2010-03-21

Subject: Sedar baleias vai ajudar na sua conservação

 

Sedar baleias vai ajudar na sua conservação

 

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@ NatureRestam apenas 300 baleias-francas no Atlântico norte e várias delas acabam emaranhadas em artes de pesca ao largo da costa leste dos Estados Unidos.

As redes e cordas cortam a carne destes animais e, em alguns casos raros, levam a uma morte lenta e dolorosa.

O biólogo marinho Michael Moore, do Woods Hole Oceanographic Institution no Massachusetts, é um dos que tentam libertar as baleias em apuros e vem relatar-nos uma nova técnica que tem como objectivo aumentar a taxa de sucesso dos esforços de libertação ao injectá-las com dardos com medicamentos.

Por que motivo começou a pensar em sedar baleias?

Tudo começou em 1999 quando tivemos uma baleia-franca que estava enrodilhada de forma crónica, com uma rede de pesca enrolada em volta de ambas as barbatanas e por cima do dorso. Não fomos capazes de a libertar e morreu meses mais tarde quando a gordura do dorso lhe foi arrancada pelas cordas enterradas na sua carne. Este caso tocou-nos muito, tanto em termos de bem-estar animal como pela dor sofrida.

Normalmente como se procede para libertar uma baleia?

Restringe-se fisicamente o animal colocando-lhe bóias, abrandando-a e cansando-a de modo a que se possam aproximar. Isso funciona muito bem para baleias-corcunda mas não funciona tão bem com baleias-francas.

As baleias-francas são basicamente mais difíceis de parar, são mais fortes, têm atitude e são maiores logo mais difíceis de trabalhar com elas. Tornou-se claro que a equipa de libertação estaria muito interessada em permitir quimicamente este procedimento [de abrandar a baleia].

Então o que aconteceu no ano passado com a baleia número 3311, que tinha uma corda a cortar-lhe a cabeça e maxila inferior?

Tínhamos um emissor implantado, por isso sabíamos por onde o animal andava e tínhamos uma janela de três dias no espaço de três meses em que podíamos reunir-nos num hotel, levantar-nos cedo, lançar o barco e voltar a localizar o animal.

Trabalha-se num barco com apenas 20 pés, um barco de borracha com uma plataforma elevada logo tudo o que é fácil de fazer em laboratório ficam muito mais complicadas quando se balança em ondas de dois metros.

Basicamente uma das questões é carregar de forma segura e eficiente uma seringa com um mistura de medicamentos, colocá-la no cano do mecanismo de aplicação e disparar. É um grande desafio (veja o vídeo).

Havia uma verdadeira sensação de estarmos preparados mas também do desconhecido pois ainda ninguém tinha feito o que tínhamos em mente. Tivemos discussões infindáveis sobre o que ia acontecer e agora íamos descobrir a verdade.

 

O que aconteceu quando finalmente aplicaram o dardo ao animal?

Estávamos preocupados por termos apenas sedado e não anestesiado este animal. Havia um desconhecido significativo e desconhecido. Apenas podíamos fazer este trabalho num animal que iria morrer de forma dolorosa. Se tudo o que acabássemos por fazer fosse uma eutanásia, não seria nada que nos arrependêssemos de fazer.

Foi muito gratificante ver que o animal fez exactamente o que queríamos, que foi deixar de ser muito evasivo para um comportamento basicamente de um bêbado, o que nos permitiu aproximarmo-nos de barco sem que fugisse.

E foi aí que a equipa de libertação, num segundo barco, começou a trabalhar?

Quando perceberam que a baleia era abordável, imediatamente começaram a desembaraçá-la, cortando as cortas. Há várias variáveis da forma como tudo funciona, dependendo do grau de emaranhamento. Neste caso, a corda estava embebida por isso não conseguíamos puxá-la com um gancho, usámos uma faca com mola, que cortou a pele e a corda.

Funcionou?

Retirámos cerca de 450 metros de corda da baleia, deixámos uma pequena quantidade embebida na cabeça pois, se tivéssemos tentado retirá-la, podíamos ter provocado uma hemorragia fatal.

A operação foi um sucesso. O paciente sobreviveu? Não sabemos, o tempo estava a piorar rapidamente por isso tivemos que nos afastar e desejar-lhe boa sorte. Não voltamos a ver aquela baleia, viva ou morta, desde então. Estamos à espera na esperança que alguém a veja mas não sabemos.

Estão preparados para voltar a fazer o mesmo?

Temos um novo sistema, com mais hardware e mais medicamentos logo estamos mais preparados do que alguma vez estivemos.

 

 

 

Saber mais:

NOAA - salvamento de uma baleia-franca

Michael Moore

Baleias-francas do Atlântico norte não foram caçadas até ao limiar da extinção

 

 

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