2010-04-26

Subject: Descoberta 'via rápida' oceânica para as alterações climáticas

 

Descoberta 'via rápida' oceânica para as alterações climáticas 

 

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@ NatureUm estudo feito no Japão e na Austrália revelou uma corrente de profundidade que transporta água gelada a grande velocidade para norte, a partir da Antárctica, ao longo da orla de um gigantesco planalto submarino.

Outras equipas de investigação já tinham identificado uma corrente de profundidade ao longo da orla leste do planalto Kerguelen, uma elevação com mais de 2200 Km de comprimento a cerca de 3 mil quilómetros a sudoeste da Austrália.

NO entanto, as estimativas da sua velocidade, obtidas como instantâneos com ajuda de instrumentos lançados a partir de navios de pesquisa, "tinham dado valores muito díspares", diz Steve Rintoul, oceanógrafo físico do Centro Cooperativo de Investigação dos Ecossistemas e Clima Antárcticos em Hobart, Austrália, e co-autor do novo estudo.

Yasushi Fukamachi, oceanógrafo da Universidade de Hokkaido em Sapporo, Japão, liderou um esforço de equipa para determinar a natureza exacta da corrente. Os investigadores ancoraram mais de 30 aparelhos de registo de corrente e temperatura através do seu percurso e deixaram-nos no local durante dois anos. 

Quando recuperaram os instrumentos, os cientistas descobriram que a corrente, que flui a profundidades superiores a 3 mil metros, por vezes atinge velocidades superiores a 700 metros por hora e transporta volumes de água até 30 milhões metros cúbicos por segundo. Nenhuma outra corrente de profundidade do hemisfério sul se desloca a tal velocidade, pelo menos que se tenha conhecimento.

A corrente é formada por água fria que se afunda no Mar de Ross e ao largo da Terra de Adélia, na zona da Antárctica virada para a Austrália. Uma vez nas profundezas, a água flui para leste ao longo da costa da Antárctica, antes de atingir o planalto Kerguelen. Então, tal como a Corrente do Golfo rodeia a extremidade leste da América do Norte, a força Coriolis causada pela rotação da Terra leva a água antárctica a rodear o flanco leste do planalto, resultando numa corrente estreita e veloz com cerca de 50 Km de largura.

Isto é significativo porque representa uma "via rápida" através da qual alterações climáticas e ambientais que afectem o oceano Antárctico podem propagar-se para norte, diz Alejandro Orsi, oceanógrafo físico na Universidade Texas A & M em College Station, que não esteve envolvido no estudo. Provas de que tudo isto realmente está a acontecer, acrescenta ele, podem ser vistas no facto de as águas profundas perto do planalto Kerguelen já mostrarem "sinais claros" de redução de salinidade devida a alterações na taxa de degelo das plataformas antárcticas.

Compreender essas correntes pode ajudar os cientistas a prever como o mundo irá reagir à subida dos níveis de dióxido de carbono, diz Richard Alley, geólogo da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park. Para começar, diz ele, se o calor aquecer as profundezas em vez da superfície, terá menos efeito na subida do nível do mar porque a água fria das profundezas expande-se menos que as águas superficiais mais quentes. Da mesma forma, o calor e o dióxido de carbono contidos nas correntes de profundidade são sequestradas até que a água volte a subir à superfície, muitos anos depois.

 

Fluxos semelhantes no Atlântico norte são responsáveis por a Europa ser mais quente que latitudes comparáveis no Japão, diz Fukamachi, mas as correntes podem mudar. "Não queremos dizer que aconteça instantaneamente, como no filme 'O dia depois de amanhã', mas compreender este tipo de corrente é muito importante para a compreensão do clima global."

A natureza pode ter fornecido recentemente uma oportunidade para testar a nossa compreensão da forma como alterações nesses processos funcionam.

Em meados de Fevereiro, um bloco gigante de gelo com 78 Km de comprimento partiu-se da língua de gelo que entra pelo mar vinda do glaciar Mertz no território antárctico australiano.

@ NOAAAnteriormente, essa língua de gelo bloqueava os icebergs, impedindo-os de se acumularem no seu lado ocidental, criando uma zona aberta onde os ventos que sopram do interior Antárctico podiam produzir rapidamente água muito fria que se afundava e alimentava as correntes de profundidade.

Os noticiários empolaram o evento como um desastre que podia afectar rapidamente a circulação oceânica global mas ninguém sabe que efeito terá, diz Rintoul. "É como uma experiencia natural, penso que nos vai ensinar muito acerca dos processos responsáveis por formar esta água densa."

 

 

Saber mais:

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