2010-03-07

Subject: O que fazer com as orcas em cativeiro?

 

O que fazer com as orcas em cativeiro?

 

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Kalina, a primeira orca nascida em cativeiro e sua cria @ BBC

O ataque recente de uma orca cativa à sua treinadora nas instalações do aquário americano SeaWorld em Orlando, Florida, voltou a levantar questões sobre a nossa relação com estes predadores de topo marinhos.

Ninguém sabe o que terá desencadeado este último incidente e os peritos concordam que é quase impossível determinar o motivo porque a orca, baptizada Tilikum, reagiu como o fez mas salienta as tensões que ocorrem quando escolhemos interagir de perto com estes animais de grande dimensão.

Também tem sido debatido o que fazer com estas orcas que permanecem em cativeiro actualmente. "Trata-se de animais altamente sociais que vivem em grupos coesos, logo é um ambiente muito artificial a pequena área de que dispõem depois de capturadas e colocadas em aquários", diz Andrew Foote, perito em orcas selvagens na Universidade de Aberdeen, Reino Unido.

"Os acontecimentos trágicos a que assistimos recentemente são uma recordação de que as orcas são animais selvagens, muito fortes e frequentemente imprevisíveis", diz Danny Groves, da Whale and Dolphin Conservation Society (WDCS).

Os relatórios são diferentes conforme as fontes consultadas mas já houve cerca de 24 ataques de orcas cativas sobre pessoas e, ao contrário do que é a percepção popular, ataques de orcas selvagens também já foram registados, ainda que ninguém tenha ficado ferido. 

O investigador Chris Pierpoint, da Marine Mammal Observer Association, estava a trabalhar na Antárctica quando foi sujeita a um ataque planeado e bastante sofisticado por parte de um grupo de orcas. 

As orcas selvagens da região antárctica cooperam para caçar nadando juntas em direcção às focas que descansam sobre plataformas de gelo. Quando o fazem, criam uma onda que derruba a foca desprevenida do gelo para a água. "Fizeram isso ao Chris Pierpoint numa embarcação na Antárctica", diz Foote, apesar de não ter sido lançado borda fora. "Um incidente famoso aconteceu na década de 60 quando um surfista foi derrubado da sua prancha mas ele ficou bem porque a baleia não mordeu."

Há uns anos no Alasca, uma criança que nadava no mar também descreveu uma orca que se desviou da sua rota para nadar direita a ele, antes de abortar um suposto ataque no último minuto. Uma ideia já avançada é que as bolhas de ar causadas pelos fatos de neoprene podem confundir a ecolocalização das orcas, fazendo com que não se apercebam que estão a abordar uma pessoa, mas a escassez destes ataques sublinha a dificuldade em determinar a sua causa.

"Trata-se na realidade de casos isolados pois as orcas vivem em águas frias que não se sobrepõem muito com pessoas", diz Foote. O que o último ataque por parte de uma orca em cativeiro revela é o pouco que ainda sabemos sobre estes animais, tanto em cativeiro como na natureza. Por exemplo, apenas temos um ideia do grau de inteligência que as orcas apresentam e a complexidade da sua sociedade.

No entanto, poucas revelações surgiram a partir do estudo de orcas em cativeiro, apesar de se ter sabido alguma coisa sobre o seu comportamento acústico. "A ciência não justifica o cativeiro, uma coisa que espero se retire deste incidente infeliz é uma discussão cuidada sobre o encerramento destes parques marinhos."

 

Então, o que podemos ou devemos fazer com as orcas cativas?

Uma opção seria evitar mais mortes impedindo que os treinadores permanecessem demasiado perto das piscinas, outra seria abater todas as orcas consideradas demasiado perigosas para serem mantidas em cativeiro. A última opção, e aquela que à primeira parece a melhor do ponto de vista de direitos dos animais, é libertar as orcas actualmente em cativeiro na natureza.

A WDCS tem vindo repetidamente a apelar à devolução à natureza das orcas em cativeiro, quanto mais não seja porque o cativeiro parece reduzir drasticamente a sua esperança de vida mas não é assim tão simples.

Um estudo publicado por cientistas americanos e dinamarqueses no ano passado na revista Marine Mammal Science documenta as tentativas para devolver uma orca macho de nome Keiko à natureza. Capturado em 1979 como juvenil de dois anos de idade, Keiko ficou famoso como a estrela do filme de 1993 'Libertem Willy', após o qual a pressão da opinião pública aumentou para que fosse libertado.

O treino para a sua reintrodução na natureza começou em 1996 e depois de 2000 os seus treinadores começaram a levá-lo para nadar em mar aberto mas Keiko raramente interagiu com orcas selvagens e nunca foi capaz de se integrar num grupo. Também teve dificuldade em aprender a caçar, fazendo mergulhos mais rasos e menos frequentes que as baleias selvagens.

aquário de Nagoya, Japão @ BBCEventualmente, e apesar dos melhores esforços dos seus treinadores, Keiko não conseguiu libertar-se da sua necessidade de contacto humano, continuando a seguir o barco dos treinadores, acabando por morrer ainda semi-cativo em 2003.

"A libertação de Keiko demonstrou que a libertação de animais que vivem em cativeiro há muito tempo é especialmente difícil e ainda que, para nós humanos, possa parecer muito apelativo, a sobrevivência e bem-estar dos animais pode ser severamente afectada por essas acções", escrevem os autores do trabalho. 

 

 

Saber mais:

From captivity to the wild and back - An attempt to release Keiko the killer whale - Marine Mammal Science

Whale and Dolphin Conservation Society

Marine Mammal Observer Association

Orcas frequentam clubes sociais

Orcas escolhem os alvos com o SONAR?

Orcas fazem ondas para caçar

Centenas de crianças homenageiam Keiko

 

 

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