuna and Tuna-Like Species in the North Pacific Ocean (ISC)

National Research Institute of Far Seas Fisheries

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