2010-02-24

Subject: Orangotangos estão a morrer pelo supermercado

 

Orangotangos estão a morrer pelo supermercado

 

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Borneo Orangutan

O desafio de salvar o orangotango, um dos primatas mais próximos do Homem, da extinção está cada vez mais próximo do supermercado pois muitas das bolachas, margarinas, pães, snacks e até barras de sabonete contêm um ingrediente que está a alimentar o crescimento de uma indústria que está a matar os orangotangos.

Este ingrediente mistério é a mistura de óleo de palma, a fonte de óleo vegetal mais barata disponível e que raramente aparece mencionada nos rótulos da maioria dos produtos.

O óleo de palma é cultivado em terrenos que foram em tempos lar das vastas florestas do Bornéu, habitat natural do orangotango. A International Union for Conservation of Nature estima que a população se reduziu em 50% nas últimas décadas e o governo indonésio admite que 50 mil orangotangos morreram em resultado da desflorestação.

Uma investigação do programa Panorama da BBC sobre o abate das florestas indonésias do Bornéu, ilha que este país partilha com a Malásia, descobriu que a ânsia por terreno para plantar palmeiras está a intrometer-se em áreas que o governo indonésio considerou fora de limites.

Os orangotangos, desalojados à medida que as florestas ancestrais são queimadas e muitas vezes mortos por trabalhadores que os consideram um estorvo ao processo de abate de árvores, não são as únicas vítimas do crescimento descontrolado das plantações de óleo de palma, os cientistas dizem que há um preço ambiental muito superior a ser pago.

O Greenpeace identificou a drenagem de terras pantanosas ancestrais para dar lugar a plantações de palma como uma ameaça global, dizendo que levará à libertação para a atmosfera de quantidades maciças de metano e dióxido de carbono nelas aprisionado. Em resultado dessa situação, a Indonésia é o terceiro maior emissor de gases de efeito de estufa, ficando apenas atrás dos Estados Unidos da América e da China.

Usando tecnologia GPS e de imagens de satélite, a equipa da BBC identificou localizações exactas onde o gigante do óleo de palma Duta Palma está a abater floresta tanto em terras com elevado valor de conservação como em terrenos pantanosos, situações ilegais.

Shailendra Yashwant, director para o sudeste asiático do Greenpeace, refere que este abate ilegal da floresta é generalizado e inclui os principais fornecedores da indústria alimentar e de produtos domésticos do Reino Unido e outros países ocidentais. "Queremos que o governo indonésio anuncie imediatamente uma moratória na desflorestação, começando com as terras pantanosas."

Willie Smits, antigo conselheiro do ministério indonésio das florestas e actual ambientalista, comentou sobre estas descobertas: "Isto é criminoso e não devia estar a acontecer. Isso significa que não há esperança para a subespécie mais ameaçada de extinção o orangotango de Kalamantan oeste." A questão maior dos gases de efeito de estufa já não pode ser ignorada, tanto pelos fabricantes como pelos consumidores, "é uma questão mundial, não apenas da Indonésia".

A indústria da palma, avaliada em $7,7 mil milhões, é a terceira maior exportadora do país. Muitos dos grandes fabricantes que compram o óleo via retalhistas europeus dizem que, ainda que estejam a começar a procurar fontes sustentáveis, ainda não estão em posição de determinar a origem de todo o óleo que utilizam. 

Actualmente, apenas 3% do óleo de palma está certificado como sustentável, o que significa que é proveniente de plantações que passam o teste do impacto social e ambiental.

Muitos se juntaram na Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RSPO), um esquema para promover a certificação de origem do óleo de palma. Outros estabeleceram metas ambiciosas de utilização de óleo sustentável até 2015 ou antes mas Shailendra Yashwant considera que a RSPO não é mais que uma fachada porque os seus compromissos não são aplicáveis no terreno.

 

O óleo de várias plantações, incluindo o do grupo Duta Palma que é plantado em zonas em que a floresta foi abatida ilegalmente, é misturado e enviado para todo o mundo, onde será vendido a fabricantes de produtos de consumo diário. Após contacto da BBC, o grupo Duta Palma recusou comentar.

Hillary Benn, secretário de estado do ambiente inglês, considera que é o momento de os consumidores pressionarem os fabricantes, exigindo saber se os produtos que consomem contêm óleo de palma e garantias de que provém de uma fonte sustentável.

As actuais leis de rotulagem da União Europeia permitem aos fabricantes referir-se ao óleo de palma como 'óleo vegetal', sem isolar o conteúdo em óleo de palma. Muitos fabricantes, incluindo gigantes da indústria como a Unilever e a Proctor & Gamble, dizem que as suas receitas podem mudar e a quantidade de e tipo de óleos que usam podem variar de semana para semana, tornando rótulos mais detalhados impossíveis.

No entanto, os supermercados ingleses Sainsbury já tomaram a decisão de isolar não só o óleo de palma nos ingredientes dos seus produtos próprios mas também indicar directamente que provém de uma fonte sustentável.

@ BBCRecentemente, a Unilever, o maior utilizador de óleo de palma em produtos que vão desde sabonetes Dove às sopas Knorr e à margarina Flora, cancelou um grande contracto com um fornecedor chamado Sinar Mas, devido a alegações de que este estaria a destruir florestas com elevado valor de conservação.

A Unilever referiu no programa Panorama que pode ter usado óleo de palma do grupo Duta Palma no passado mas que tenciona ultrapassar os seus problemas de fornecimento de forma a que não volte a utilizar óleo de palma desse produtor.

O secretário Benn comentou: "Penso que tudo realmente depende do que os consumidores podem fazer pois a mensagem mais poderosa que podemos enviar às companhias é o que compramos ou não."

Benn considera que a participação dos retalhistas e produtores do Reino Unido na Mesa Redonda é um passo em direcção a garantir que o óleo de palma tem origem conhecida, o que aumenta as hipóteses de puder ser certificado como sustentável. 

 

 

Saber mais:

International Animal Rescue

Save the Orangutan

Orangutan Foundation

Int Union for Conservation of Nature

Greenpeace

 

 

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