2010-03-01

Subject: Impacto ancestral dizimou hemisfério norte

 

Impacto ancestral dizimou hemisfério norte

 

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@ NatureO corpo extraterrestre que chocou com a Terra há 65 milhões de aos é famoso por, alegadamente, ter extinguido os dinossauros mas também dizimou mais de 90% das espécies de plâncton que formam a base das cadeias alimentares oceânicas.

Ao analisar os registos geológicos de sedimentos antigos obtidos em vários locais do mundo, os paleoceanógrafos obtiveram provas sobre a forma como o impacto causou tamanha destruição.

Os investigadores relatam na última edição da revista Nature Geoscience que as extinções mais graves de nanoplâncton ocorreram nos oceanos do hemisfério norte e que esses ecossistemas demoraram 300 mil anos a recuperar, muito mais do que no hemisfério sul. Dado esse padrão, os investigadores especulam que a direcção do impacto causou uma escuridão de longa duração no hemisfério norte e envenenamento por metais dos seus oceanos.

O nanoplâncton com conchas à base de cálcio era o principal produtor fotossintético dos oceanos de há 65 milhões de anos, na fronteira entre o Cretácico e o Paleogénico, mas 93% dessas espécies extinguiram-se juntamente com as amonites, os plesiossauros e todos os dinossauros. As extinções têm sido associadas à cratera de impacto de Chicxulub, na península do Iucatão, México.

Para traçar a distribuição geográfica das extinções, Timothy Bralower, da Universidade Estatal da Pensilvânia em University Park, examinou registos publicados que analisavam o nanoplâncton fóssil de 17 locais de todo o mundo. Descobriu que até 98% das espécies se extinguiram nos oceanos do hemisfério norte, enquanto a taxa de extinção dos oceanos do sul foi muito menor, tendo atingido um máximo de 73% num dos locais. "Há uma correlação incrivelmente forte entre a taxa de extinção e a latitude", diz Bralower.

Os oceanos Antárctico e Índico também se deram melhor noutros aspectos. A diversidade de espécies foi menos aspectos e as concentrações normais de espécies regressaram quase imediatamente mas passaram 300 mil anos depois do impacto para a diversidade de espécies recuperar nos oceanos do hemisfério norte, segundo os investigadores.

O fitoplâncton provavelmente influenciou a restauração de todo o ecossistema marinho, diz Bralower. A sua recuperação lenta no norte teria prejudicado o ressurgimento de toda a cadeia alimentar oceânica nos oceanos do norte.

Outros investigadores já tinham detectado diferenças relativamente a esta catástrofe com a latitude. As plantas terrestres norte americanas foram atingidas de forma particularmente forte quando comparadas com espécies dos continentes do sul. Evidências geológicas sugerem que o corpo que atingiu a Terra viajava de sudeste para noroeste logo o tipo de colisão, juntamente com a rotação do planeta, terá atirado mais resíduos para o hemisfério norte e bloqueado o sol por um longo período.

"A supressão da fotossíntese e a escuridão explicaria as extinções e a queda na diversidade", diz Bralower mas a recuperação atrasada no norte era um mistério. "Seria de esperar que quando voltasse a receber luz, começaria a florescer novamente. Por que motivo levou mais de 300 mil para se atingir a diversidade normal no hemisfério normal?"

A equipa testou várias hipóteses, como o arrefecimento e acidificação dos oceanos mas decidiu que o envenenamento por metais é o único mecanismo que poderia ter causado o retardamento. O impacto terá lançado metais para o ar e estes acabaram basicamente nos oceanos do norte. Altas concentrações de metais podem ser tóxicas para os seres vivos e inibem a reprodução. A supressão da fotossíntese no norte teria impedido o plâncton de absorver os metais tóxicos, limpando os oceanos.

 

"Até este estudo, não conseguíamos imaginar um mecanismo ambiental que inibisse a recuperação do plâncton depois das condições de luz terem sido restauradas. O que fizemos é dar números ao tempo que as componentes críticas da cadeia alimentar levaram a recuperar", diz Bralower. "Foi espantosamente longo."

Apesar de vários geólogos estarem impressionados com as diferenças de latitude relatadas neste novo artigo, estão cépticos com a hipótese dos metais.

"A realidade é que o oceano é muito vasto", diz Steven D'Hondt, oceanógrafo na Universidade de Rhode Island em Narragansett. Ele diz que o oceano se misturaria no espaço de um milhar de anos e espalharia os metais pesados que tivesse. Para explicar as diferentes taxas de recuperação, diz ele, "procuraria na ecologia evolutiva em busca de possíveis explicações".

James Zachos, paleoceanógrafo da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, concorda. "Suspeito que estas descobertas podem dizer-nos mais sobre o processo de recuperação do ecossistema de extinção grave do que sobre o processo de extinção."

Estudos anteriores dos moluscos marinhos mostraram que linhagens generalistas sobreviveram melhor à extinção que as que tinham poucas espécies e domínios mais restritos, segundo David Jablonski, paleontólogo da Universidade de Chicago, Illinois. Os dados sobre moluscos sugerem que a intensidade de extinção foi mais ou menos uniforme por todo o globo, diz Jablonski, mas "se fecharmos os olhos um pouco aos meus dados, a extinção dos moluscos das latitudes a sul foi um pouco inferior".

Segundo Bralower, espécies que viveram nas latitudes elevadas do hemisfério sul estavam adaptadas a pouca luz e altas concentrações de metais, o que lhes permitiu sobreviver sobreviver aos efeitos imediatos do impacto. "A adaptação é um factor crítico na sobrevivência e o efeito do impacto apenas se veio somar a isso."

Mesmo que o nanoplâncton do sul tenha sofrido menos que o do norte, "ainda sofreu um golpe forte", diz Jablonski. "Independentemente disso, foi uma má altura para se ser fitoplâncton no final do período Cretácico em qualquer lugar do mundo."

 

 

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