2010-03-23

Subject: Preocupação com lixo electrónico nos países em desenvolvimento

 

Preocupação com lixo electrónico nos países em desenvolvimento

 

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@ NatureProblemas de saúde pública e de degradação ambiental causados pela reciclagem de material informático podem vir a disparar nas próximas duas décadas, à medida que os consumidores cada vez mais ricos de países como a Índia e a China forem deitando fora o seu hardware obsoleto.

Nos próximos seis a oito anos, os países em desenvolvimento vão descartar mais computadores velhos que o mundo desenvolvido, sugere um estudo publicado na revista Environmental Science & Technology. Por volta de 2030, estes países vão deitar fora dois ou três vezes mais computadores que o ocidente, resultando em mil milhões de máquinas em todo o mundo por ano, quando actualmente se tem um total global de 180 milhões.

O que isso significa, diz o autor do estudo Eric Williams, engenheiro ambiental na Universidade Estatal do Arizona em Tempe, é que mesmo que o fluxo de computadores obsoletos exportados para reciclagem pelo ocidente seja parado completamente, o mundo em desenvolvimento ainda terá que lidar com uma quantidade abismal de lixo electrónico doméstico.

O problema surge dos esforços para reclamar os metais preciosos das placas de circuitos e cabos através de métodos "muito primitivos", diz Williams. Para obter o cobre, por exemplo, os recicladores de fundo de quintal no undo em desenvolvimento simplesmente queimam o plástico isolante, produzindo uma plêiade de químicos tóxicos. Para obter ouro e outros metais das placas de circuitos, tratam-nos simplesmente com litros de ácidos nítrico e cianídrico. "Não há forma adequada de lidar com os resíduos produzidos por estes ácidos, que acabam no solo ou na água locais."

Para estimar quantos computadores domésticos o mundo em desenvolvimento vai acrescentar à actual corrente de lixo electrónico do ocidente, Williams analisou dados de vendas de computadores da União Internacional de Telecomunicações, uma agência das Nações Unidas sediada em Genebra, Suíça. Isto permitiu-lhes ter acesso à velocidade a que os computadores estão a ser adoptados pelas pessoas nos vários países. Seguidamente levaram em conta o tempo de vida médio dos computadores para obter estimativas sobre quantos acabariam na reciclagem.

Previsões destas, diz Williams, têm algum grau de incerteza, quanto mais não seja porque assumem que nenhuma outra invenção ultrapassará os computadores, "mas funcionou bastante bem com outras tecnologias, como frigoríficos, televisões, telemóveis ou máquinas de lavar".

"A mensagem mais importante a retirar deste estudo é que para lidar com os problemas ambientais as proibições ao comércio não vão funcionar." Nem, defende ele, ajudarão a retirar os materiais tóxicos dos computadores no futuro, a não ser que os recicladores dos países em desenvolvimento alterem os seus métodos. "Os produtos tóxicos gerados pelos processos de reciclagem não estavam presentes originalmente no equipamento, é um problema do processo de reciclagem, não do produto."

 

Ted Smith, presidente da Electronics TakeBack Coalition, uma organizaçõ não governamental de San Francisco, Califórnia, que faz campanha junto da indústria informática para reciclagem responsável, considera as projecções de Williams uma descoberta importante. "Os números são impressionantes", diz ele, especialmente considerando que o estudo lidou apenas com computadores. "Quando juntamos televisões, telemóveis, MP3, faxes, fotocopiadoras e tudo o resto, temos que multiplicá-los várias vezes."

Mas o activista ambiental Jim Puckett pensa que este estudo apenas "afirma o óbvio". Puckett, co-fundador da Basel Action Network de Seattle, Washington, para a promoção da Convenção de Basileia, um acordo internacional que controla o comércio de resíduos perigosos, diz que o estudo desvia a atenção dos problemas actuais.

"Neste momento, de forma avassaladora, quem alimenta esta reciclagem informal nos países em desenvolvimento", diz ele. "Chegam camiões carregados a toda a hora logo este estudo está a prestar um mau serviço aos que querem aplicar a Convenção de Basileia. Até que se acabe com estes despejos baratos e sujos, nunca vamos criar boas infra-estruturas para a reciclagem."

Williams concorda que melhorar os processos de reciclagem é crucial mas pensa que é importante trabalhar nos próprios países. Ele e a sua equipa estão a preparar um artigo sobre propostas para comprar placas e cabos para que sejam enviados para instalações mais reguladas do ponto de vista ambiental e técnicas mais sofisticadas de recuperação de metais preciosos. 

Graph showing increase in e-waste

 

 

Saber mais:

Electronics TakeBack Coalition

Ilha de lixo descoberta no Atlântico norte

Reciclagem - um objectivo por cumprir

 

 

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