2010-04-23

Subject: Vulcão revela falta de sustentabilidade

 

Vulcão revela falta de sustentabilidade 

 

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A passenger rests on empty seats of a deserted terminal at Zurich airport in Kloten

O silêncio dos céus durou quase duas semanas, que efeito terá tido sobre o clima? Irá o mundo aquecer mais rapidamente devido aos gases lançados pelo vulcão islandês Eyjafjallajokull ou a queda das emissões devida à redução do tráfego aéreo abrandará o aquecimento?

Estas são apenas algumas das muitas questões que têm surgido e serão com certeza relevantes mas não haverá situações mais profundas a analisar?

As emissões de gases de efeito de estufa com origem na actividade vulcânica correspondem a menos de 1% dos gerados pelas actividades humanas, ligeiramente menos de metade delas geradas pela aviação, e há evidências de que as cinzas vulcânicas têm efeito contrário pois bloqueiam parte do calor do Sol que chega à Terra.

Para além disso, as erupções vulcânicas não passam de fogo de vista. Ocorrem regularmente desde sempre, sem efeito discernível nas temperaturas globais. Quando, no espaço de dias, semanas ou meses, o Eyjafjallajokull regressar ao seu estado adormecido e o céu voltar a estar repleto de aviões, voltaremos também nós a um modo de vida que nem o nosso planeta, nem a nossa economia pode suportar a longo prazo.

Apesar de a crise actual ter sido muito dispendiosa, diz-se que as companhias aéreas estão a perder milhões por dia e mais milhões estão a ser desembolsados pelos passageiros que ficaram retidos, os efeitos das alterações climáticas irão custar muito mais. Os peritos já alertaram para o facto de se não for investido entre 1 a 2% do PIB agora na luta contra as alterações climáticas pode acabar por nos custar a todos mais de 20% do PIB mundial.

Se já tivéssemos tomado passos para alterar a nossa economia para uma situação em que sejam respeitados os princípios do desenvolvimento sustentável, o impedimento de voar teria sido muito mais fácil de ultrapassar: já haveria ligações ferroviárias entre as principais cidades europeias, os negócios teriam capacidade de videoconferência e a enorme capacidade da Internet seria melhor aproveitada. 

As aeronaves seriam muito mais eficientes e as companhias aéreas pagariam impostos sobre o combustível tal como fazem os condutores de carros, alterando a economia das viagens de forma a favorecer alternativas mais sustentáveis. Os cidadãos estariam habituados a tirar partido dos destinos turísticos mais próximos de casa e só aqueles com mais dinheiro e com razões verdadeiramente importantes para voar teriam algum inconveniente com esta ordem de coisas.

 

Infelizmente, estas questões mais fundamentais são largamente ignoradas pois parece que a opinião pública se tornou mais céptica e menos preocupada com as alterações climáticas, enquanto os cientistas estão mais preocupados e convencidos que nunca que o problema é real e altamente danoso. As preocupações com o desempenho económico a curto prazo e algumas situações trapalhonas criadas pelos cientistas climáticos da Universidade de East Anglia, levaram os políticos a varrer esta questão crucial para debaixo do tapete.

Não admira, portanto, que alguns ambientalistas estejam a passar a ideia de que se insistirmos em fechar os olhos à ameaça das alterações climáticas, se insistirmos em fazer as escolhas erradas nas nossas vidas pessoais e negócios, se negarmos a nossa dependência do transporte aéreo e não desenvolvermos soluções melhores, então merecemos sofrer quando os aeroportos fecham.

Mas este sentimento não leva a nada, ninguém beneficia deste caos temporário e poucas pessoas irão mudar radicalmente o seu estilo de vida apenas por causa de terem sido impedidas de voar uma semana ou duas. Preocupante é ver que, independentemente da quantidade de provas que se vão juntando sobre os nossos efeitos sobre o clima, água, biodiversidade e o nosso próprio bem-estar, não sejamos capazes de encontrar uma forma melhor de viver.

Por definição, o que é insustentável não pode continuar indefinidamente. Se precisamos de mudar, como precisamos mesmo, temos que começar imediatamente e fazer uma mudança profunda e duradoura. Podemos começar por eleger políticos preparados para apresentar honestamente tanto as oportunidades como as alterações por vezes dolorosas necessárias para a criação de um futuro saudável, compensador e duradouro para a nossa espécie.

Devemos começar por reconsiderar a nossa obsessão com o crescimento alimentado pelo consumo, como o respeitado economista Kenneth Boulding referiu: "Alguém que acredita que o crescimento exponencial pode continuar indefinidamente num mundo finito é louco ou economista." 

 

 

Saber mais:

Outra verdade inconveniente - O dilema maltusiano do crescimento populacional

Aquecimento global está a alterar milhares de sistemas naturais

 

 

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