2010-05-02

Subject: Derrame de petróleo no Mar das Caraíbas pode ter consequências assustadoras 

 

Derrame de petróleo no Mar das Caraíbas pode ter consequências assustadoras 

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ Nature

Até que ponto o derrame de petróleo no golfo do México é grave, tanto para a vida selvagem como para as pessoas cujo modo de vida depende dela, como os pescadores?

De momento, a única resposta possível é: não se sabe. Para David Kennedy, do Serviço Oceanográfico Nacional dos Estados Unidos, é "um evento muito significativo e uma grande preocupação, estou assustado com tudo isto".

Mas Clifford Jones, engenheiro de gás e petróleo na Universidade de Aberdeen, sugere que este derrame não deve ser comparado com o do Exxon Valdez em 1989, apesar de isso estar a ser feito. É uma ameaça para os ecossistemas, concede ele, mas o Exxon Valdez foi um super-petroleiro com 11 milhões de galões de crude e a saída do petróleo foi devida, nesse caso, apenas à gravidade. "No caso actual, o poço está debaixo do mar e no máximo libertar-se-ão quatro milhões de barris antes de a pressão baixar o suficiente para impedir a fuga."

Se esta estimativa se revelará correcta ou não, e está ser contestada, não há dúvida que o petróleo está a sair muito mais lentamente do que é normal a partir de um petroleiro, o que, em princípio, dá mais tempo às autoridades para lidar com a situação, apesar dos seus esforços terem um sucesso muito relativo.

O petróleo degrada-se naturalmente na água salgada e, nas águas quentes desta zona, isso poderá ser ainda mais rápido do que aconteceu no Prince William Sound do Alasca, onde o Exxon Valdez encalhou.

Nos derrames, a prevenção é sempre melhor que a cura e a primeira prioridade das autoridades do Louisiana e restantes zonas em volta do golfo é impedir que o petróleo chegue a terra. Estão a ser dispostas barreiras, agentes dispersantes espalhados e algumas zonas a ser incendiadas. A Autoridade de Protecção e Restauração da Costa do Louisiana está a aumentar o fluxo de água em dois canais numa tentativa de empurrar a água do mar suja para longe das zonas húmidas ecologicamente importantes.

"Esses ecossistemas são lar de uma florescente indústria piscatória e também uma reserva natural substancial, pelo que o potencial para danos significativos é enorme", diz Simon Coxall, do Centro Oceanográfico Nacional do Reino Unido em Southampton. "Proteger a zona com barreiras flutuantes é a melhor opção mas a dimensão do derrame vai esgotar rapidamente o fornecimento mundial de barreiras muito rapidamente."

O que torna esta região tão especial do ponto de vista ecológico são os padrões invulgares de terra e mar, criados pelo preguiçoso delta do Mississípi em direcção ao golfo. Estão nesta zona 25% das zonas húmidas americanas, áreas ricas em vida selvagem e com baixa ocupação humana. 

"Para as aves o momento não podia ser pior, estão a reproduzir-se e a fazer os ninhos, pelo que estão especialmente vulneráveis em muitos dos locais onde o petróleo pode chegar à costa", alerta Melanie Driscoll, directora de conservação de aves da National Audubon Society, no Louisiana. "Temos esperança mas temos que nos preparar para o pior, incluindo uma catástrofe completa para as aves."

 

A lista de espécies potencialmente afectadas inclui as aves marinhas residentes e muitas migradoras que usam essas zonas húmidas como paragem para reabastecimento. A Sociedade salienta que para algumas dessas espécies este é o único local seguro que lhes resta, com o desenvolvimento humano a encurralá-las nestas ilhotas e penínsulas.

A mancha muda de forma e direcção rapidamente, pelo que prever onde irá chegar a terra e com que frequência é difícil. Nitidamente, quanto mais tempo a BP levar a cortar a fuga, maiores serão os impactos na costa do golfo e mesmo nas suas águas abertas.

Se o petróleo se deslocar para leste, vai ao encontro de leitos de ervas marinhas que são habitat crucial para os manatis, entre outras espécies. "Se os leitos de ervas marinhas ficarem fortemente contaminados os manatis vão ser muito afectados", explica Carl-Gustaf Lundin, chefe do programa marinho da International Union for the Conservation of Nature (IUCN).

Os manatis são, mais uma vez, uma espécie já sob forte pressão, restam menos de 2500 adultos e a Lista Vermelha da IUCN considera que a subespécie da Florida deve entrar em declínio em pelo menos 20% ao longo dos próximos 40 anos, devido a vários factores desde as alterações climáticas e impacto com navios.

As águas do golfo já são fortemente afectadas todos os anos por fertilizantes lixiviados dos terrenos agrícolas do sul dos Estados Unidos, criando uma zona anóxica onde as algas consomem a maior parte do oxigénio dissolvido e nada mais lá sobrevive.

Outra possível vítima é o atum-rabilho atlântico pois ao longo das próximas seis semanas a população ocidental desta espécie fortemente sobreexplorada vai desovar no golfo, principalmente na sua zona norte onde a mancha está a crescer. "O petróleo vai ter forte impacto pois pode ser tóxico para os ovos ou para os juvenis", diz Lundin. "Os juvenis que se esconderem no sargaço também estarão muito vulneráveis nesta fase."

Cada um destes graves impactos sobre a vida selvagem também se traduz em consequências para as pessoas: atum e camarão pode ler-se postos de trabalho nas indústrias de pesca e alimentar para os consumidores americanos, aves e manatis pode ler-se rendimentos do turismo, e por aí fora.

Certamente, não há dois derrames iguais e com os devaneios dos ventos e correntes a previsão dos impactos é muito difícil mas fica claro que as autoridades locais têm motivos para ficar seriamente preocupadas. 

 

 

Saber mais:

National Audubon Society

IUCN - programa marinho

Desastre ambiental ameaça Golfo do México

A razão porque o petróleo do Exxon Valdez perdura

O legado duradouro do Exxon Valdez

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com