2010-05-04

Subject: Mosquitos herdam resistência a repelente

 

Mosquitos herdam resistência a repelente 

 

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@ NatureA indiferença de alguns mosquitos a um repelente de insectos vulgar deve-se a uma característica genética que pode ter evoluído rapidamente nas últimas gerações, sugere um novo estudo agora conhecido.

Através de reprodução selectiva, James Logan, do Rothamsted Research em Harpenden, Reino Unido, criou estirpes de mosquitos Aedes aegypti em que metade das fêmeas não reagem ao DEET (N,N-dietilmetatoluamida), um poderoso repelente de insectos. Ele sugere que esta insensibilidade de evolução rápida é devida a um único gene dominante.

Os investigadores não identificaram o gene que propõem ser responsável pela resistência ao DEET e não revelaram os detalhes precisos do seu trabalho. No entanto, encontraram um tipo celular sensível ao odor que responde ao DEET na maioria dos mosquitos mas é menos sensível ao repelente nos resistentes. As suas descobertas foram publicadas na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

"Pode haver realmente um gene a espreitar em fundo nos mosquitos que provoca a resistência ao DEET, o que é um resultado surpreendente", diz Leslie Vosshall, que não esteve envolvida no estudo e investiga a base genética e neural da percepção do odor em mosquitos na Universidade Rockefeller em Nova Iorque. 

O Aedes aegypti é uma espécie de mosquito que causa a febre amarela, o dengue e outras doenças virais. As suas fêmeas sugadoras de sangue não ficam todas impressionadas pelo DEET: cerca de 13% das populações laboratoriais testadas pela equipa de Logan iriam pousar sem problema num braço humano coberto de repelente.

Os investigadores descobriram anteriormente evidências fracas de que a resistência ao DEET podia ser herdada nestes mosquitos, diz John Brookfield, co-autor do artigo e geneticista na Universidade de Nottingham. Mas depois de recolher as fêmeas insensíveis ao DEET, a equipa descobriu que no espaço de uma única geração de reprodução com machos não testados era capaz de criar um estirpe em que 50% das fêmeas não respondiam ao DEET. Essa proporção permaneceu relativamente estável nas gerações seguintes, obtidas por reprodução selectiva.

Este tipo de percurso, que sugere um único gene e não um agregado de várias características genéticas, é chave para a detecção do DEET, diz Brookfield, pelo menos na população que os investigadores estudaram. Quando os mosquitos não resistentes foram acasalados com a população resistente, cerca de metade da sua descendência era insensível ao DEET, sugerindo que o gene é dominante. Um estudo anterior com Drosophila melanogaster já tinha descoberto que uma característica não dominante podia conduzir à resistência ao DEET.

 

Tentando perceber qual seria a acção do gene, os investigadores focaram-se nas células detectoras de odor descobertas nas antenas, que se sabe detectam o DEET e outros químicos. Apesar de alguns estudos terem sugerido que o DEET funciona ao bloquear os neurónios que detectam os odores humanos, outros detectaram neurónios que parecem reagir especificamente ao DEET.

A equipa descobriu que as células sensíveis aos odores são em geral menos sensíveis ao DEET nas fêmeas resistentes comparadas com as mesmas células de fêmeas não resistentes mas também detectou um tipo de neurónio que revelou respostas significativamente menores a concentrações elevadas de DEET nas fêmeas insensíveis ao repelente. 

Qualquer gene responsável por este efeito pode alterar a célula de forma a que não possa reconhecer o DEET ou pode mutar uma proteína que se ligue aos odores que o DEET a um receptor, especulam eles.

Vosshall considera que o estudo mostra que há uma base genética na detecção do DEET mas isso não determina a forma como a resistência funciona. "Permanece por demonstrar a ligação causal entre os efeitos sobre as antenas e a insensibilidade ao DEET", diz ela. Os autores excluíram da sua análise um conjunto de neurónios que estão em falta nos mosquitos insensíveis, salienta ela, que poderão explicar porque não detectam o DEET.

Seja qual for o mecanismo molecular envolvido, o estudo afirma ainda que repelentes como o DEET podem levar a resistências com o passar do tempo, se usados para controlar doenças transmitidas por mosquitos em larga escala, diz Logan. "Não dizemos que os repelentes não devam ser usados mas temos que compreender como funcionam antes de os usar adequadamente."

 

 

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