2010-05-17

Subject: Todas as espécies actuais tiveram origem numa única célula

 

Todas as espécies actuais tiveram origem numa única célula

 

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@ NatGeo

Toda a vida na Terra evoluiu a partir de um único organismo unicelular que viveu há cerca de 3,5 mil milhões de anos, confirma um novo estudo agora revelado. O estudo apoia a teoria largamente aceite do ancestral comum universal, primeiro proposta por Charles há mais de 150 anos.

Usando modelos de computador e métodos estatísticos, o bioquímico Douglas Theobald calculou a probabilidade de todas as espécies dos três domínios da vida terem evoluído a partir de um ancestral comum, por oposição, digamos, a descenderem de vários tipos de formas de vida ou terem surgido iguais à sua forma actual, ao estilo Adão e Eva.

Os três domínios da vida dividem-se em bactérias, arqueobactérias e eucariontes, no último dos quais se incluem todas as espécies multicelulares, nomeadamente o Homem.

A "hipótese de ancestralidade múltipla que melhor compete com a do ancestral comum universal" considera que uma espécie terá dado origem às bactérias e outra terá originado as arqueobactérias e os eucariontes, diz Theobald, que trabalha na Universidade de Brandeis em Waltham, Massachusetts.

Mas, com base nesta nova análise, as probabilidades de esse ter sido o caso "simplesmente astronómicas", continua ele. "O número é tão grande que é uma parvoíce considerá-lo, estamos a falar de 1 em 10 elevado a 2680, ou seja, 1 seguido de 2680 zeros."

Theobald também testou a ideia criacionista de que os humanos surgiram na sua forma actual e não têm ancestrais evolutivos e a análise estatística mostrou que a origem independente do Homem é "uma hipótese absolutamente horrível". Theobald acrescenta que a probabilidade de os humanos terem sido criados separadamente de todas as restantes formas de vida é de 1 em 10 elevado a 6000.

Todas as espécies nos três domínios partilham 23 proteínas universais, embora as sequências de DNA que as codificam diferirem ligeiramente nos diversos domínios. Essas proteínas universais desempenham actividades celulares fundamentais, como a replicação do DNA e a sua tradução para proteínas, sendo cruciais para a sobrevivência de todas as formas de vida, do microrganismo menor às baleias azuis.

 

Geralmente assume-se que a existência do ancestral comum universal  universal é a razão da semelhança nas 23 proteínas, explica Theobald. Como a proteína original era igual para todos os organismos, um número relativamente pequeno de mutações seria necessário para se chegar às proteínas modernas. Se todas as formas de vida actuais tivessem surgido de diferentes espécies, cada qual com um conjunto de proteínas diferente, seriam necessárias muito mais mutações.

Mas Theobald esperava ir para além da sabedoria convencional.

"O que queria fazer não era partir do pressuposto que características semelhantes implicavam uma ancestralidade comum, porque sabemos que isso nem sempre é verdade. Podemos, por exemplo, ter semelhanças devidas a selecção natural, a forças ambientais como predadores ou clima, resultando em que certas mutações são mantidas, como o surgimento de garras ou pêlo mais espesso."

Os biólogos chamam a este desenvolvimento de características semelhantes de forma independente evolução convergente e as asas de morcegos, aves e insectos são exemplos clássicos: desempenham funções semelhantes mas evoluíram de forma independente. 

No entanto, é altamente improvável que os grupos de proteínas tenham evoluído de forma independente com sequências de DNA tão semelhantes, refere o novo estudo, que será publicado na revista Nature.

"Perguntei-me a mim próprio qual é a probabilidade de ver a sequência da proteína DNA-polimerase humana praticamente igual à da DNA-polimerase de E. coli?", explica ele. "Afinal a probabilidade é muito mais elevada se considerarmos a hipótese de que o Homem e a E. coli são aparentados."

David Penny, biólogo evolutivo na Universidade de Massey, Nova Zelândia, apelidou a abrangência do estudo de Theobald de "arrojada". Ele fez parte de um estudo semelhante mas mais restrito na década de 80. Analisou proteínas partilhadas por diferentes espécies de mamíferos e concluiu que todas teriam descendido de um ancestral comum.

Testar a teoria do ancestral comum universal é importante porque os biólogos devem permanentemente questionar os seus pilares fundamentais, tal como o fazem cientistas de outras áreas, diz Penny, que não fez parte deste novo estudo. "A evolução não deve ter nenhum estatuto privilegiado."

 

 

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