2010-04-13

Subject: Descobertas crianças sem estereótipos raciais

 

Descobertas crianças sem estereótipos raciais 

 

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@ NatureO preconceito parece ser algo impossível de escapar mas os cientistas vieram agora relatar a existência de um grupo de pessoas que parecem não formar estereótipos raciais.

Crianças com uma perturbação de desenvolvimento neurológico conhecida por Síndroma de Williams (SW) são excessivamente simpáticas porque não temem os estranhos.

Agora, um estudo mostra que estas crianças também não desenvolvem atitudes negativas sobre outros grupos étnicos, apesar de mostrarem os mesmos padrões de estereótipos de género que as restantes crianças. "Esta é a primeira prova de que formas diferentes de estereótipos são biologicamente dissociáveis", diz Andreas Meyer-Lindenberg, director do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, Alemanha, que liderou o estudo publicado na última edição da revista Current Biology.

Adultos com SW mostram actividade anormal numa estrutura cerebral chamada amígdala, que está envolvida na resposta às ameaças sociais e ao desencadear de reacções emocionais inconscientes a outras raças. 

O preconceito racial tem sido associado ao medo: os adultos têm maior probabilidade de associar objectos e eventos negativos, como choques eléctricos, a pessoas de outros grupos étnicos do que aos do seu próprio grupo. Mas segundo Meyer-Lindenberg, o seu último estudo oferece as provas mais fortes até à data de que os medos sociais conduzem a estereótipos raciais.

@ NatureA equipa mostrou 18 imagens a 20 crianças com e a 20 outras sem SW, todas de origem europeia. Pediram às crianças, todas com idades entre os 5 e os 16 anos, que escolhessem indivíduos nos desenhos que pudessem estar envolvidos em actividades específicas de um dos sexos, como brincar com bonecas. Os dois grupos de crianças mostraram os mesmos padrões de estereótipos de género.

As crianças também ouviram histórias sobre os indivíduos, representados em desenhos, que tinham atributos negativos, como ser malandro ou sujo, ou atributos positivos, como ser bonito ou inteligente. 

Seguidamente foi pedido às crianças que escolhessem se a história era sobre um indivíduo de pele escura ou clara nos desenhos. Um exemplo é: "Há dois rapazinhos. Um deles é bondoso, uma vez viu um gatinho cair no lago e salvou-o de se afogar. Qual é o menino bondoso?"

 

As crianças sem SW associavam as características positivas aos indivíduos de pele clara e as negativas aos de pele escura, de acordo com estudos anteriores feitos tanto com crianças brancas como com crianças negras, mas as que tinham SW não revelaram preconceitos. A conclusão óbvia, diz Meyer-Lindenberg, que o medo social não é necessário para o estereótipo de género mas é importante na formação de estereótipos raciais.

"Esta é uma situação nova, o suficiente para nos fazer pensar no significado dos estereótipos", diz Uta Frith, psicóloga do desenvolvimento no University College de Londres.

Os resultados sugerem que o medo social contribui para os estereótipos raciais mas o SW está associado a outras deficiências cognitivas, como atraso metal, que também podem desempenhar um papel na situação, diz Meyer-Lindenberg.

Apesar dos autores terem controlado muitos factores, como o QI e a situação socioeconómica, as crianças com e sem SW podem ter tido diferentes experiências com membros de outros grupos raciais, diz John Gabrieli, neurocientista cognitivo no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge. "Em certo grau, todas as crianças são expostas aos papéis sexuais pelos seus progenitores mas nem todas são forçadas a pensar em raças." Menor exposição a estereótipos raciais pode explicar a falta de preconceito racial em crianças com SW.

Meyer-Lindenberg acredita que as suas descobertas serão replicadas em amostras maiores e com diferentes grupos etários. Em estudos futuros de neuroimagem, ele gostava de separar os circuitos envolvidos nos diferentes estereótipos.

O estudo não responde à questão de se a estereotipagem é geneticamente determinada ou com base na experiência, diz Meyer-Lindenberg. Por isso ele gostaria de examinar o papel da experiência, por exemplo, encontrando crianças que foram criadas por dois membros do mesmo sexo.

"Até este estudo, acho que as pessoas nunca imaginaram que estes dois tipos de estereótipos pudessem ser biologicamente separáveis", diz Gabrieli. "Se isso se vier a comprovar ser devido a genes, ao ambiente ou a uma interacção complexa, vai mudar completamente a discussão." 

 

 

Saber mais:

Andreas Meyer-Lindenberg

John Gabrieli

Annette Karmiloff-Smith

 

 

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