2010-02-23

Subject: Rã sul-americana revela segredo da monogamia

 

Rã sul-americana revela segredo da monogamia

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

Mimic poison frog (Ranitomeya imitator)

O primeiro anfíbio monogâmico foi descoberto na floresta tropical húmida da América do Sul: testes genéticos revelaram que os machos e as fêmeas de uma espécie de rãs venenosas peruanas são completamente fiéis aos seus parceiros.

Ainda mais surpreendente é a descoberta de que uma única coisa, a dimensão das poças de água em que colocam os ovos e o seus girinos se desenvolvem, é suficiente para impedir que estes anfíbios 'coloquem o pé em ramo verde', o que constitui a melhor prova até à data de que a monogamia pode ter uma única causa.

Os detalhes da vida sexual das rãs vão ser publicadas na revista The American Naturalist.

"Esta é a primeira descoberta de uma anfíbio verdadeiramente monogâmico", diz o biólogo Jason Brown, na altura na Universidade do Leste da Carolina em Greenville, Carolina do Norte, que fez a descoberta conjuntamente com os seus colegas Victor Morales e Kyle Summers.

A rã monógama pertence à espécie Ranitomeya imitator, conhecida geralmente por rã imitadora venenosa, que já era conhecida da ciência. Nos últimos anos, Brown estudaram intensivamente muitos dos seus hábitos, que foram mesmo filmados para o conjunto de documentários da BBC Life in Cold Blood.

@ BBCApós o acasalamento, a fêmea de rã imitadora põe os ovos na superfície de folhas e o macho posteriormente retira os girinos que nascem, transportando-os um a um para poças de água que se formam no centro das folhas de Bromeliáceas no alto de árvores às cavalitas. Em cada pequena poça, o macho coloca cerca de um dúzia de girinos e fica a tomar conta deles.

Quando os girinos ficam com fome, o macho chama a sua parceira que põe mais ovos não fertilizados em cada poça, que servem de alimento aos girinos. Mas ainda que os machos e as fêmeas pareçam agir em uníssono, novas experiências revelaram o grau da sua fidelidade.

Muitos animais parecem ser monogâmicos, com os machos e as fêmeas a formar pares que frequentemente duram uma vida inteira mas a recente explosão de análises genéticas revelou que muitas destas relações apelidadas de monogâmicas são uma farsa. Ainda que muitos animais possam permanecer juntos e procriar, frequentemente escapulem-se e traem os parceiros sempre que têm oportunidade para isso.

Por isso, Brown e os seus colegas decidiram verificar a monogamia das rãs imitadoras mais de perto, recolhendo amostras de DNA de muitos pares de adultos e as gerações subsequentes de girinos que produziram.

 

Das 12 famílias de rãs, 11 tinham machos e fêmeas que permaneceram continuamente fiéis uns aos outros, produzindo a sua descendência juntos. Na décima segunda família, um macho acasalou com duas fêmeas.

"Outros encontraram evidência de monogamia social em anfíbios em que os progenitores permanecem juntos mas não analisaram a genética destes casais e da sua descendência para o confirmar", disse Brown. "Outros analisaram a genética e perceberam que na realidade eles eram promíscuos."

Isso torna a rã imitadora o primeiro anfíbio confirmadamente monogâmico, contrastando com outras rãs aparentadas de perto, as conhecidas por rãs variáveis venenosas Ranitomeya variabilis, que as rãs imitadoras imitam e que têm um padrão de cores muito semelhante e que os testes genéticos revelaram ser promíscuas.

Investigações posteriores feitas por esta equipa também revelou que as duas espécies de rã, semelhantes em tantos aspectos, são sexualmente muito diferentes. A rã variável põe os ovos me poças de água muito maiores, cinco vezes maiores em média do que as usadas pela rã imitadora. Também neste caso, a fêmea não tem qualquer papel na criação dos girinos, deixando o seu cuidado ao macho.

Quando os investigadores deslocaram os girinos de ambas as espécies para poças de diferentes tamanhos, descobriram que os girinos cresciam mais rapidamente nas poças maiores, que contêm mais nutrientes, mas não conseguiam sobreviver nas menores.

Esse facto sugerem fortemente que as rãs variáveis não precisam de se manter juntas pois os seus girinos podem sobreviver em poças maiores sem obterem alimento das suas mães. Já as rãs imitadoras foram obrigadas a seguir outra via pois os seus girinos dependem dos cuidados da mãe e do pai por não haver alimento natural em quantidade suficiente nas poças menores, forçando os adultos a permanecer juntos.

Os investigadores acreditam que descobriram evidências convincentes de uma cadeia evolutiva de causa: alterar a dimensão da poça de reprodução forçou a rã imitadora a alterar o seu sistema de cuidados parentais, com os machos e as fêmeas a trabalhar em conjunto e culminando na monogamia social e genética.

Se as poças fossem maiores, as rãs não precisariam de permanecer fiéis, pois não estariam unidas pela necessidade de trabalhar em conjunto para criar as gerações futuras. "Estas rãs são realmente devotadas à sua descendência e um ao outro", diz Brown, que está agora a estudar na Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte. 

 

 

Saber mais:

Somos todos viciados no amor?

Salamandras enganadas ripostam

Aves beneficiam com a promiscuidade feminina

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com