2010-05-16

Subject: Medicina popular ameaça canídeos selvagens

 

Medicina popular ameaça canídeos selvagens 

 

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@ BBC

De acordo com uma análise científica, 19 das 35 espécies conhecidas de canídeos selvagens ainda são utilizadas na medicina tradicional de todo o mundo: por exemplo, partes de lobo são comidas como tratamento da varicela e chacais são utilizados para tratar epilepsia e asma.

As consequências deste tipo de comércio pode colocar uma pressão acrescida em muitas das cada vez mais reduzidas populações de canídeos. Detalhes desta análise foram publicadas na revista Biodiversity and Conservation.

O relatório foi produzido pelos mesmos investigadores que já no início deste ano publicou uma análise mostrando que mais de 100 espécies de primatas continuam a ser usadas em medicinas tradicionais e em rituais religiosos.

Para conduzir a última análise, Rómulo Alves, da Universidade Estadual de Paraíba no Brasil, investigou na literatura científica e outras fontes em busca de referências a remédios tradicionais que utilizassem partes de canídeos.

Usando apenas as fontes que consideraram autoritárias no tema, criaram uma base de dados contendo os detalhes sobre quais as espécies usadas para tratar certas doenças em diferentes países.

Das 35 espécies conhecidas de canídeos, as evidências sugerem que 19 continuam a ser utilizadas em medicinas tradicionais, sugerem os investigadores. 

Dessas, cinco espécies pertencem ao género Canis, incluindo o lobo Canis lupus, o chacal listrado C. adustus, o chacal dourado C. aureus, o coiote C. latrans e o chacal negro C. mesomelas. Três espécies pertencem ao género Vulpes, a que pertencem as raposas verdadeiras, como a raposa vermelha Vulpes vulpes, a raposa do Cabo V. chama e a raposa pálida V. pallida. Três espécies que vivem na América do Sul pertencem ao género Lycalopex, incluindo o culpeo L. culpaeus, a raposa das Pampas L. gymnocerus e a raposa Sechuran L. sechurae.

 

A equipa de Alves encontrou evidências de que os canídeos são usados no tratamento de pelo menos 28 doenças, incluindo asma, artrite, dores nas costas, bronquite, varicela, eczema, epilepsia, gripe, doenças dos rins, sarampo e papeira, bem como problemas de estômago, mordedura de cobra e verrugas.

As partes de algumas espécies de canídeos selvagens são mesmo usadas em contextos sociais e não em médicos: na Bolívia, por exemplo, os investigadores dizem que os vaqueiros acreditam que sentar-se sobre a pele de um lobo-de-crina os protege da má sorte.

Há muito que o Homem tem uma longa associação com os canídeos selvagens, salientam os investigadores, tanto tirando partido dos seus talentos como olhando-os como adversários que deve ser caçados e mortos ou usando-os na medicina tradicional.

Manuscritos medievais do Azerbaijão, por exemplo, revelam que lobos, raposas e chacais já eram utilizados medicinalmente na época e também há registo de raposas vermelhas a ser usadas para tratar dores de ouvidos desde o início do século X.

No entanto, actualmente muitas das espécies de canídeos selvagens estão sob ameaça pois os seus habitats estão cada vez mais restritos e destruídos. Das 19 espécies citadas na análise, duas estão classificadas como ameaçadas e três como quase ameaçadas, enquanto o comércio de pelo menos 10 delas deve ser restringido pela legislação CITES.

Os canídeos selvagens são por vezes mis capazes de recuperar de declínios quase fatais do seu efectivo, dizem os investigadores, devido à sua taxa reprodutora relativamente alta, apoiada em ninhadas grandes produzidas por adultos jovens mas o comércio continuado de partes do corpo destes animais para serem utilizadas nas medicinas tradicionais irá colocar uma pressão acrescida sobre muitas espécies, alertam os investigadores.

 

 

Saber mais:

A global overview of canids used in traditional medicines - Biodiversity and Conservation

Universidade Estadual de Paraíba

 

 

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