2010-05-13

Subject: A ciência dos dispersantes

 

A ciência dos dispersantes 

 

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@ NatureDesde que a plataforma petrolífera da BP Deepwater Horizon explodiu e se afundou em Abril, enormes quantidades de químicos dispersantes têm sido pulverizados sobre a mancha que daí resultou. 

Os químicos, juntamente com barreiras flutuantes e 'queimas controladas' do petróleo, são uma tentativa de reduzir o impacto ambiental do petróleo que continua a sair do poço destruído no Golfo do México, à taxa de 5 mil barris (cerca de 800 mil litros) por dia.

O que fazem os dispersantes?

Os dispersantes não removem o petróleo da zona, ajudam as grandes manchas a 'dispersar' em pedaços menores (daí o seu nome) que são mais fáceis de degradar pelos microrganismos marinhos.

Funcionam com base no mesmo princípio dos líquidos de limpeza da cozinha. Ambos são feitos essencialmente de moléculas surfactantes anfipáticas, ou seja, com zonas hidrofílicas e zonas hidrofóbicas. Estas moléculas colocam-se nas interfaces entre petróleo e água, reduzindo a tensão superficial na zona, impedindo que as moléculas hidrofóbicas do crude se unam umas às outras.

"A redução da tensão interfacial reduz por sua vez a energia necessária para misturar o petróleo como gotículas discretas na fase aquosa", diz David Horsup, vice-presidente da divisão de investigação e desenvolvimento da Nalco Energy Services, que fabrica os produtos dispersantes actualmente em utilização no Golfo do México. "Dispersar o petróleo em pequenas gotículas permite aos microrganismos naturalmente presentes no mar consumir essas gotículas e o dispersante é rapidamente biodegradado."

Que dispersantes estão a ser usados no Golfo do México?

Até agora, pelo menos 1 milhão de litros de dois tipos de dispersantes foram utilizados: Corexit 9500 e Corexit EC9527A. "Um é adequado a petróleo leve, fresco ou que tenha sido derramado muito cedo e não tenha sido alterado", explica Horsup. "O outro é adequado para petróleo mais pesado e que tenha sido alterado durante alguns dias."

Quais são os impactos ambientais dos dispersantes?

Os dispersantes são eles próprios misturas desagradáveis de químicos, apesar dos produtos actuais serem menos danosos que os solventes tóxicos usados em derrames anteriores, como no caso do desastre de Torrey Canyon. O problema principal com os dispersantes é o facto de ajudarem a espalhar o petróleo mais largamente pelo ambiente.

Isso ajuda a prevenir que grandes quantidades de crude atinjam as praias e cubram os animais mas apesar dos habitantes de superfície poderem beneficiar relativamente à exposição ao crude, animais de outras partes dos oceanos e o fundo do mar receberão mais poluição.

"É um jogo de cedências e ninguém dirá que a utilização de dispersantes não tem impacto. Estamos a trocar uma espécie por outra", diz Carys Mitchelmore, um químico ambiental do Centro de Ciência Ambiental da Universidade do Maryland em Solomons, e co-autora do relatório de 2005 da Academia Nacional de Ciências americana.

Num ainda não publicado, Mitchelmore expôs corais moles a crude e ao dispersante Corexit 9500 actualmente em uso e as taxas de crescimento caíram significativamente. No seu todo, no entanto, há escassez de conhecimento sobre o impacto dos dispersantes, especialmente quando utilizados nos volumes de que se fala no Golfo.

"Os efeitos a longo prazo na realidade são desconhecidos", diz Mitchelmore. "O dispersante tem uma toxicidade inerente e estas gotículas de petróleo têm tendência para ter a mesma dimensão das partículas de alimento dos filtradores."

 

Até agora, os dispersantes têm sido aplicados a manchas superficiais pulverizado a partir de aviões. Poderão ser aplicados directamente na fonte da fuga?

Robots subaquáticos estão a ser usados para aplicar dispersantes directamente no petróleo que verte do fundo do mar, algo que nunca tinha sido feito antes a esta profundidade.

Eric Adams, engenheiro ambiental do Instituto de Tecnologia do Massachusetts e outro dos autores do relatório de 2005, salienta que, à superfície, o vento e as ondas ajudam o dispersante a misturar-se e a degradar o petróleo mas debaixo de água isso se torna mais difícil.

"De algum modo é mais fácil aplicar dispersantes à superfície", diz Adams, que realizou trabalho teórico sobre sistemas de aplicação em profundidade de dispersantes mas a vantagem da aplicação subaquática, que pode alcançar a fonte, torna a experiência importante, pensa ele. 

Alguns criticaram os testes de utilização de dispersantes no fundo do mar no local da Deepwater Horizon realizados pela Agência de Protecção do Ambiente americana (EPA), com base no facto de as investigações até à data se terem focado no impacto dos dispersantes nas camadas superiores do oceano.

Mas a tentativa parece estar a funcionar: "Observações aéreas indicam que a mancha à superfície se reduziu significativamente quando se injectou o químico na cabeça do poço", diz Horsup. "Obteve-se dispersão rápida no crude na coluna de água.

A EPA admite que o impacto ambiental da utilização subaquática ainda é "largamente desconhecido". No entanto, depois dos testes iniciais, foi dada ordem para avançar esta semana com mais aplicações subaquáticas.

O que reserva o futuro?

A curto prazo, as companhias químicas de todo o mundo estão a tentar manter-se a par da procura massiva de dispersantes resultante do acidente. Horsup diz que os fornecedores estão estão a conseguir mas se a procura aumentar acentuadamente as reservas vão desaparecer.

A longo prazo, a resposta ao acidente da Deepwater Horizon deu início ao que, para todos objectivos e intenções, é uma gigantesca experiência na utilização de dispersantes.

O relatório de 2005 da Academia Nacional de Ciências colocou várias questões sobre a toxicidade dos dispersantes e o destino final do petróleo dispersado que precisam de respostas. Tanto Adams como Mitchelmore dizem que não se fez grande progresso sobre essas questões. Os acontecimentos do Golfo do México podem ajudar a desenvolver esta investigação. 

 

 

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