2010-05-15

Subject: Culturas transgénicas transformam pequenas pragas em grandes problemas

 

Culturas transgénicas transformam pequenas pragas em grandes problemas 

 

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@ NatureO cultivo de algodão que foi geneticamente modificado para envenenar a sua principal praga pode conduzir ao florescimento do número de muitos outros insectos, descobriu um estudo de dez anos realizado na China.

Em 1997 o governo chinês aprovou o cultivo comercial de plantas de algodão geneticamente modificadas para produzir a toxina de Bacillus thuringiensis (Bt), que é mortal para a lagarta-do-tomate Helicoverpa armigera. Surtos de larvas da lagarta-do-tomate no início da década de 90 tinham atingido as culturas e os lucros e os pesticidas usados no seu controlo eram perigosos para o ambiente, levando a milhares de mortos por envenenamento todos os anos.

Mais de 4 milhões de hectares de algodão Bt são actualmente cultivados na China. Desde que o seu cultivo foi aprovado, uma equipa liderada por Kongming Wu, entomólogo da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas de Pequim, tem seguido as populações de pragas em 38 localizações do norte da China, cobrindo 3 milhões de hectares de algodão e 26 milhões de hectares de outras culturas.

Os números de insectos mirídeos (pertencentes à família Miridae), anteriormente pragas menores no norte da China, aumentaram doze vezes desde 1997, descobriram eles. "Os mirídeos são agora a principal praga da região", diz Wu. "A subida da sua abundância está associada à escalada no cultivo de algodão Bt."

Wu suspeita que as populações de mirídeos aumentaram porque se usou pesticida de espectro mais reduzido no seguimento da introdução do algodão Bt. "Os mirídeos não são susceptíveis à toxina Bt logo começaram a aumentar quando os agricultores passaram a usar menos pesticidas", diz Wu. O estudo foi publicado esta semana na revista Science.

"Os mirídeos podem reduzir a produção de algodão tanto como a lagarta-do-tomate, podendo chegar a 50% se não forem controlados", acrescenta Wu. Os insectos também estão a emergir como uma ameaça para culturas como feijão-verde, cereais, vegetais e frutos diversos.

O aumento dos mirídeos levou os agricultores chineses de volta aos pesticidas, estão actualmente a usar cerca de dois terços do que usavam antes de o algodão Bt ser introduzido. À medida que os mirídeos desenvolvem resistências aos pesticidas, Wu espera que os agricultores passem a pulverizar ainda mais do que já fizeram.

Há dois anos, um estudo liderado por David Just, economista da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, concluiu que os benefícios do algodão Bt na China já desapareceram. A equipa atribuiu esta situação ao aumento da utilização de pesticidas para lidar com as pestes secundárias.

 

A conclusão foi controversa, com os críticos do estudo a focarem-se na amostra relativamente pequena e na utilização de modelos económicos. As descobertas de Wu apoiam o estudo anterior, diz David Andow, entomólogo da Universidade do Minnesota em St Paul.

"A descoberta recorda-nos novamente que as culturas geneticamente modificadas não são uma bala mágica no controlo de pragas", diz Andow. "Têm que ser parte de um sistema integrado de gestão de pragas para manterem os seus benefícios a longo prazo."

De todas as vezes que uma peste primária é tida como alvo, outras espécies têm probabilidade de aumentar em seu lugar. Por exemplo, sucessivas espécies de lagartas têm ascendido a pragas principais e sido substituídas nos Estados Unidos desde que o algodão Bt foi introduzido.

Juntamente com as culturas geneticamente modificadas, diz Andow, os agricultores precisam de sistemas efectivos de resposta às alterações de abundância das pragas. Isso precisa de se basear em investigação sobre o tempo, a dose e a frequência de utilização de pesticidas necessários para controlar as novas pragas. "Quando os agricultores decidem como controlar pragas têm tendência a utilizar os pesticidas de forma excessiva."

Wu está em busca da forma mais efectiva de usar pesticidas e a tentar reduzir os danos dos mirídeos ao algodão cultivando outras culturas que a praga prefira em seu redor. Entretanto, os investigadores chineses estão a tentar desenvolver plantas de algodão que matem todas as pragas.

Wu salienta, no entanto, que o controlo de pragas deve manter em vista o ecossistema total. "O impacto das culturas geneticamente modificadas deve ser avaliado ao nível da paisagem, levando em linha de conta o contributo ecológico de diferentes organismos. É a única forma de garantir a sustentabilidade da sua aplicação."

 

 

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