2010-03-17

Subject: Salvar florestas, culturas e dióxido de carbono

 

Salvar florestas, culturas e dióxido de carbono

 

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@ NatureCriar e fortalecer as áreas protegidas e as terras indígenas é uma das formas mais eficazes de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa resultantes da desflorestação, revela um novo estudo agora conhecido.

O estudo, uma colaboração entre cientistas florestais de 13 universidades e instituições de investigação, conclui que aumentar o apoio às terras indígenas e a outras áreas protegidas (ILPA, como são designadas) é uma situação em que todos ganham: pode abrandar a perda da floresta, conservar a biodiversidade e preservar a cultura local.

O apoio aos programas de protecção das florestas foi um dos poucos sucessos decorrentes das conversações climáticas de Dezembro último em Copenhaga, que não conseguiu chegar a um tratado vinculativo sobre a redução das emissões de dióxido de carbono.

Durante as conversações, os países concordaram que as nações industrializadas apoiariam financeiramente as mais pobres na protecção das suas florestas através de uma iniciativa conhecida por REDD-mais (Reduzir as Emissões devidas a Desflorestação e Degradação da Floresta, com benefícios acrescidos para as comunidades e para as populações indígenas).

Mas apesar das conversações de Copenhaga apelaram ao estabelecimento "imediato" dos mecanismos da REDD-mais, não foram adoptadas metas, estratégias ou calendários.

O novo artigo, publicado online na revista PLoS Biology, sugere que a criação de novas áreas protegidas e o fortalecimento da gestão das existentes podem ser o melhor local para começar. "Esta estratégia de conservação da velha escola é encontrar novos objectivos para um dos nossos mais ovos desafios", diz Taylor Ricketts, director do programa de ciência do World Wildlife Fund e autor principal do artigo.

O estudo salienta que, globalmente, as ILPAs contêm mais de 312 mil milhões de toneladas de carbono. Utilizando estudo de casos da Amazónia brasileira, os investigadores mostram que a desflorestação nas zonas protegidas e nas terras indígenas é entre 7 e 11 vezes menor que a das áreas limítrofes. Modelos anteriores mostraram que as áreas protegidas criadas na região entre 2003 e 2007 poderão, por volta de 2050, prevenir a desflorestação de cerca de 227 mil quilómetros quadrados, mais de um terço do equivalente às emissões anuais de gases de efeito de estufa de todo o mundo.

No Brasil, as terras indígenas são particularmente importantes, diz Ricketts. "Elas representam cerca de quatro vezes a área das zonas protegidas nacionais e estatais e frequentemente estão mesmo no caminho da desflorestação.

O custo de estabelecer e gerir a rede de áreas protegidas nos países em desenvolvimento é de cerca de US$4 mil milhões por ano, quatro vezes mais do que a soma dos gastos actuais. No entanto, por tonelada de equivalente de dióxido de carbono, este valor representa cerca de 9 a 13% do capital que poderá ser gerado pela REDD-mais considerando o valor conservador de US$5 por tonelada de equivalente de dióxido de carbono.

As ILPAs são tão eficazes, em parte, porque "estão prontas a funcionar", diz Ricketts. Enquanto algumas propostas de REDD-mais exigem o desenvolvimento de infra-estruturas substanciais (que podem ser dispendiosas e demoradas) as áreas protegidas "estão legalmente estabelecidas, preparadas para gastar dinheiro, clarificam questões de manutenção, têm pessoal e infra-estruturas", diz ele.

 

"Estes pontos são muito importantes para levar para a discussão política desde já", diz Celia Harvey, vice-presidente dos Serviços de Ecossistemas e Alterações Globais da Conservation International, uma organização internacional de conservação sediada em Arlington, Virginia, que dirige projectos-piloto REDD em África e América do Sul. "O nosso objectivo é passar rapidamente do quadro da REDD-mais para a implementação no terreno e estas observações são cruciais."

Harvey sugere, no entanto, que estes programas não se devem focar apenas nas áreas protegidas mas também nas comunidades localizadas nas suas margens. "Para as terras indígenas e áreas protegidas serem eficazes a longo prazo, é crítico que trabalhemos com as comunidades que vivem em volta dessas áreas protegidas e garantir que têm modos de vida alternativos sustentáveis."

John Niles, director do Grupo da Floresta Tropical, uma organização não governamental sediada em San Diego, Califórnia, que se foca na política florestal, alerta que afunilar o apoio para as zonas protegidas já existentes através do REDD pode ser complicado devido ao debate em curso sobre o que constitui poupança de carbono.

Os países geralmente são recompensados não pela quantidade de floresta que têm mas antes pela quantidade de carbono florestal que impedem que seja libertado para a atmosfera pela desflorestação, um conceito conhecido por adicionalidade. Assim, como as áreas protegidas já são legalmente protegidas, o conceito não se aplica, diz Niles. "A questão da adicionalidade legal tem sido um problema no passado. Porque motivo governos ricos pagariam por algo que os países em desenvolvimento já se comprometeram a fazer?"

Mas Niles acrescenta que como o REDD-mais ainda não tem um corpo ou mecanismo gestor há uma oportunidade de alterar essas regras. "Aprendemos muito sobre a adicionalidade e este seria um óptimo momento para tornar os testes sobre ela mais relevantes para a realidade." 

 

 

Saber mais:

WWF

UNFCCC REDD

Acordo de Copenhaga

Modelo prevê desflorestação futura

Abrindo caminho à protecção da floresta tropical húmida

Floresta tropical vale mais de pé

 

 

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