2010-05-14

Subject: Lagartos sucumbem a alterações climáticas

 

Lagartos sucumbem a alterações climáticas 

 

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@ NaturePor volta de 2080, o aquecimento global pode resultar na extinção de um quinto das espécies de répteis, revelou um estudo feito a nível global.

Mesmo segundo os cenários mais optimistas de redução das emissões de dióxido de carbono, a análise feita por uma equipa internacional mostra que um quinto das populações globais de lagartos, o que corresponde a 6% do total de espécies destes animais, pode estar extinta em 2050.

"Nós apostamos a nossa reputação nisto", diz Barry Sinervo, biólogo evolutivo na Universidade da Califórnia, Santa Cruz, que liderou o estudo. Ele e os seus colegas descobriram que as alterações climáticas já conduziram à extinção 12% das populações do colorido lagarto mexicano Sceloporus desde 1975.

Se as emissões continuarem aos níveis actuais, ele prevê que em 2080 39% das populações mundiais de lagartos desapareçam, o que corresponde a 20% de perda de espécies. O estudo será publicado esta semana na revista Science.

É uma descoberta espantosa, diz Raymond Huey, fisiólogo evolutivo na Universidade de Washington, Seattle, que não fez parte do estudo. "Os lagartos são animais que deviam ser muito tolerantes às alterações climáticas."

Sinervo não tinha intenção de estudar as extinções, ele tinha planeado usar o lagarto eurasiático Lacerta vivipara para examinar o papel da coloração na evolução dos répteis mas quando se deslocou a locais de França, Itália, Eslovénia e Hungria (tradicionais no estudo desta espécie), nem sempre encontrou lagartos. Alguns anos mais tarde descobriu que também os lagartos mexicanos Sceloporus estavam a desaparecer.

Preocupado, ele reuniu uma equipa para examinar a questão globalmente e, ao estudar relatórios de extinções em cinco continentes, os cientistas descobriram que o problema é generalizado. "Está realmente a acontecer e muito depressa", diz Sinervo. "Estamos a observar uma onda de extinção maciça que varre todo o planeta."

Huey alerta que não ver os lagartos não significa necessariamente que lá não estejam, podem ter passado despercebido. "As populações sofrem flutuações." Ainda assim, salienta ele, o lagarto Sceloporus é muito conspícuo, "seria muito difícil não o detectar".

"Este tipo de estudo dá muito trabalho e as pessoas só há pouco começaram a realizá-los", diz Anthony Barnosky, paleontólogo da Universidade da Califórnia, Berkeley, e autor do livro 'Heatstroke: Nature in an Age of Global Warming (Island Press, 2009)'.

 

Do punhado de análises semelhantes existentes, um estudo de 2008 encontrou perdas populacionais de anfíbios do Parque Nacional de Yellowstone no Wyoming e outro descobriu que os pequenos mamíferos do Parque Nacional Yosemite na Califórnia tinham marcado o aquecimento global no último século alterando a sua distribuição.

O desaparecimento dos lagartos nas zonas estudadas pela equipa não pode ser devido a destruição do habitat pois ocorreram enquanto era protegido. Pelo contrário, locais mais quentes perto do equador ou em latitudes mais baixas têm maior probabilidade de perder os seus lagartos.

Para perceber como o clima mais quente afecta negativamente os répteis, a equipa de Sinervo criou um lagarto falso e colocou-o ao sol em locais da península do Iucatão onde o Sceloporus pode ser encontrado e onde se extinguiu, registando a sua temperatura. Como todos os organismos, os lagartos têm que evitar o sobreaquecimento e manter a temperatura corporal dentro de um dado intervalo para sobreviver.

O problema, descobriu a equipa, parecem ser as Primaveras mais quentes e não as temperaturas máximas altas registadas a meio do dia ou no Verão.

As temperaturas primaveris mais elevadas significam que os animais passam menos da época de reprodução em busca de alimento e mais tempo à sombra. "Essa é a parte do ano em que as fêmeas precisam da quantidade máxima de alimento", diz Huey. "Se a temperatura sobe ainda mais na Primavera, então os lagartos restringem a sua actividade. Simplesmente podem não ter tempo activo suficiente para obter alimento suficiente."

Fêmeas subalimentadas não têm os recursos necessários para procriar, levando ao declínio das populações.

As consequências da extinção dos lagartos são desconhecidas. "Se Barry tem razão ou está próximo disso", diz Huey, "o mundo como o conhecemos será muito diferente, os lagartos são essencialmente devoradores de insectos. Por isso se uma população se extinguir, isso vai afectar os insectos da zona. Os lagartos também são, por sua vez, presa de cobras, aves, mamíferos e mesmo de outros lagartos mas até que ponto esses efeitos serão gravosos é difícil de prever."

 

 

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