2010-02-28

Subject: Icebergue gigante ameaça vida selvagem

 

Icebergue gigante ameaça vida selvagem

 

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@ BBC

Um icebergue gigante que se quebrou da plataforma gelada da Antárctica oriental este mês pode perturbar a vida selvagem marinha da região, alertaram os cientistas. Segundo eles, o icebergue, com 78 km de comprimento e 39 km de largura, pode ter ser nefasto às colónias de pinguins imperadores da região pois estas aves emblemáticas serão forçadas a viajar para mais longe em busca de alimento.

O icebergue libertou-se da língua do glaciar Mertz depois desta ter sido atingida por outro icebergue gigante, baptizado B9B. "Esta é uma zona muito activa para o crescimento de algas, especialmente na Primavera", explicou Neal Young, do Centro de Investigação Antárctico do Clima e dos Ecossistemas, sediado na Austrália. 

"Existem colónias de pinguins imperadores a cerca de 200 a 300 km a ocidente deste local e as aves vêm a este local para se alimentar, tal como as focas da zona para terem acesso a águas abertas." Ele sugere que a alteração da disponibilidade de águas abertas pode afectar a taxa de produção de alimentos, que, por sua vez, pode ter um impacto na quantidade de vida selvagem que pode sustentar. "Se esta zona ficar entupida com gelo, então estes animais terão que ir para outro lado em busca de alimento."

A formação do icebergue, que tem uma massa que se estima em 700 a 800 mil milhões de toneladas, alterou a forma da geografia local, explica Young. "Temos dois icebergues gigantes que, alinhados topo a topo, criam uma barreira de cerca de 180 km. Por isso, a geografia do local passou de uma situação de uma caixa com dois lados de oceano aberto para uma situação com apenas um lado aberto."

Antes da formação do icebergue, a península de Mertz fornecia as condições ideais para a existência de polínia, ou seja, uma extensão de águas livres rodeadas por gelo marinho. "Os ventos sopram da costa para o mar e limpam tudo nessa região, incluindo gelo marinho, expondo as águas do oceano", explica Young.

 

Ele acrescenta que para além de fornecer um local de alimentação para a fauna selvagem da região, a polínia também era um local crucial de produção de "água do fundo", água muito fria e densa que se afunda para as profundezas do oceano. "O gelo marinho é relativamente fresco comparado com a água do mar, logo quanto mais gelo marinho tivermos (nas zonas envolventes), mais sal fica na restante água aberta."

A subida da concentração de sal aumenta a densidade da água, levando a que se afunde para as profundezas do oceano. "Esta zona em redor da costa antárctica, de que a península Mertz faz parte, produz cerca de um quarto da água de fundo antárctica mas a polínia de Mertz é o seu principal contribuinte", diz Young.

Ele acrescenta que o novo icebergue encurtou o comprimento da língua do glaciar Mertz, que pode resultar na entrada de gelo na zona e perturbar a polínia, "o que significa que a produção de água do fundo vai diminuir". "A água de fundo escorre sobre a plataforma continental, flui pelo talude continental até ao oceano profundo", o que ajuda a manter em funcionamento o "tapete rolante" de correntes nos oceanos Antárctico, Pacífico e Atlântico.

Qualquer perturbação na rede de fluxo de água do fundo pode resultar no enfraquecimento da circulação profunda nos oceanos, que desempenha um papel crucial no sistema climático global.

Ainda assim, os investigadores dizem que as alterações na região desencadeadas pela formação do novo icebergue não vão bloquear o sistema de circulação ou afectar o clima global. 

"Icebergues de grandes dimensões atraem sempre muitas atenções devido à sua escala", observou Michael Meredith, do British Antarctic Survey, que não esteve envolvido na investigação. "A água do fundo é realmente uma componente importante da circulação oceânica geral e por isso do clima. Também há um número de outras localizações de formação de água do fundo logo é pouco provável uma alteração em larga escala da ordem de magnitude necessária para um impacto no clima global resultante deste evento."

"A coisa mais importante, penso eu, é que este evento tenha sido cuidadosamente seguido pelos cientistas, que vão agora analisar os processos pelos quais pode ter impacto no oceano e ecossistemas. Estudando este laboratório natural vai aumentar o nosso conhecimento sobre o funcionamento do sistema antárctico."

 

 

Saber mais:

Antarctic Climate and Ecosystems Co-operative Research Centre

Scientific Committee on Antarctic Research

 

 

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