2010-04-04

Subject: Hedonismo, felicidade e ambiente

 

Hedonismo, felicidade e ambiente

 

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Há uns anos foi publicado o livro do psicólogo social da Universidade de Harvard Dan Gilbert, intitulado Tropeçando na felicidade, que no seu essencial trata do fosso que separa o que as pessoas pensam que as fará felizes e o que realmente fará.

Afinal parece que não somos lá muito bons a prever o que nos trará felicidade, o que tem implicações para o ambiente, especialmente quando se trata de perceber porque tantas pessoas caem num padrão de consumo excessivo que não as deixa necessariamente mais felizes. Pelo contrário, muitas vezes ficam pior se esse consumo desenfreado as levar a endividamento crónico e a uma vida cheia de coisas.

Há um conceito em psicologia que é particularmente bem aplicado à cultura do consumismo e que ficou conhecido por 'passadeira hedónica'. A sua definição, segundo a Wikipedia, é a tendência para uma pessoa permanecer num nível relativamente estável de felicidade independentemente de alterações na sua fortuna ou de alcançar objectivos importantes. À medida que uma pessoa ganha mais dinheiro, as expectativas e os desejos sobrem concomitantemente, o que resulta na ausência de ganhos permanentes na felicidade.

Isto, obviamente, não significa que ser pobre seja divertido, ou que ser mais rico não faça ninguém feliz a longo prazo mas de modo geral, em média, aumentar a riqueza (especialmente quando se ultrapassa o ponto em que todas as nossas necessidades básicas estão satisfeitas) não torna as pessoas, nem de perto nem de longe, tão felizes como esperavam. 

Esta constatação leva-nos de volta ao nosso mecanismo de predição defeituoso.

 

Mais dinheiro pode tornar-nos mais felizes se o usarmos para fazer coisas que realmente nos fazem sentir felizes. Por exemplo, para alguns pode ser viver de forma mais de acordo com os seus valores ou ter a liberdade de gastar mais tempo com os que nos são queridos, reduzindo as formas de stress à nossa volta ou perseguir a nossa veia artística ou científica.

Mas muitas pessoas gastam todo esse dinheiro em coisas, montes de coisas. Compram uma coisa e sentem um pouco de felicidade, que rapidamente se esbate e os reverte novamente para o seu ponto de equilíbrio de felicidade. Assim, compram outra coisa para ter mais um pouco dessa fugidia sensação de felicidade, num ciclo vicioso de acumulação de tralha de que não precisam. 

Claro que a seguir precisam de uma casa maior onde colocar toda a tralha, o que significa mais despesas, uma pegada ecológica maior e menos liberdade financeira do que antes pois têm que continuar a trabalhar arduamente para pagar todas as novas coisas. Tornam-se o cliché vivo retratado no filme Fight Club e as coisas que possuem são os seus verdadeiros donos.

Em termos da sociedade actual não parece um problema com solução fácil. Durante o nosso passado ancestral os bens materiais eram tão raras que provavelmente é uma adaptação evolutiva a tentação de adquirir o máximo que se possa. Uma boa maneira de o nosso cérebro nos levar a esse comportamento é dar-nos a sensação de que esses bens nos farão felizes.

Talvez se as pessoas ficarem mais conscientes da existência dessa tendência cognitiva possam mitigar a situação. O nosso instinto pode ser pensar que um brinquedo novo nos fará felizes mas se soubermos que isso raramente funciona assim podemos, conscientemente, tentar tirar mais partido do que realmente nos faz felizes (mesmo que não sejam sempre as coisas que tivéssemos previsto). 

 

 

Saber mais:

A História das coisas

A essência da felicidade

Dinheiro compra felicidade

A fórmula da felicidade

 

 

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