2010-04-29

Subject: Gelo em asteróide dá pistas para a origem da vida na Terra

 

Gelo em asteróide dá pistas para a origem da vida na Terra 

 

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@NatureUm cocktail batido de gelo de água e materiais orgânicos foi detectado directamente na superfície de um asteróide pela primeira vez.

A descoberta reforça a teoria de que os asteróides trouxeram para a Terra os ingredientes para a formação dos oceanos e da vida e pode fazer os astrónomos repensar os modelos convencionais para a evolução do Sistema Solar.

Há muito que se pensa que os asteróides, que se localizam na cintura com o mesmo nome entre Marte e Júpiter, são corpos rochosos que se pensava estarem demasiado perto do Sol para reter gelo, ao contrário dos cometas, que se formam muito para além de Neptuno, que são corpos celestes ricos em gelo que se transformam em vistosas caudas de vapor e poeiras quando se aproximam do Sol.

No entanto, esta distinção foi esbatida em 2006 pela descoberta de pequenos objectos com caudas do tipo cometa na cintura de asteróides, diz o astrónomo Andrew Rivkin, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland.

Para investigar a composição destes 'cometas da cintura principal', Rivkin e o seu colega Joshua Emery, da Universidade do Tennessee em Knoxville, voltaram o telescópio de infravermelhos de Mauna Kea, Havaiwaii, para o asteróide 24 Themis, o corpo celeste que originou os dois asteróides mais pequenos semelhantes a cometas observados em 2006.

Emery e Rivkin realizaram sete medições de 24 Themis ao longo de um período de seis anos, de cada vez olhando para uma face diferente do asteróide à medida que este se deslocava pela sua órbita. Encontraram consistentemente uma banda no espectro de absorção de luz reflectida da sua superfície que indica a presença de grãos revestidos por gelo de água, para além da assinatura das ligações químicas entre carbono e hidrogénio, tal como as que se encontram nos compostos orgânicos. 

O trabalho de Rivkin e Emery é publicado esta semana na revista Nature.

"Os astrónomos olharam para dezenas de asteróides com esta técnica mas esta é a primeira vez que observamos gelo e compostos orgânicos na sua superfície", diz Rivkin.

O resultado foi confirmado de forma independente por uma equipa liderada por Humberto Campins, da Universidade da florida Central em Orlando. Ele e os seus colegas observaram 24 Themis durante 7 horas uma noite, perfazendo praticamente uma rotação completa do seu eixo. "Entre os dois, observámos o asteróide praticamente de todos os ângulos e vimos cobertura global", diz Campins. Ele e a sua equipa também publicam as suas descobertas na revista Nature.

Julie Castillo-Rogez, astrofísica do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia, descreve as descobertas como "fantásticas". "Isto responde à questão de há tanto tempo sobre se há água livre na cintura de asteróides."

 

Como 24 Themis está apenas a 479 milhões de quilómetros do Sol (cerca de três vezes a distância da Terra ao Sol), é surpreendente que o gelo superficial não se tenha vaporizado totalmente. Ambas as equipas de investigadores especulam que mais gelo pode estar retido num reservatório abaixo da superfície do asteróide, protegido do Sol, e que o gelo derrete lentamente à medida que o asteróide é atingido por pequenos corpos celestes na cintura, substituindo assim o gelo superficial.

A descoberta junta peso à ideia de que os asteróides e os cometas são a fonte de água e matéria orgânica da Terra. Os geoquímicos pensam que a Terra primitiva passou por uma fase fundida em que as moléculas orgânicas se teriam dissociado, pelo que novos materiais orgânicos teriam que ter sido trazidos posteriormente para o planeta, diz Campins. "Acredito que as nossas descobertas estão associadas à origem da vida na Terra."

Para avaliar a plausibilidade deste cenário, os astrónomos terão que determinar se a composição de 24 Themis é típica de outros asteróides e, se sim, exactamente o que eles contêm, diz Castillo-Rogez. Uma prioridade deve ser a busca por gelo de água nos asteróides vizinhos da Terra. "Se encontrarmos amostras de gelo que contenham a mesma razão de deutério e hidrogénio da Terra, isso seria uma pista importante.

No entanto, 24 Themis pode não ser um membro típico da cintura, pode ter-se formado para além de Neptuno com os cometas e ter sido deslocado para o interior do Sistema Solar, diz Rivkin. Se assim for, estaria de acordo com o controverso modelo da evolução do Sistema Solar proposto em 2005. Este modelo sugere que os planetas gigantes e os asteróides migraram para as suas órbitas actuais após a sua formação.

Seja como for, diz Rivkin, "a imagem antiquada do Sistema Solar em que os asteróides são asteróides e os cometas são cometas está cada vez mais difícil de manter."

 

 

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