2010-03-08

Subject: Associação entre extinção dos dinossauros e cratera confirmada

 

Associação entre extinção dos dinossauros e cratera confirmada

 

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Iucatão @ BBC/NASA

Um painel internacional de peritos veio endossar fortemente a teoria de que um impacto extraterrestre esteve por trás da extinção em massa que dizimou os dinossauros. O consenso surgiu depois da análise mais abrangente das evidências existentes até à data e dele também resulta, segundo o artigo publicado na revista Science, a eliminação de teorias alternativas como um vento vulcânico em larga escala.

A análise foi discutida na quadragésima primeira Conferência de Ciência Lunar e Planetária (LPSC), a decorrer nos Estados Unidos.

Um painel de 41 peritos internacionais reviu 20 anos de investigação sobre o tema para determinar a causa da extinção em massa da fronteira Cretácico-Terciário (K-T), há cerca de 65 milhões de anos. A extinção dizimou mais de metade das espécies do planeta, incluindo os dinossauros, os pterossauros e os granes répteis marinhos, abrindo caminho para que os mamíferos se tornassem o grupo dominante na Terra.

A revisão das evidências mostra que a extinção foi causada pelo impacto de um asteróide ou cometa de grandes dimensões contra a Terra, na zona de Chicxulub na península mexicana do Iucatão.

Quando o corpo rochoso extraterrestre com 10 a 15 km de diâmetro atingiu o Iucatão, a energia explosiva libertada foi equivalente a 100 triliões de toneladas de TNT, mais de mil milhões de vezes mais explosiva que as bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. A enorme cratera que resta do evento tem mais de 180 km de diâmetro e está rodeada por uma falha circular com cerca de 240 km de diâmetro.

"Podemos na realidade seguir o rasto dos resíduos desde o bordo da cratera por todo o mundo", refere o co-autor da revisão David Kring, do Instituto Lunar e Planetário de Houston. "Podemos começar na Europa, através do Atlântico e vai ficando mais espesso à medida que nos aproximamos da cratera de impacto de Chicxulub."

No novo estudo, os cientistas examinaram o trabalho de paleontólogos, geoquímicos, modeladores do clima, geofísicos e sedimentólogos que foram recolhendo evidências sobre a extinção K-T. Eles concluíram que o impacto extraterrestre de Chicxulub é a única explicação plausível para a devastação evidente no registo geológico. O impacto inicial teria desencadeado fogos em larga escala, enormes sismos e deslizamentos de terra continentais que geraram tsunamis. 

Gareth Collins, um dos co-autores da revisão do Imperial College Londres, refere que o asteróide terá atingido a Terra "20 vezes mais depressa que a velocidade de uma bala". Ele acrescenta: "A explosão de rocha derretida e gás deve ter tido o aspecto de uma enorme bola de fogo no horizonte, tostando qualquer organismo vivo nas proximidades que não tivesse encontrado abrigo."

Joanna Morgan, também co-autora do Imperial College, comenta: "O prego final no caixão para os dinossauros aconteceu quando o material lançado para o ar foi ejectado a alta velocidade para a atmosfera. Isto criou uma manta que envolveu o planeta em escuridão e originou um Inverno global, matando muitas espécies que não se conseguiram adaptar a este ambiente infernal."

Fronteira K-Y @ BBCA revisão confirma que uma única camada de resíduos ejectados está pela sua composição associada à cratera mexicana e também é coincidente com rochas associadas à fronteira Cretácico-Terciário (K-T).

A equipa também considera que a abundância de quartzo de choque nas camadas rochosas de todo o mundo na fronteira K-T dá ainda mais força às conclusões de que terá ocorrido o impacto de um meteorito enorme no momento da extinção em massa. Esta forma do mineral ocorre quando as rochas foram atingidas por uma força enorme a alta velocidade, sendo comum em locais de explosões nucleares e de impacto de asteróides.

 

"Combinando todos os dados disponíveis de diferentes disciplinas concluímos que um impacto de grande dimensão há 65 milhões de anos no que actualmente é o México foi a principal causa da extinção em massa", diz o autor Peter Schulte, da Universidade de Erlangen, Alemanha.

David Kring explica: "Fui convidado para dar o colóquio num número de universidades por toda a América do Norte e fico sempre surpreendido com o número de pessoas que não pensam que a associação é assim tão firme. Penso que foi muito importante que este painel de peritos de todo o mundo tivesse debatido o assunto e chegasse a uma resolução final. Acho que é esse consenso internacional que é tão importante neste caso."

Os cientistas já tinham defendido anteriormente que a extinção tinha sido causada por um impacto extraterrestre ou pela erupção vulcânica nas Armadilhas Deccan na Índia, onde houve uma série de erupções vulcânicas de grande dimensão que duraram cerca de 1,5 milhões de anos. As erupções lançaram mais de 1 milhão de quilómetros cúbicos de lava basáltica na zona, o suficiente para encher o Mar Negro duas vezes, que provocaram um arrefecimento da atmosfera e chuvas ácidas à escala global.

Apesar das evidências de vulcanismo relativamente activo nas Armadilhas de Deccan na altura, os ecossistemas marinhos e terrestres revelam apenas alterações menores nos 500 mil anos antes da época das extinções K-T. Para além disso, os modelos de computador e dados de observação sugerem que a libertação de gases, como enxofre, para a atmosfera depois das erupções vulcânicas de Deccan teria um efeito de curta duração no planeta.

O painel também descartou estudos anteriores que sugerem que o impacto de Chicxulub teria acontecido 300 mil anos antes do evento da extinção em massa.

@ BBCOs cientistas estimam que este tipo de impacto acontece em média uma vez em cada 100 milhões de anos, tendo ocorrido cinco deles ao longo da evolução da vida complexa na Terra.

A importância de Chicxulub foi cimentada pelo anúncio em 1991 da descoberta de quartzo de choque numa perfuração profunda com 1,6 km feita na cratera.

David Kring, Alan Hildebrand e William Boynton apresentaram os seus resultados na edição desse ano da LPSC e seguidamente no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston. Kring referiu estar "encantado" com o consenso reunido em volta da associação entre a cratera de Chicxulub e a extinção em massa K-T.

 

 

Saber mais:

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