2010-03-11

Subject: Homem extingue espécies mais depressa que evolução as cria

 

Homem extingue espécies mais depressa que evolução as cria

 

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Stuffed animal heads including giraffes, in the Natural History Museum

Pela primeira vez desde que os dinossauros desapareceram, o Homem está a conduzir os animais e as plantas à extinção mais rapidamente do que as espécies conseguem evoluir, alertam os peritos em biodiversidade.

Já tem sido dito muitas vezes que o mundo está a braços com a sexta extinção em massa, conduzida pela destruição dos habitats, caça excessiva, espécies invasoras, doenças e alterações climáticas mas até recentemente havia esperança de que a taxa de evolução de novas espécies fosse capaz de acompanhar a perda de diversidade.

Referindo-se a dois estudos a publicar em breve sobre o estado da biodiversidade no Reino Unido e na Europa, Simon Stuart, presidente da Comissão para a Sobrevivência das Espécies da International Union for the Conservation of Nature (IUCN), entidade que declara oficialmente as espécies como ameaçadas e extintas, comentou ter "quase a certeza" de que esse ponto de viragem já foi ultrapassado: "Medir a taxa a que novas espécies evoluem é difícil mas não há dúvida de que a taxa actual de extinção é muito superior a isso, é inevitável", diz ele.

A IUCN criou uma verdadeira onda de choque com a sua avaliação de 2004, que calculou que a taxa de extinção tinha alcançado 100 a mil vezes o sugerido pelo registo fóssil antes da presença do Homem. Desde então não foram publicados cálculos formais mas os conservacionistas concordam que a taxa de perda de biodiversidade aumentou desde então e Stuart considera possível que as predições dramáticas dos peritos, como o biólogo E O Wilson, de que a taxa de extinção pode atingir 10 mil vezes a taxa de fundo em duas décadas, podem estar correctas.

"Tudo indica que ele tem razão", diz Stuart. "Alguns alegam que já lá estamos pois as coisas só se podem ter deteriorado com os principais motores (perda de habitat e alterações climáticas) a agravar-se. Mas não medimos as taxas de extinção desde 2004 e como as nossas estimativas actuais têm um intervalo de dez vezes, tem que haver uma enorme deterioração ou melhoria para ser detectada."

A extinção é parte da constante evolução da vida e apenas 2 a 4% das espécies que já existiram na Terra existem actualmente, no entanto o registo fóssil sugere que a maioria dos 3,5 mil milhões de anos da história da vida na Terra a taxa de extinção terá sido de uma em cada milhão de espécies por ano.

Apenas 869 extinções foram formalmente registadas desde 1500, mas como os cientistas apenas descreveram perto de 2 milhões das estimadas 5 a 30 milhões e apenas avaliaram o estatuto de conservação de cerca de 3% e a taxa de extinção é extrapolada da taxa de perda entre as conhecidas. Desta forma, a IUCN calculou em 2004 que a taxa de perda tinha subido a 100 a mil por milhão de espécies anualmente, situação comparável às cinco extinções em massa anteriores (a última das quais ocorreu com o desaparecimento dos dinossauros há 65 milhões de anos).

 

Stuart considera, no entanto, que o número da IUCN deve subestimar o problema pois os cientistas são muito relutantes a declarar uma espécie extinta mesmo quando não as observam há décadas e porque muitas plantas, fungos e invertebrados ainda não foram formalmente registados e avaliados.

O aumento calculado na taxa de extinção também devem ser comparados a outros limiares estudados por cientistas suecos de resiliência da natureza, ue alertaram que qualquer coisa acima de 10 vezes a taxa de extinção de fundo (10 espécies por milhão de anos) estaria acima do limite do que poderia ser tolerado pelo mundo, diz Stuart.

Muitas mais espécies são "descobertas" por ano do que as dadas como extintas mas estas novas plantas e animais são espécies que já existem há muito e que apenas agora o Homem reconhece, não espécies acabadas de evoluir.

Para além das extinções, a IUCN listou 208 espécies como "possivelmente extintas", algumas das quais não são vistas há décadas. Perto de 17300 espécies são consideradas ameaçadas, algumas com populações tão pequenas que apenas acções de conservação bem sucedidas podem evitar a sua extinção futura. Estão nesta situação, um quinto dos mamíferos avaliados, um oitavo das aves, um terço dos anfíbios e um quarto dos corais.

Ainda este ano, a Convenção sobre a Diversidade Biológica deve declarar formalmente que o compromisso feito pelos líderes mundiais em 2002 de reduzir a taxa de perda de biodiversidade até 2010 não foi cumprido e devem-se acordar novas metas mais restritivas.

Apesar do agravamento do problema e da crescente ameaça das alterações climáticas, os peritos salientam que a compreensão dos problemas que conduzem os organismos à extinção melhorou muito e que conservação direccionada por ser bem sucedida em salvar espécies ameaçadas de extinção na natureza.

Este ano foi declarado o Ano Internacional da Biodiversidade e espera-se um importante relatório das Nações Unidas para o Verão sobre a economia dos ecossistemas e da biodiversidade, que encoraje os governos a fornecer mais fundos à conservação.

 

 

Saber mais:

IUCN - Lista Vermelha das espécies ameaçadas 2009

Biodiversidade - longe da vista, longe do coração

Perda de biodiversidade é importante e há que saber comunicá-lo às pessoas

Conversações sobre biodiversidade têm início

 

 

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