2010-03-03

Subject: A cobra que engolia dinossauros

 

A cobra que engolia dinossauros

 

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@ NatureCobras ancestrais assombravam os locais de nidificação dos dinossauros para devorar as crias desses répteis à medida que estas emergiam dos ovos, sugerem fósseis encontrados na Índia ocidental. 

A análise de um punhado de ovos de dinossauros do período Cretácico mostra que alguns dos ossos encontrados no ninho pertenciam a uma cobra com 3,5 metros de comprimento, enrolada em volta de um ovo e perto dos vestígios de uma cria de saurópode.

A descoberta permite uma rara visão do comportamento de alimentação das cobras do Cretácico e revela uma ameaça até agora não reconhecida que as crias de dinossauro enfrentavam.

Os ovos foram descobertos pela primeira vez em 1987 por Dhananjay Mohabey, do Geological Survey da Índia. Ele identificou-os como pertencentes a saurópodes, o grupo de dinossauros de pescoço longo a que pertencem os géneros Brachiosaurus e Diplodocus, e assumiu que os ossos que os acompanhavam pertenciam a saurópodes a sair dos ovos.

Vinte e três anos depois, Mohabey, o paleontólogo Jeffrey Wilson, da Universidade do Michigan, e uma equipa de colegas vêm revelar que alguns dos ossos pertencem a uma cobra predadora, que baptizaram de Sanajeh indicus.

O ecologista evolutivo Harry Greene, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, considera a descoberta "espectacular", pois fósseis de cobras bem preservados são tão raros, particularmente os que conservam parte substancial da cabeça. "Quando Dhananjay me mostrou o fóssil pela primeira vez, fiquei tão atordoado quando me apercebi que era uma cobra articulada do Cretácico que só várias horas depois é que me atingiu que se tratava de uma cobra do Cretácico num ninho de dinossauro", diz Wilson.

Uma parte crucial da investigação surgiu quando Wilson e Mohabey descobriram um pedaço há muito perdido do fóssil original que forneceu evidências da relação da cobra com os dinossauros. "Quando descobrimos o último pedaço de fóssil e o colocámos no lugar, pudemos ver claramente que a cobra estava enrolada em volta de um ovo de dinossauro, foi incrível", recorda Wilson.

Apesar da Sanajeh ser grande, a estrutura do crânio da cobra sugere que não podia abrir muito a boca. Uma abertura larga é crucial para as cobras actuais de grandes dimensões, como as boas e as pitões, que esmagam e devoram as suas presas engolindo-as inteiras. Que a Sanajeh não o pudesse fazer sugere que não seria capaz de devorar o ovo de grande dimensão e casca rija à volta do qual estava enrolada mas que estaria à espera no ninho para comer as crias menores e mais macias dos dinossauros acabados de chocar.

A paleontóloga Angela Milner, do Museu de História Natural de Londres, que não esteve envolvida na pesquisa, considera o estudo o primeiro a relatar a associação de uma cobra com um local de nidificação de dinossauros. Muitos dinossauros faziam o ninho comunalmente por motivos de segurança, o que seria muito atractivo para uma variedade de predadores de ninhos, como as cobras, diz Milner. "Crias acabadas de sair do ovo seriam alvos fáceis antes de terem tempo de dispersar ... logo parece que a Sanajeh rondava os ovos à espera de uma refeição fácil."

 

A equipa de Wilson diz que outros ninhos na mesma localização na Índia também mostram a presença de ossos da mesma cobra, sugerindo que elas predavam regularmente os dinossauros desta forma. "Isso aponta para uma pressão de predação sobre os saurópodes que não tinha sido considerada antes", diz Wilson. As crias de dinossauro acabadas de chocar provavelmente cresciam rapidamente para ficarem demasiado grandes para serem devoradas pela Sanajeh, explica ele.

@ NatureTal como a maioria dos répteis terrestres do subcontinente indiano que Wilson e os seus colegas têm estudado, os ossos de Sanajeh mostram ligações intrigantes à fauna das massas de terra a sul, como África, Antárctica, Austrália e Madagáscar.

A Índia estava ligada a essas zonas no seu passado remoto mas a reconstrução das placas mostram que o continente se tornou geograficamente isolado um longo período, enquanto derivava para norte, antes de se ligar à Ásia há 50 milhões de anos. Apesar desse isolamento, "a comunidade viva da Índia manteve uma forte ligação a sul, ainda que a forma como isso pode ser possível permaneça um mistério", acrescenta Wilson.

 

 

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