2010-04-14

Subject: Sapos são capazes de prever actividade sísmica

 

Sapos são capazes de prever actividade sísmica

 

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Common toad (Bufo bufo)

O sapo comum parece ser capaz de sentir a eminência de um sismo e fugir da sua colónia dias antes da actividade sísmica se manifestar. As evidências surgem de uma população de sapos que fugiu da sua colónia reprodutora três dias antes de um sismo que atingiu a cidade de L'Aquila em Itália em 2009.

A forma como os sapos sentiram o sismo não é clara mas a maioria dos pares reprodutores e dos machos fugiram, reagindo apesar de a colónia estar a 74 km do epicentro do sismo, dizem os biólogos na revista Journal of Zoology.

Estudar de forma objectiva e quantificável como os animais reagem à actividade sísmica é complicado, em parte porque os sismos são raros e imprevisíveis. Alguns estudos já foram feitos sobre a forma como animais domésticos respondem mas medir a reacção de animais selvagens é mais difícil.

Mesmo aqueles que já está provado que reagem, como peixes, roedores e cobras, tendem a faze-lo muito pouco tempo antes do sismo ocorrer e não dias antes do evento.

No entanto, a bióloga Rachel Grant, da Universidade Aberta de Milton Keynes, Reino Unido, estava a estudar rotineiramente as várias colónias de sapos comuns diariamente em Itália por altura em que ocorreu um sismo grave. O seus estudos incluem um período de 29 dias de recolha de dados antes, durante e depois do sismo que ocorreu a 6 de Abril de 2009.

O sismo de magnitude 6,3 teve epicentro perto da cidade de L'Aquila, a cerca de 95 km nordeste de Roma. Grant estava a estudar os sapos a 74 km da cidade, no lago San Ruffino no centro de Itália, quando registou o comportamento estranho dos sapos. 

Cinco dias antes do sismo, o número de machos na colónia reprodutora caiu 96%, o que é altamente invulgar pois depois de acasalarem é vulgar os machos permanecerem activos em grande número até acabar a postura. 

No entanto, a postura mal tinha começado em San Ruffino antes do sismo e nenhum acontecimento climático podia ser associado ao desaparecimento dos sapos. Três dias antes do sismo, o número de pares reprodutores caiu para zero igualmente de repente.

 

Apesar de haver posturas até seis dias antes do sismo e novamente seis dias depois do sismo, não houve qualquer postura durante o chamado período do sismo, o tempo desde o primeiro abalo premonitório até à última réplica.

"O nosso estudo é um dos primeiros a documentar o comportamento animal antes, durante e depois de um sismo", diz Grant. Ela acredita que os sapos fugiram para terrenos mais elevados, possivelmente onde estariam a salvo de desmoronamentos e inundações mas exactamente de que forma detectaram a actividade sísmica não é claro.

A alteração no comportamento dos sapos coincidiu com perturbações na ionosfera, a camada electromagnética superior da atmosfera, que os investigadores detectaram por altura do sismo de L'Aquila através de uma técnica conhecida por sonorização rádio de muito baixa frequência (VLF).

Essas alterações na atmosfera já foram, por sua vez, associadas por alguns cientistas à libertação do gás radão ou a ondas de gravidade, que ocorrem antes de um sismo. No caso do sismo de L'Aquila, Grant não foi capaz de determinar o que causou as perturbações na ionosfera mas as suas descobertas sugerem realmente que os sapos conseguem detectar alguma coisa.

"As nossas descobertas sugerem que os sapos são capazes de detectar dicas pré-sísmicas, como a libertação de gases e de partículas carregadas, e usá-las como forma de detecção precoce de sismos", diz ela.

Apenas um outro estudo tinha, até agora, quantificado a resposta de animais a um sismo importante: investigadores tinham tido a oportunidade de medir as alterações de comportamento da formiga do deserto Messor pergandei à medida que o solo tremia no deserto do Mojave na Califórnia a 28 de Junho de .

O maior sismo a atingir os Estados Unidos no espaço de quatro décadas ocorreu no meio de um estudo em curso, que quantificava as formigas que percorriam os trilhos de e para a colónia, a distribuição das operárias e até a quantidade de dióxido de carbono que produziam.

No entanto, em resposta ao sismo de magnitude 7,4 as formigas não parecem ter alterado do seu comportamento de todo. 

 

 

Saber mais:

Journal of Zoology

Zoological Society de Londres

 

 

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