2010-03-10

Subject: Bivalves podem suplantar dados climáticos de anéis das árvores

 

Bivalves podem suplantar dados climáticos de anéis das árvores

 

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@ NatureIsótopos de oxigénio nas conchas de bivalves podem fornecer o registo mais detalhado até à data das alterações climáticas globais, segundo uma equipa de cientistas que estudaram um lote de moluscos islandeses.

A maioria das medições paleoclimáticas fornecem dados relativos apenas a temperaturas médias anuais, diz William Patterson, um químico de isótopos na Universidade de Saskatchewan em Saskatoon, Canadá, e principal autor do estudo. Mas os moluscos crescem continuamente e os níveis de isótopos de oxigénio nas suas conchas varia com a temperatura da água em que se encontram: quanto mais fria a água, maior a proporção do isótopo pesado de oxigénio, o oxigénio-18.

O estudo usou 26 conchas obtidas a partir de tarolos de sedimento retirados de uma baía da Islândia. Dado que os bivalves tipicamente vivem entre 2 e 9 anos, as razões isotópicas em cada uma das conchas fornece uma janela de 2 a 9 anos para as condições ambientais em que viviam. 

A equipa de Patterson utilizou um dispositivo para a recolha robótica de amostras para retirar fatias finas de cada camada das bandas de crescimento das conchas, que eram depois colocadas num espectrómetro de massa para medição de isótopos. A partir delas, os cientistas puderam calcular as condições em que cada camada se formou.

"O que estamos a retirar daqui é o paleoclima", diz Patterson. "Podemos reconstruir as temperaturas com uma resolução inferior a semanas com estas técnicas e para bivalves maiores podemos atingir resoluções de dias."

É um passo importante para os estudos paleoclimáticos, diz ele, pois permite aos cientistas determinar não apenas as alterações das temperaturas médias anuais mas também a forma como estas alterações afectaram cada Verão e Inverno individualmente.

"Frequentemente cometemos o erro de dizer que a temperatura média anual é mais alta ou baixa num dado período de tempo", diz Patterson, "mas isso é relativamente insignificante em termos de alterações de estações."

Por exemplo, no início do Norse islandês, parte da era com 2 mil anos abrangida pelo estudo, os agricultores estavam dependentes dos lacticínios e da agricultura. "Para a produção de leite, o Verão é de longe a estação mais importante. Uma diminuição de um grau nas temperaturas de Verão resulta em reduções de 15% na produção na Islândia. Se isso acontecer dois anos seguidos, a sua família será dizimada."

Tecnicamente, os moluscos registam a temperatura da água e não do ar mas as duas estão fortemente relacionadas, especialmente perto da costa, onde a maior parte das pessoas vivia. "Por isso, quando a temperatura da água sobre, a temperatura do ar também sobe e vice-versa", diz Patterson.

Um dos objectivos de Patterson foi verificar assunções feitas nas sagas históricas da Islândia onde se descreve o clima. Como essas sagas incluem comunicações com o rei na Noruega, há tendência para exagero. "Se estamos a ter um ano mau, não se espera que possamos fornecer muito em termos de impostos", explica Patterson.

 

O estudo sugere que as sagas são razoavelmente correctas. Nos anos 1000, por exemplo, o 'Livro dos Colonos' (um manuscrito medieval com detalhes das colónias islandesas) relata uma fome tão severa que "homens comeram raposas e corvos" e "os velhos e desamparados foram mortos e atirados de penhascos", diz Patterson. De acordo com as suas conchas, esta foi realmente uma época difícil, com as temperaturas da água no Verão a terem máximos de apenas 5 a 6°C, quando nos cem anos anteriores tinham atingido 7,5 a 9,5°C.

Os dados de Patterson também revelam um número de alterações climáticas registadas pelos historiadores, incluindo uma período de aquecimento na era romana, um período gelado na Idade das Trevas e um subsequente período de aquecimento durante o qual os Vikings descobriram a Islândia.

Clique para imagem maior @ NatureMas não são apenas os historiadores os interessados nestes resultados. Os novos dados vão ajudar os modeladores climáticos a melhorar a sua compreensão dos sazonais no Atlântico norte, diz Patterson. "É uma nova linha de evidências."

Outros cientistas estão impressionados. "A técnica é fascinante", diz o geólogo Richard Alley, da Universidade Estatal da Pennsylvania em University Park. "Representa uma quantidade enorme de trabalho e demonstra um potencial espantoso para a revelação de processos passados com um detalhe sem precedentes. Podemos imaginar uma história contínua do tipo anéis das árvores."

Se encontrar financiamento, é exactamente o que Patterson pretende fazer. "Temos os que pode muito bem ser o bivalve mais velho do mundo, que nos pode dar um registo contínuo desde há 400 anos." Ele também quer levar o estudo até ao final da última idade do gelo. "Temos 11 mil anos de material."

 

 

Saber mais:

William Patterson

Richard Alley

 

 

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