2010-02-27

Subject: Créditos de carbono propostos para conservação de baleias

 

Créditos de carbono propostos para conservação de baleias

 

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@ NatureO oceanógrafo biológico Andrew Pershing quer créditos de carbono para a conservação das baleias pois, diz ele, estes cetáceos são como as árvores. "Como qualquer animal ou planta, as baleias são formadas por carbono e são tão grandes que armazenam uma quantidade enorme desse elemento."

Pershing, da Universidade do Maine em Orono e do Instituto de Investigação do Golfo do Maine em Portland, Maine, calcula que apesar de algumas espécies de baleia estarem a recuperar dos efeitos da caça comercial, a biomassa total destes cetáceos é menos de um quinto do que era em 1900, antes das populações terem sido dizimadas pela caça.

Deixar a população de baleias recuperar, referiu ele a 25 de Fevereiro no encontro de 2010 da União Americana de Geofísica a decorrer em Portland, Oregon, poderia eventualmente sequestrar 9 milhões de toneladas de carbono na sua biomassa combinada.

Ele compara a situação a plantar árvores: "Numa floresta, as árvores removem o dióxido de carbono da atmosfera e acumulam-no sob a forma de biomassa. As baleias absorvem o carbono do sistema através dos alimentos e incorporam-no nos seus tecidos."

A caça à baleia, pelo contrário, é como cortar árvores para lenha. "Estamos a retirar as baleias da população e a colocar o seu carbono noutro local." Nos primeiros dias da caça à baleia, explica Pershing, esse carbono ia directamente para a atmosfera através da queima do óleo de baleia nas lamparinas, por exemplo. Mais recentemente, o carbono é libertado pelo consumo de carne de baleia pelo Homem, "mas ainda continuamos a retirar carbono da baleia e a colocá-lo em algo que vai respirá-lo."

Para além disso, quando as baleias morrem naturalmente, geralmente afundam-se para o fundo dos oceanos, levando com elas carbono. Em 1900, quando o número de baleias era alto, isso corresponderia a cerca de 200 mil toneladas de carbono por ano, estima Pershing. Ainda que os organismos bentónicos se alimentem das carcaças das baleias (veja Descobertos vermes que se alimentam de ossos), o carbono continuará nas profundezas, permanecendo "fora da atmosfera potencialmente durante milhares de anos".

Por comparação, 9 milhões de toneladas é uma pequena fracção das 7 mil milhões de toneladas de carbono que entram na atmosfera por ano devido às actividades humanas, diz Pershing, mas ainda assim é muito. É equivalente a 11 mil quilómetros quadrados de floresta temperada ou a 11 mil Hummers conduzidos durante 100 anos, revela ele.

Este valor também é comparável à quantidade de carbono envolvido nos esquemas de gestão de florestas que se propõem para a compra e venda de créditos de carbono, diz ele. "As pessoas pagariam muito para preservar uma área de floresta desta dimensão."

Se o número de baleias aumentar, outras espécies que competem pelo mesmo alimento podem entrar em declínio mas mesmo se o fornecimento de alimento do oceano for limitado, pode ainda haver um aumento substancial da biomassa total devido à diferença de tamanho entre as baleias e os organismos que elas podem desalojar. Como os animais de grande dimensão precisam de menos comida por unidade de massa que os animais mais pequenos, qualquer fonte de alimento (como o krill) pode suportar muito mais biomassa numa baleia que num animal menor como um pinguim.

 

Outros cientistas receberam a apresentação de Pershing com entusiasmo. "É muito entusiasmante", diz Daniel Costa, professor de ecologia e biologia evolutiva na Universidade da Califórnia, Santa Cruz. "Significa que as baleias são importantes não apenas porque são carismáticas mas também porque desempenham um papel importante no ciclo do carbono."

Mais ainda, diz ele, a investigação de Pershing pode na realidade estar a subestimar o grau em que as baleias podem sequestrar carbono. O ferro nas carcaças de baleia é um micronutriente importante e frequentemente escasso em águas como as do oceano Antárctico. O ferro pode ajudar a estimular o crescimento de algas, logo aumentar a disponibilidade de alimento para todos, incluindo baleias.

"Para obter estes grandes florescimentos de algas é preciso ferro", diz Costa. De facto, diz ele, os benefícios indirectos da fertilização com ferro proveniente das fezes de baleia pode remover mais carbono da atmosfera ao estimular o crescimento das algas do que o crescimento das próprias baleias.

Pershing acrescenta que a mesma análise se aplica a outros organismos de grande dimensão cujas populações foram drasticamente reduzidas, como as do atum-rabilho e algumas espécies de tubarão.

E mesmo que a biomassa combinada de todos estes animais represente apenas uma pequena fracção das emissões humanas totais de carbono, ainda podem sequestrar muitas toneladas de carbono. "Podemos usar o carbono como um dos incentivos à recuperação dos efectivos populacionais destes grandes animais", diz Pershing. 

 

 

Saber mais:

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Equinodermes absorvem carbono

Cachalotes são sumidouros de carbono?

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