2010-02-19

Subject: Morte de Tutankhamon explicada?

 

Morte de Tutankhamon explicada?

 

Dificuldades em visualizar este email? Consulte-o online!

@ NatureUma equipa de investigadores diz ter resolver o mistério que rodeia a morte do faraó Tutankhamon, que morreu por volta de 1324 a.C. com 19 anos. Alguns peritos externos contactados pela revista Nature estão, no entanto, cépticos pois consideram que as conclusões ultrapassam os dados disponíveis.

A impressão digital genética feita a Tutankhamon e a outras dez múmias também forneceram uma árvore genealógica putativa com cinco gerações que inclui os pais do faraó.

"O artigo tem importância pois lida com as múmias egípcias mais famosas, no entanto, a maioria dos resultados são previsíveis", diz Frank Rühli, do Instituto de Anatomia da Universidade de Zurique e chefe do Projecto Múmia Suíço.

Os resultados de imagens presentes no relatório, publicado na revista Journal of the American Medical Association, indicam que Tutankhamon tinha osteonecrose de dois ossos metatársicos de um pé, segundo os autores, e as evidências de DNA sugerem que estava infectado com o parasita da malária Plasmodium falciparum. A equipa responsável pelo trabalho, liderada por Zahi Hawass, chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto, pensa que o faraó pode ter enfraquecido e morrido de uma combinação destas doenças, especialmente considerando que tinha uma perna fracturada, ferimento talvez resultante dos problemas do pé.

Mas outros peritos defendem que encontrar provas de malária não é surpreendente, dado que o parasita era provavelmente comum no Egipto na época. Mais ainda, em regiões com malária, as pessoas que sobrevivem à malária em criança geralmente adquirem alguma imunidade. A falta dos órgãos internos nas múmias impede um diagnóstico conclusivo. "Não há dados disponíveis para avaliar se a malária foi a causa da morte", diz Giuseppe Novelli, chefe do laboratório de genética médica da Universidade Tor Vergata de Roma.

Os autores também acreditam que a malária descoberta é "a prova genética mais antiga em múmias datadas com precisão". Peritos dizem que isso não tem importância pois já outras múmias consideradas do mesmo período e anteriores já tinham revelado a presença do parasita P. falciparum. Para além disso, alterações no genoma humano atribuídas à influência da malária mostram que a doença está presente desde há muito.

Os danos ao pé do faraó também podem ter explicação alternativa, dizem os peritos. Um diagnóstico de necrose não pode ser feito com clareza a partir das imagens publicadas, diz Gino Fornaciari, director de paleopatologia da Universidade de Pisa. Philippe Charlier, cientista forense do Hospital Raymond Poincaré em Garches, concorda que a necrose observada pode ser o resultado de "queimadura ou esmagamento por sais de embalsamamento ou betumem". Outras deformidades relatadas no artigo também podem ser devidas às ligaduras e ao embalsamamento, diz Fornaciari.

 

Em apoio à sua hipótese, os autores defendem que a presença de bengalas no túmulo do faraó apoiam uma dificuldade de locomoção e que as sementes, frutos e folhas encontradas seriam uma "farmácia após a morte". Fornaciari refere que as bengalas eram um símbolo de poder no antigo Egipto e que os vegetais não são necessariamente medicamentos mas apenas bens para a via após a morte.

"Nunca poderemos provar que ele morreu de malária", admite o co-autor Albert Zink, chefe do Instituto das Múmias e do Homem de Gelo na EURAC em Bolzano, apesar da presença do parasita colocar a possibilidade. Zink está convicto do diagnóstico de osteonecrose, pois crescimento de novo osso em reacção à necrose mostra que ocorreu antes da morte. A osteonecrose por si não é fatal mas pode ter contribuído para o desfecho.

Zink concorda com a possibilidade de explicações alternativas para as bengalas e plantas mas que são provas circunstanciais que merecem ser relatadas. Ele rejeita as sugestões de que o grupo ultrapassou os dados disponíveis mas concorda que as conclusões finais são, em última análise, especulativas.

A fractura da pena, relatada no ano passado por um grupo onde se incluíam Rühli e Hawass, podia, por si só, ser responsável pela morte devido a infecção, diz Rühli.

A impressão digital genética das múmias reais e a resultante árvore genealógica é mais convincente o que as causas sugeridas para a morte do faraó, apesar de a maioria dos investigadores concordar que os detalhes fornecidos no artigo não permitirem uma avaliação completa. Eske Willerslev, perito em DNA antigo na Universidade de Copenhaga e co-autor da sequenciação do genoma humano mais antigo até à data, diz não estar convencido com esses dados.

Rühli, que no ano passado foi co-autor de uma meta-análise de estudos paleopatológicos de múmias egípcias e está a preparar um livro sobre os standards mínimos para publicação, diz que apesar das críticas os investigadores merecem crédito. Ele salienta que avaliar patologias em múmias antigas é notoriamente difícil devido ao efeito conjunto do embalsamamento e do tempo e porque a maioria dos órgãos internos não existem. Segundo ele o estudo é cientificamente rigoroso num campo onde há muitas publicações de baixa qualidade, ainda que a apresentação dos resultados seja um pouco "exagerada". 

 

 

Saber mais:

Zahi Hawass

Albert Zink

 

 

Twitter simbiotica.orgFacebook simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.orgClique para deixar de subscrever esta newsletter

 

simbiotica.org  |  Arquivo  |  Comentar  |  Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  @ simbiotica.org, 2010


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com